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OBITUÁRIO

Jane Fawcett, a decodificadora de mensagens da II Guerra Mundial

Inglesa que trabalhou com os criptologistas que decodificaram as mensagens da máquina alemã Enigma durante a Segunda Guerra Mundial morreu em 21 de maio, aos 95 anos

Jane Fawcett, a decodificadora de mensagens da II Guerra Mundial
Jane desvendou um código que ajudou a localizar o principal navio da frota alemã (Foto: Harlip)

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Jane Fawcett contou aos pais que estava trabalhando no Ministério das Relações Exteriores. É provável que os pais tenham pensado que tivesse sido contratada como datilógrafa, uma tarefa de um tédio mortal. Porém ela havia sido recrutada para trabalhar em Bletchley Park, uma instituição militar secreta, onde se realizavam os trabalhos de decodificação dos códigos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo o governo britânico, as classes mais altas da sociedade guardavam melhor os segredos. Mas para Jane isso era uma ideia estranha, porque em sua visão o país inteiro lutava por uma causa comum. Na verdade, poucas vezes pensava no mundo dos aristocratas, apesar de ser o seu mundo.

Com certeza foi um alívio quando o pai a tirou de seu primeiro local de trabalho, uma casa enfumaçada onde vivia a família de um motorista de caminhão. Jane não poderia morar nesse lugar, disse o pai. Ela mudou-se para Liscombe Park, uma casa de estilo elisabetano de um amigo da família, um local bem mais agradável de morar, embora as viagens pelas estradas rurais até Bletchley, a 80 km a norte de Londres, onde fazia seus turnos de trabalho à noite fossem extremamente cansativas. Bletchley Park, “um banheiro gótico” como mais tarde ela descreveu o lugar, era um centro de espionagem com uma vida social divertida; Jane dançou gigas no gramado e cantou madrigais. Esses momentos davam um breve descanso para os dias e noites exaustivos tentando descobrir os planos dos alemães.

Sua inimiga era a máquina de criptografia alemã Enigma, cuja configuração dos rotores mudava todos os dias para criptografar os códigos das comunicações militares nazistas. A Bombe, o equipamento eletromecânico usado em Bletchley Park para decodificar as mensagens secretas alemãs, estava sendo aperfeiçoada por um grupo de homens lacônicos e obsessivos. É claro que nunca lhe davam atenção. Mas as mulheres, que representavam dois terços da força de trabalho, eram tratadas como iguais em Bletchley. Elas também podiam conquistar suas vitórias e em 25 de maio de 1941 o sucesso coube a Jane.

O dia seguia sua rotina habitual. Quando um código da Enigma era decodificado, Jane, com seu conhecimento de alemão, traduzia o texto e verificava se o conteúdo tinha algum interesse. Em maio de 1941, eles estavam tentando descobrir o paradeiro do melhor navio de guerra alemão, o Bismarck, que havia destruído o navio HMS Hood e causado a morte de mais de 1.400 tripulantes.

Segundo informações, o navio ainda estava na costa da Noruega. Mas a mensagem decodificada escrita em uma tira de papel dizia que o Bismarck seguia para Brest. A mensagem foi enviada para Whitehall e as atenções se concentraram no que poderia acontecer em seguida. Essa mensagem foi de uma importância vital e o melhor navio de guerra de Hitler foi afundado pela Royal Navy. Depois Jane recebeu elogios entusiasmados na sala de jantar de Bletchley Park.

Mas seu sucesso se resumiu aos elogios dos colegas de trabalho. Ninguém fora do círculo fechado de Bletchley Park tinha conhecimento das atividades desenvolvidas no local; todos haviam jurado segredo para o resto da vida.

Por fim, o grande segredo foi desvendado, Bletchley Park se transformou em um museu e ela foi visitá-lo. Os gramados estavam bem cuidados demais, as luzes iluminavam mal o lugar e as mesas não balançavam mais. A limpeza asséptica dava ao prédio vitoriano uma aparência de aridez. Porém isso não a impediu de cumprimentar a duquesa de Cambridge e de conversar com as pessoas presentes sobre os melhores momentos de sua vida passados em Bletchley Park.

Fontes:
The Economist-The deb who sank the Bismarck

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