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Morre, aos 97 anos, o poeta Manoel de Barros

Há dois anos o poeta não conseguia mais ler nem escrever e havia dito à família que assim não valia a pena viver

Morre, aos 97 anos, o poeta Manoel de Barros
Manoel de Barros tratava sua maturidade como "segunda Infância" (Reprodução / Campo Grande News)

Morreu na manhã desta quinta-feira, 13, Manoel de Barros, um dos principais poetas brasileiros. Aos 97 anos, ele estava internado há duas semanas e passou por uma cirurgia intestinal neste período no Proncor, em Campo Grande, Mato Grosso. Segundo sua família, o poeta morreu de falência múltipla dos órgãos.

Manoel de Barros nasceu em 19 de dezembro de 1916, em Cuiabá, e sua poesia estava centrada na infância como um estado de espírito. Publicou 18 livros de poesia, além de livro  infantis. Estreou na prosa em 2003, com os relatos autobiográficos “Memórias Inventadas – A infância” e “Memórias Inventadas – A Segunda Infância”, que segundo ele estavam longe de ser um retrato fiel.

“Segunda Infância” é como Manoel de Barros trata sua maturidade e é recheado de temas vitais à existência, como a descoberta do amor, do sexo e, em seu caso, do comunismo. Aos 18 anos, vivendo em um pensionato no Rio de Janeiro, o escritor pichou “Viva o comunismo” em uma estátua e não foi preso pela intervenção da dona da pensão onde morava, que assegurou aos  policiais que Manoel de Barros era um bom menino e um excelente escritor, autor do livro “Nossa Senhora de Minha escuridão. O chefe da operação se sensibilizou e de decidiu não prendê-lo, mas resolveu ficar com o livro, que ainda não havia sido publicado. Dessa forma, o primeiro livro do autor, que não foi de poesias, não existe mais.

Em 1937, aos 19 anos, Manoel de Barros lançou seu primeiro livro de poesias, feito artesanalmente por amigos “Poemas Concebidos Sem Pecado”. Lançou ainda “Face Imóvel”, em 1942, “Compêndio para Uso dos Pássaros”, antes de voltar para o Mato Grosso, em 1960, onde viveu como criador de gado, sem nunca deixar de se dedicar à escrita.

Somente duas décadas depois, e com mais quatro livros publicados – “Gramática Esportiva”, 1966, “Matéria de Poesia”, 1974, “Arranjos para Assobia”, 1980, e “Livros de Pré-Coisas”, 1985, – é que Barros tornou-se conhecido no eixo Rio-São Paulo, após ser elogiado por Millör Fernandes. Em 1987 ganhou o prêmio Jabuti por “O Guardador de Águas” e em 2002, “O Fazedor de Amanhecer”, livro infanto-juvenil foi eleito a melhor obra de ficção de 2001.

Há dois anos, o poeta não conseguia mais ler nem escrever e havia dito à família que assim não valia a pena viver. Desde que seu filho Pedro o morreu, em 2013, o poeta se tornou recluso mantendo contato apenas com a família. Em 2005, outro filho de Manoel, João Wenceslau de Barros, morreu em um acidente de carro.

Fontes:
Campo Grande News - O coração de Manoel de Barros parou, depois de meses sem vontade de viver
Folha - Morre o poeta Manoel de Brros aos 97 anos
Estadão - Morre em Campo Grande Manoel de Barros

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