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OBITUÁRIO

Morre, aos 94 anos, Lee Iacocca, criador do Mustang

Executivo ganhou prestígio no século XX por dirigir, com brilhantismo, duas das três grandes montadoras dos EUA: a Ford e a Chrysler

Morre, aos 94 anos, Lee Iacocca, criador do Mustang
Iacocca chegou a ter seu nome cotado para a eleição presidencial de 1988 (Foto: National Archives US)

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O executivo Lee Iacocca, criador do Ford Mustang, morreu na última terça-feira, 2, aos 94 anos, vítima de complicações decorrentes do Mal de Parkinson. O executivo ganhou prestígio no século XX por dirigir, com brilhantismo, duas das três grandes montadoras dos Estados Unidos.

Além de presidir a Ford, Iacocca tem entre seus maiores feitos salvar a Chrysler de uma iminente falência na década de 1980. Além disso, foi o principal responsável pela criação do Ford Mustang e da minivan da Chrysler.

Através de um comunicado, assinado pelo presidente executivo da Ford, Bill Ford, a montadora lamentou a morte de Iacocca. “Lee Iacocca era realmente maior que a vida e deixou uma marca indelével na Ford, na indústria automobilística e em nosso país. Lee desempenhou um papel central na criação do Mustang. Em uma nota pessoal, eu sempre aprecio o quão encorajador ele foi para mim no início da minha carreira. Ele era único e fará uma grande falta”.

Nascido nos Estados Unidos, em 1924, o executivo era filho de imigrantes italianos. Seu pai era um vendedor de cachorro-quente. Seu nome de batismo era Lido Anthony Iacocca, modificado para “Lee” anos mais tarde. Iacocca deixa duas filhas e oito netos.

Iacocca entrou no mercado automobilístico em 1946, na Ford, montadora na qual permaneceu por 32 anos, alcançando os mais altos cargos. Foi demitido apenas em 1978, por Henry Ford II, neto do fundador da montadora, Henry Ford. Em sua autobiografia, lançada em 1984, que virou best-seller, Iacocca descreveu a sua demissão:

“Comecei minha vida como filho de imigrantes e trabalhei até a presidência da Ford Motor Company. […] Quando eu finalmente cheguei lá, eu estava no topo do mundo. Mas então o destino me disse: ‘Espere. Nós não terminamos com você. Agora você vai descobrir como é ser expulso do Monte Everest!”, escreveu o executivo.

Iacocca, porém, não permaneceu muito tempo desempregado. No mesmo ano de sua saída da Ford, o executivo foi contratado pela Chrysler. Em 1979, então, ascendeu ao cargo de CEO da montadora.

Em 1980, a Chrysler enfrentava um iminente cenário de falência. A montadora registrou, naquele ano, um prejuízo de US$ 1,7 bilhão. Com auxílio de um empréstimo de US$ 1,5 bilhão – que foi conquistado ao convencer o governo que a montadora era importante para a economia nacional -, Iacocca conseguiu reerguer a fábrica.

Então, o executivo se tornou o garoto-propaganda e a figura pública da Chrysler. Em 1984, o prejuízo de US$ 1,7 bilhão se tornou um lucro de US$ 2,4 bilhões. Três anos depois, em 1987, o lucro já girava em torno de US$ 26 bilhões. Quando chegou na montadora, seu salário foi de apenas US$ 1 no primeiro ano – um pagamento simbólico. Em 1987, se tornou o executivo com o maior vencimento do setor – quando considerado também o valor de ações -, com pagamento de US$ 18 milhões anuais.

O grande desempenho de Iacocca fez com que seu nome fosse cotado para a disputa presidencial de 1988, comprovando a grande confiança que os americanos tinham no executivo. Para o jornalista Doron P. Levin, que comandou o New York Times, Iacocca era um “Churchill da economia”.

Apesar de todo o sucesso na indústria automobilística dos Estados Unidos, Iacocca enfrentou o seu maior desafio no fim dos anos 1980, o qual não conseguiu vencer. A chegada de carros japoneses, como Toyota e Honda, ao território americano, somada à recessão econômica do país, fez com que a indústria americana enfrentasse grandes dificuldades. Na época, os cidadãos americanos eram atraídos pela inovação dos airbags, ofertados pelos veículos asiáticos.

O executivo ainda tentou garantir a alta lucratividade da Chrysler na época, mas abandonou a indústria em 1992, quando anunciou Robert J. Eaton como seu sucessor e se aposentou. Depois de se retirar do setor, Iacocca passou a investir em bicicletas elétricas, óleo de oliva e outros empreendimentos, além de promover pesquisas sobre diabetes.

Fontes:
The New York Times-Lee Iacocca, Visionary Automaker Who Led Both Ford and Chrysler, Is Dead at 94
CNN-Lee Iacocca, who helped create the Ford Mustang and then rescued Chrysler in the 1980s, has died

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