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PROTESTOS E REPRESSÃO

Violência na Bolívia se agrava durante fim de semana

Denúncias de repressão brutal contra apoiadores de Evo Morales se alastram nas redes sociais. Jornalistas argentinos deixam o país em meio a ameaças

Violência na Bolívia se agrava durante fim de semana
Decreto que isenta agentes de responsabilidade em operações gera temor de mais violência (Foto: Abad Miranda)

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A crise política que tomou a Bolívia após as controversas eleições presidenciais do dia 20 de outubro parece longe de um desfecho.

Nos últimos dias, milhares de indígenas, cultivadores de coca e camponeses marcharam até cidades como El Alto, La Paz e Cochabamba para expressar apoio ao ex-presidente Evo Morales – que partiu para o México como asilado político, após ser acusado de fraudar as eleições para garantir um quarto mandato.

Denúncias de repressão policial se alastraram durante todo o fim de semana. Vídeos de apoiadores de Morales sendo alvejados por militares em manifestações pacíficas inundaram as redes sociais. Em algumas regiões, houve confronto entre manifestantes e forças de segurança.

Também vêm sendo denunciados intimidações e ataques a jornalistas que cobrem a crise no país. Um vídeo de uma correspondente argentina, que cobria a atuação das forças de segurança em La Paz para a rede Al Jazeera, circulou pelo fim de semana, despertando fortes críticas à atuação dos agentes. No vídeo, a repórter Teresa Bo aparece fazendo a cobertura quando um agente passa por ela e deliberadamente lança gás lacrimogêneo em seu rosto.

O ataque a Teresa não foi um fato isolado e levou jornalistas argentinos a deixar a Bolívia por questões de segurança, conforme noticiou a Folha de S.Paulo.

O cenário ganhou contornos ainda mais graves após o governo da autoproclamada presidente interina, Jeanine Áñez, publicar um decreto eximindo agentes das forças armadas de responsabilidade durante sua atuação no restabelecimento da ordem. O Decreto 4078 foi considerado grave pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que em nota afirmou que a medida estimula a repressão violenta.

“A CIDH alerta para o Decreto Supremo nº 4078, sobre as Forças Armadas na Bolívia, datado de 15 de novembro de 2019. O decreto pretende eximir de responsabilidade criminal membros das forças armadas de participem de operações de restabelecimento da ordem e estabilidade interna. O grave decreto ignora os padrões internacionais de direitos humanos e, por seu estilo, estimula a repressão violenta. Esse tipo de decreto viola a obrigação dos Estados de investigar, processar, julgar e punir as violações aos direitos humanos. A CIDH condena qualquer ato do governo interino da Bolívia que atente contra o direito à verdade, à justiça e aos princípios internacionais dos direitos humanos, particularmente no contexto de ações das forças armadas em protestos sociais”, alertou a comissão.

O temor é que o decreto eleve ainda mais o número de mortes, que já chega 23 mortos e mais de 700 feridos desde que a crise política teve início. Há suspeita de que o número de mortos pode ser maior, uma vez que casos de desaparecimento também têm crescido.

No último domingo, 17, segundo noticiou a revista Veja, Jeanine Áñez afirmou que pretende convocar “em breve” o que chamou de “eleições transparentes”. A declaração foi dada após uma reunião com o delegado da União Europeia, León de la Torre, que deixou o encontro se dizendo otimista em relação ao que classificou como “avanços nas negociações” entre o governo interino e setores apoiadores de Morales. Porém, não há indícios de sessões na Câmara ou no Senado boliviano para debater um novo pleito.

Também no domingo, Áñez causou polêmica ao justificar, em uma entrevista à BBC, sua aparição com a bíblia em mãos na sacada do Palácio Quemado – sede do Executivo boliviano – ao ser anunciada como presidente interina.

Na entrevista, Áñez afirmou que seu governo visa fazer as pazes com a igreja após o governo de Morales, que é ateu. Questionada pelo repórter sobre o fato de estar previsto na Constituição que a Bolívia é um país laico, Áñez afirmou que tal medida foi uma imposição socialista e disse que, na Bolívia, 80% da população são “pessoas de fé”.

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