Início » Internacional » A ‘escolha médica’ de Angelina Jolie
Dupla mastectomia preventiva

A ‘escolha médica’ de Angelina Jolie

Em artigo para o 'New York Times', atriz revela que passou por uma dupla mastectomia preventiva, uma cirurgia para retirada dos seios

A ‘escolha médica’ de Angelina Jolie
Atriz participou da cúpula do G8 em 11 de abril de 2013, antes de concluir a dupla mastectomia (Reprodução/AFP)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama e dos ovários podem considerar a mastectomia preventiva como forma de diminuir esse risco. Foi o que fez a atriz Angelina Jolie, como revelou em artigo publicado no New York Times nesta terça-feira, 14. Angelina conta que optou pela dupla mastectomia preventiva (retirada de ambos os seios) depois de descobrir, através de uma série de testes diagnósticos (que custam mais de US$ 3 mil dólares nos EUA, “um obstáculo para muitas mulheres”, ela reconhece), que era portadora de um gene “defeituoso”, o BRCA1. Somado a um histórico familiar com alta incidência da doença (a mãe morreu de um câncer fulminante aos 56 anos), médicos disseram que Angelina tinha 87% de chances de ter câncer de mama e 50% dos ovários.

Foi uma atitude admirável e corajosa a da atriz, considerada um dos maiores símbolos sexuais de Hollywood, de vir a público com sua polêmica escolha médica. Polêmica porque Angelina retirou seios absolutamente saudáveis, que para ela deveriam parecer duas bombas-relógio. No artigo, a atriz revela seus motivos: “A minha mãe lutou contra o câncer durante quase uma década e morreu aos 56” e “Posso dizer a meus filhos que eles não precisam ter medo de me perder para o câncer de mama”. Ela não tenta maquiar a complexidade do procedimento. Fala com lucidez das várias cirurgias por que passou, admitindo que sentiu dores e teve hematomas ao longo do processo e que a maior das intervenções lhe pareceu uma “cena saída de um filme de ficção científica”.

Exemplo a ser seguido?

A atriz explica que resolveu tornar pública sua decisão na esperança de conscientizar outras mulheres sobre alternativas preventivas, fazendo com que se beneficiem da sua experiência. O que ela quer não é que todas as mulheres com risco de câncer se submetam ao procedimento, mas que façam o teste diagnóstico (US$ 3 mil nos EUA). Longe de querer ser pivô de um efeito dominó, desencadeando milhares de mastectomias preventivas pelo mundo, ela quis apenas destacar que hoje é possível tomar as rédeas e fazer escolhas informadas: “Câncer é ainda uma palavra que planta medo no coração das pessoas, produzindo uma profunda sensação de impotência. Mas hoje é possível descobrir, através de uma análise de sangue, se somos altamente susceptíveis ao câncer da mama e dos ovários e então tomar uma atitude.”

O que Angelina não enfatiza é a importância de que toda a mulher considerando a mastectomia preventiva converse com um médico sobre o seu fator de risco específico (com ou sem a mastectomia), o procedimento cirúrgico e possíveis complicações (sangramentos, infecções, depressão etc). O procedimento certamente não é recomendado em todos os casos. Para retirar ovários, por exemplo, os médicos recomendam que a mulher tenha pelo menos mais de 40 anos. Muitas também preferem não saber as suas chances de desenvolver o câncer ou achariam desnecessário retirar partes da anatomia feminina antes do aparecimento da doença.

“Não me sinto menos mulher”, escreveu Angelina, antecipando eventuais perguntas daqueles (tantos!) que a veem como símbolo sexual.  “Sinto-me mais poderosa porque fui capaz de fazer uma escolha forte que de forma alguma diminui a minha feminilidade.” Angelina mostrou mais uma vez ser uma mulher corajosa.  Sua decisão de tornar pública uma escolha médica profundamente pessoal foi ousada e admirável.  É para isso que serve o status de celebridade. Talvez ela nunca tenha merecido tantos aplausos como agora.

 

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

6 Opiniões

  1. evelyn sá disse:

    Estou boquiaberta.

    Que coragem dessa mulher!

    Tanto pelo aspecto fisico-psiquico, quanto pela coragem em tornar pública sua atitude, compartilhando todo o processo.
    Ainda mais sendo a figura “mitológica” que ela é, e casada com um dos maiores simbolos masculinos de hollywood dos ultimos tempos.

    É coragem em dose tripla!!!!

  2. Áureo Ramos de Souza disse:

    Se eu pudesse daqui Angelina ver minhas mãos batendo palma, que coragem e determinação, não só por ser uma celebridade mais para mostrar a outras mulheres que o bom é viver e um membro retirado não irá retirar sua feminilidade. Eu adoro os filmes que assisto com Angelina e agora irei assistir muito mais e com muitas palmas.

  3. Roberta Elke disse:

    Não sei se teria a mesma coragem, mas sei que me tornei mais fã dessa mulher que já admirava por conta de seu trabalho forte contra a fome. Vida longa e saudável a ela e sua família.

  4. helo disse:

    A declaração de Angelina, mito da feminilidade, ajudará muitas mulheres encaminhadas à mastectomia, e dará um estímulo para que se faça a mamografia, responsável pelo tratamento precoce e cura do câncer. Grande contribuição.

  5. PENSADOR disse:

    DEPOIS DESTA SÓ FALTA QUEM PROPONHA PROTECTOMIA PREVENTIVA PARA EVITAR O CÂNCER DE PRÓSTATA QUEM SE CANDIDATA?

  6. Dalva disse:

    Angelina está certíssima.Se fosse comigo e eu tivesse a oportunidade de descobrir que poderia desenvolver a doença, faria o mesmo que ela.
    Se todas as mulheres tivessem acesso a um exame como esse e pelo SUS, com certeza poderia evitar muitas mortes precoces, afinal no Brasil,a saúde é uma calamidade pública, infelizmente muitas pessoas morrem na esperança de um tratamento digno. Vamos sonhar que em um futuro bem próximo, as mulheres possam contar com esse apoio para livrá-las dessa maldita doença .

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *