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Um conto de duas corridas

A boom do gás de xisto nos EUA e a corrida do ouro na Califórnia

Os trabalhadores em Williston hoje em dia levam uma vida mais fácil que os mineradores da Califórnia o fizeram na corrida do ouro

A boom do gás de xisto nos EUA e a corrida do ouro na Califórnia
Trabalhador caminha em área de exploração de gás em Williston (Reprodução/Spokesman)

O atual boom de gás de xisto dos EUA tem muito em comum com a corrida do ouro da Califórnia que começou em 1848, e pode se revelar tão importante quanto esta última. O fenômeno criou fluxos de riqueza em lugares remotos e convenceu homens jovens a se mudarem para cidades fronteiriças selvagens, tais como Williston, Dakota do Norte.

Os trabalhadores em Williston hoje em dia levam uma vida mais fácil que os mineradores da Califórnia o fizeram na corrida do ouro. Muitos petroleiros moram em “acampamentos masculinos” que se parecem com dormitórios universitários construídos às pressas. Trata-se de um lugar que oferece apenas o necessário para que homens que trabalharam durante longas horas possam dormir e comer. A comida, felizmente, é gratuita e ilimitada. A cozinha prepara grandes quantidades de carne e as divide em porções grandes o bastante para caberem em um prato.

A vida nos campos de ouro costumava ser violenta. Os mineradores bebiam, faziam apostas e brigavam. Ladrões e vadios se aproveitavam dos fracos e desatentos e a justiça era bruta. Williston também desenvolveu uma reputação de dureza. “A quantidade de roubos que ocorre aqui é inacreditável”, afirma um detetive privado contratado por uma seguradora para investigar o desaparecimento do equivalente a 15 caminhões com petróleo. “Muitas pessoas estão tentando tirar um pedaço do que está sendo gerado sem trabalhar”. E, com tão poucas mulheres nos arredores, muitos homens estão frustrados.

Na Califórnia, durante a corrida do ouro, muitos homens só conseguiam encontrar companhia feminina se pagassem por ela. O mesmo ocorre hoje em dia em Williston, mas é provável que a maior parte dos encontros seja organizada on-line, uma vez que os petroleiros têm smartphones.

Depois da enchente

A corrida do ouro de 1848-55 não apenas transformou a vida daqueles que encontraram fortunas sob a terra (e aqueles que fracassaram tentando); ela também mudou os EUA. O fenômeno povoou rapidamente o novo território da Califórnia, o qual os EUA haviam acabado de se apropriar do México, e acelerou o processo de estabelecimento de um estado. Ele também engendrou a construção de ferrovias que ligavam os estados estabelecidos da costa leste ao faroeste. O seu legado inclui São Francisco e a crescente colônia chinesa nos EUA (a qual disparou durante a corrida do ouro à medida que diversos barcos de imigrantes chineses chegavam à costa).

O boom do fraturamento pode vir a ser tão importante quanto a corrida do ouro. Graças a ele os EUA estão prestes a se tornar o maior produtor mundial de petróleo e gás, ultrapassando a Rússia e a Arábia Saudita. Tal atividade pode acrescentar até US$ 700 bilhões à economia até 2020 (cerca de 4% do PIB), estima a consultoria McKinsey. Até lá o setor terá criado 1,7 milhão de empregos, muito mais do número gerado pelo setor automobilístico. A súbita abundância de gás natural reduziu drasticamente as contas de energia dos EUA e ao mesmo tempo reduziu as emissões de gases causadores do efeito estufa, uma vez que o gás é menos poluente que o carvão.

Fontes:
The Economist-There’s gold in them there wells

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2 Opiniões

  1. Roberto1776 disse:

    Isso acontecerá se o Greenpeace não convocar a ativista porto alegrense recém liberada da cadeia, na Rússia, devidamente encarcerada por vandalismo, e que agora é figura de destaque em Porto Alegre.
    Esse pessoal verde não quer saber de exploração de petróleo, apesar de se deslocar em barcos movidos a óleo e jatos movidos a querosene. Se ficassem em casa trabalhando em coisas úteis não gastariam tanto petróleo com seus deslocamentos desnecessário, mundo afora.

  2. André Luiz D. Queiroz disse:

    @Roberto1776,
    Entendo que o ativismo do Greenpeace e outras ONGs assemelhadas possa ser destrambelhado, às vezes. Mas a militância deles é baseada não em uma ideologia utópica, mas no fato concreto de que a preservação ambiental é necessária para mantermos as condições de habitabilidade do planeta! Não se trata só de querer proteger da extinção essa ou aquela espécie animal ou vegetal, trata-se de (ao menos tentar!) evitar alterações ambientais que põem em risco a sobrevivência da espécie humana!

    Eu penso assim!

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