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Caso de polícia

A volta do nosso Delúbio

Representantes do PT articulam a ressurreição de Delúbio Soares, uma das estrelas do mensalão. Por Guilherme Fiuza

A volta do nosso Delúbio
Delúbio Soares foi apontado como um dos vértices da quadrilha que ordenhou o Estado em prol do PT

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Nelson Rodrigues dizia, com calculado cinismo, que a única possibilidade real de consciência é o medo da polícia. O grande dramaturgo não viveu para ver o dia em que nem o medo da polícia serviria como fronteira ética. À luz do dia, representantes da casta sindical que governa o Brasil informam que não têm medo de nada. Nem mesmo de articular a ressurreição de Delúbio Soares, uma das estrelas do mensalão – o episódio que, em dimensões inéditas, transformou a política em caso de polícia.

O cinismo de Nelson é brincadeira de criança perto da evolução moral do PT. O partido, que completará 12 anos no poder – envelhecido no puro malte de Brasília –, já trabalha para estender esse reinado para 16 anos, aproximando-se do recorde da era Vargas. Nessa marcha firme, vai-se impondo o seguinte princípio ético: o que a opinião pública engolir, está valendo.

Não foi à toa que Luiz Inácio da Silva se despediu da Presidência avisando que iria desmontar “a farsa do mensalão”. Em tese, o filho do Brasil não precisaria, do alto de sua popularidade sobre-humana, gastar um minuto com o capítulo negro do valerioduto. O povo já lhe dera o habeas corpus vitalício. Mas apagar a existência do mensalão é importante a médio prazo. A companheirada vai precisar de uma ficha mais ou menos limpa para levar a revolução dos cargos ao quarto mandato seguido – sem que a opinião pública desperte de sua soneca cívica.

Até aqui, tudo bem. O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), líder do governo na Câmara, defendeu a reintegração do ex-tesoureiro Delúbio ao Partido dos Trabalhadores. Vamos repetir baixinho, para não perturbar o sono dos brasileiros: não foi um militante petista que disse isso em “off”. Foi o líder do governo, de cara limpa (até onde isso é possível), quem declarou publicamente que o lendário Delúbio, apontado pelo Ministério Público como um dos vértices da quadrilha que ordenhou o Estado em prol do PT, merece uma nova encarnação no partido.

“Nenhuma pena é eterna”, disse Vaccarezza. Pode-se questionar o teor filosófico da afirmação, mas pelo menos uma certeza cristalina ela traz: o pessoal perdeu completamente o medo da polícia.

É compreensível. Dos 40 indiciados por aquela fantástica operação de empréstimos fictícios, que faziam dinheiro público brotar na boca do caixa privado para os parlamentares fiéis, ninguém foi punido pela Justiça. Nem será. Passados mais de cinco anos, o escândalo já foi mais que engolido pela opinião pública. Ao lado dela, o Supremo Tribunal Federal aninhou-se na mesma soneca, para não fazer barulho no momento em que a candidata de José Dirceu chegava para a troca de guarda no palácio.

Com Dilma lá, o medo da polícia sumiu de vez. E o líder Vaccarezza pôde soltar seu brado definitivo sobre os mensaleiros: “Todos eles já pagaram um preço maior do que seus pecados”.

Quem imaginar que uma declaração dessas é a apoteose da cara de pau está redondamente enganado. A coisa é científica. O líder petista joga o disparate no ar para sondar o terreno. Não havendo reações significativas, ele fotografa o sismógrafo parado no zero e emite o sinal para os companheiros: todo mundo dormindo, caminho livre.

A ressurreição do “nosso Delúbio” (como dizia Luiz Inácio) é só um detalhe do projeto. O abraço apertado de Erenice Guerra na presidenta, em plena posse, foi parte da mesma experiência científica altamente bem-sucedida. O laudo é conclusivo: o povo não está nem aí para o tráfico de influência. E lá vem mais um teste de laboratório ao vivo: José Sarney, flagrado com o filho e o também lendário Agaciel Maia usando o parlamento para empregar seus simpatizantes, já foi lançado para presidir novamente o Senado.

