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A ascensão e queda do império greco-romano

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A cultura tradicional do Ocidente perpetua o mito de uma distinção, ou mesmo de oposição, entre Grécia e Roma. Mas o renomado historiador e professor emérito do Collège de France, Paul Veyne, mostra neste excelente O império greco-romano, que a cultura material e moral de Roma foi um processo de assimilação da civilização helênica. A Gália romana era repleta de monumentos em estilo coríntio, nas escolas ensinava-se retórica e filosofia, e os romanos helenizados helenizaram em latim o Ocidente que conquistaram durante os dois últimos séculos antes de nossa era.

Era um império bilíngue, no qual em sua metade ocidental o idioma vernáculo era o latim, e na região do Mediterrâneo oriental e Oriente Próximo falava-se grego. A cultura era helênica e o poder romano. Nesse processo, contudo, de assimilação e aculturação os romanos consideravam-se tão romanos como sempre foram e os gregos tinham uma postura contraditória: “era possível, ao mesmo tempo, desprezar Roma, orgulhar-se de ser grego e apoiar a ordem imperial. Ser xenófobo, helênico, patriota e colaborador”, como descreve admiravelmente Paul Veyne no capítulo “A identidade grega contra e a favor de Roma: “colaboração” e vocação superior”.

Nele vemos, por exemplo, o discurso do orador e filósofo Dio de Prusa ao povo de Rodes por volta do ano 100 d.C. Ele exorta o ressurgimento da grandeza da Hélade diante da lassidão do povo grego conquistado pelos romanos. O discurso não incita a ação, mas revela o sentimento de hostilidade em relação aos senhores estrangeiros.

Em todo o mundo grego documentos, decretos, tratados etc. exaltam a “amizade dos romanos”. Porém, às vezes, um documento rompe esse discurso deixando transparecer, com um tom lúcido e amargo, como os gregos comentavam entre si a tirania exercida por Roma. O autor conclui que em território grego, os romanos eram tolerados, obedecidos e aceitos, mas era uma nação estrangeira e jamais os romanos teriam o amor dos gregos.

Este livro narra a trajetória do império greco-romano e aborda tópicos como o fausto monárquico, os césares loucos, a religiosidade, a finalidade da arte, culto, piedade e moral no paganismo greco-romano, entre outros, que oferecem uma visão de conjunto desse grandioso império.

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5 Opiniões

  1. MARKUT disse:

    Seria interessante comparar com outras dominações, em que, tambem ,a relação amor e ódio ,entre colonizado e colonizador, refletiu no avanço da história dos povos.

  2. carlos couto disse:

    é muito bom este tipo de estudo, pois podemos ver no passado o reflexo do que acontece hoje.

  3. ruthinha disse:

    Deve ser um livro muito interessante. mas no meu antigo colégio sempre aprendemos sobre a assimilação da cultura helênica pelos romanos. A cadeira tinha o nome: civilização greco-romana.

  4. Joao Fonseca disse:

    boa tarde,
    onde eu consigo encontrar esse livro: A ascensão e queda do império greco-romano
    de há muito venho procurando e não encontro em lugar algum.

  5. maria tereza ribeiro disse:

    gostaria de saber o seguinte:
    sempre ouvi dizer que uma das causas da queda dos imperios grego e romano foram a sede pelo poder, arrogancia dos imperadores, mortes por motivos fúteis, mártires cristaos e tambem o sexo como orgia, bacanais. qual a relação entre poder e o sexo exarcerbado que havia como culto aos deuses?aguardo resposta por email.
    grata. maria tereza -bh-mg

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