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Festival do Rio

Acesso à Zona de Risco

Documentário explora os desafios de ONGs como o Médicos Sem Fronteiras e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha em zonas de conflito no Afeganistão, Somália e República Democrática do Congo

Acesso à Zona de Risco
Em um tempo em que se debate o papel do médico na sociedade, Acesso à Zona de Risco merece ser visto e discutido com atenção (Reprodução/Internet)

Este ano o Festival de Cinema do Rio vem chamando atenção pelo grande número de documentários que abordam questões políticas e de direitos humanos, entre os quais se destaca Acesso à Zona de Risco.

Dirigido pelos belgas Peter Casaer e Eddie Gregoor, e narrado pelo ator Daniel Day Lewis, Acesso à Zona de Risco mostra a árdua atuação de ONG’s de ajuda humanitária em zonas de conflito. O documentário foi filmado entre 2011 e 2012 e explora os desafios das equipes no Afeganistão, Somália e República Democrática do Congo. Duas ONG’s formam a espinha dorsal do documentário: Médicos sem Fronteiras (MSF) e Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Logo nas primeiras cenas percebe-se que o documentário é o que chamam de “choque de realidade”. Muito além de teorias e estatísticas, cenas e depoimentos mostram o dia-a-dia das equipes. As imagens são fortes, com pessoas doentes, baleadas ou feridas por minas terrestres sendo operadas em salas com estrutura precária. É possível notar que os recursos escassos levam os médicos a improvisar, usando canos como barra de equilíbrio para fisioterapia, por exemplo.

Embora alguns feridos façam parte de grupos rebeldes, a maioria é composta por civis, alvejados em meio a um conflito armado de interesses do qual não fazem parte.

Um dos principais temas abordado no documentário é a neutralidade das organizações. As equipes precisam negociar com os dois lados do conflito para ter acesso à zona de confronto. A operação é arriscada, pois as ONG’s são confundidas com organizações privadas ou militares que oferecem ajuda humanitária em troca de informações. De acordo com o documentário, uma das organizações que utiliza essa estratégia é a ONU, com seus Capacetes Azuis (como são chamados os soldados deslocados à zonas de conflito para estabelecer a paz).

Por conta dessa relação promíscua, por vezes ocorrem assassinatos e sequestros de médicos por grupos rebeldes e milícias. As ONG’s são vistas por esses grupos como um instrumento militar disfarçado, o que dificulta o trabalho das equipes e acabou levando o MSF a suspender suas operações na Somália, por exemplo.

O documentário mostra uma realidade por vezes ignorada e leva o espectador a questionar se os argumentos utilizados para a guerra valem o preço pago por milhões de pessoas cujas vidas foram despedaçadas. No momento em que se debate o papel do médico na sociedade, Acesso à Zona de Risco merece ser visto e discutido com atenção.

No Rio de Janeiro, MSF sedia exposição no Parque Lage

Para mostrar um pouco do trabalho prestado pela organização Médicos Sem Fronteiras, a ONG recriou no Parque Lage, Rio de Janeiro, um pequeno campo de refugiados. Lá é possível fazer um tour por tendas similares às encontradas nos campos. Ao entrar, os visitantes são orientados a esquecer a própria identidade por alguns instantes e adotar uma nova. A pessoa recebe um cartão com o nome e a história real de um refugiado e segue todos os passos de alguém que acaba de entrar em um campo de refugiados.

Cada tenda tem uma função específica e um profissional especializado em alguma área de saúde. As equipes explicam como funcionam cada setor e os visitantes podem fazer perguntas. Questionada sobre o número de desistência dos médicos diante da dificuldade do trabalho, uma das médicas da equipe deu uma resposta que resume a essência da organização. “O número de desistência é muito baixo. Perdemos muitas vidas, mas quando uma é salva faz todo o processo valer a pena”.

A exposição interativa ocorre até o dia 13 de outubro, no Platô da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, na Rua Jardim Botânico, 414, Jardim Botânico. O horário é das 9h às 16h e a entrada é gratuita.

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