Tudo normal. Na ausência de Nelson Rodrigues e da polícia, não há mesmo mais nada a temer.

Fontes:
Instituto Millenium - A volta do nosso Delúbio

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5 Opiniões

  1. viko967@hotmail.com disse:

    … e assim será para todo o sempre!
    É impossível engolir Delúbio, Valério, Dantas, Palloci, Dirceu, Erenice, Sarney, Genoíno, Maluf, Collor, Jefferson, os 7 Anões, e todos os personagens desta história macabra que subiram na ribalta da libertinagem palaciana. Não existe governo! Existe , sim, um bando fantasiado de político e protegido pelo STF, capaz de ludibriar toda uma nação imensamente rica mas que esmorece nas mãos destes coronéis e jagunços do século XXI. Por essas e outras é que não consigo tragar política, muito menos a brasileira! Prova disso é o disparate da diplomação do palhaço Tiririca! Não por ser um palhaço, mas pelo vácuo que existe em sua cabeça. Isso mostra a maturidade de uma sociedade que pouco se importa com o seu futuro. Prova também que o Congresso é um Picadeiro, aquele lugar onde o odor é de fezes de cavalo, elefante, porco e jumento. Mostra a seriedade da política brasileira, quando o tal palhaço (que só faz rir quem é idiota) foi o mais votado deste último pleito. E, ainda querem que eu seja patriota? Querem que eu beije o Pavilhão Nacional se a prória Presidente o ignora? Sou brasileiro por que nasci neste lugar, mas de coração já me exilei em uma mata virgem, onde lá a política é a da lei do mais forte, a da sobrevivência. A política do “mais esperto” eu quero distância!
    Não é de hoje que a polícia não mete medo nos políticos! Em meados da década de 70 eu já escutava causos sobre as artimanhas de Paulo Maluf. Foi preso por alguns dias só para constar nos autos. E, hoje Brasília está dominada! Quem ousar contra eles será sumariamente “limado”, como aconteceu com o coitado do Francenildo. E, seus algozes continuam na ribalta do poder!
    Quem sabe um dia…

  2. viko967@hotmail.com disse:

    Sou ANARQUISTA! Desarmado e Perigoso!

  3. João Cirino Gomes disse:

    Tá até parecendo chiclete! Quero ver se nós estivéssemos em um país sério! Eu veria muitos bandidos presos devolvendo o que surrupiaram dos cofres públicos! Ai as as cadeias estariam vazias, pois haveria uma distribuição de renda mais justa, sobraria dinheiro para a educação, para a saúde, para investir em segurança e casas populares!
    Desta maneira, os marginalizados que superlotam as cadeias por serem vitimas deste sistema imundo, não estariam presos, pois teriam a opção de trabalhar por salários justos, e uma vida digna! Isso seria justiça social e um justa distribuição de renda!

    Mas quando teremos isso?
    Que vcs acham que farão as raposas que sempre foram noticias, por estarem envolvidos em desvios superfaturamente e corrupção?

    Elas estão interessadas em cuidar das galinhas dos ovos de ouro? rsrsrs
    Povo simplório!

    A intenção das raposas é esta, mantê-los dependentes, em currais eleitorais!
    Se passando por salvadores da pátria bonzinhos, mas os sustentando, com o dinheiro que surrupiam dos velhinhos!

  4. Helio disse:

    O PT, Lula, Genoino, devem muito a Delúbio que assumiu sozinho o crime com o dinheiro público. Delúbio volta como herói, depois que seu advogado foi devidamente pago.
    Esta cara de pau dessa turma não entrará para o esquecimento. Ficará na história negra do país.

  5. Fritz d'Orey disse:

    Nosso de quem, cara pálida?

    Tenho 5 filhos e me desespero pelo exemplo que recebem diariamente dessa gente.

    Tento contrabalançar dando-lhes um bom exemplo e tentando explicar o que se passa com essa canalha petelha e colegas. Meus filhos estão revoltados e não conseguem entender como esses “picaretas” fazem o que fazem impunimente.

    S O C O R R O !!!!

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