Início » Opinião » Artigos » A economia, lá e cá
Artigos

A economia, lá e cá

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Dois desenvolvimentos no dia de ontem: o presidente do banco central americano fez um pronunciamento que, de certa forma, tranqüiliza o mercado mundial, opinando que a inflação está relativamente controlada e que o crescimento da economia americana não está em ritmo alto e preocupante. O discurso de Ben Bernanke fez a bolsa de NY subir 2% e a de São Paulo 4,7%.

Aqui no Brasil, o COPOM reduziu a taxa de juros básica da economia em 0,5%, para 14,75%, movimento esperado em função da baixa estimativa de inflação, quase em patamares de primeiro mundo (cerca de 3 a 4% ao ano); como o COPOM vai prosseguir nos próximos meses, ainda é uma incógnita.

Enquanto que o COPOM foi sucinto em seu comunicado, o banco central americano apresentou as seguintes informações, que justificaram a reação positiva dos mercados:

1. A economia americana continua em expansão, num ritmo anual de 5,6%; a tendência é de que a expansão em 2006 será reduzida para até 3,3% e depois para 3% em 2007.

2. Registra-se uma desaceleração no ritmo de crescimento, especialmente no mercado imobiliário, que é um dos motores da economia, pelo efeito multiplicador em outros mercados que fornecem para esta indústria.

3. Permanece estável o nível de desemprego em 4,6%, nível historicamente baixo; a expectativa é de que o indicador permaneça neste patamar em 2006 e 2007.

4. A inflação está registrando um ritmo mais alto do que o esperado, em função do preço do petróleo e das commodities em geral; o índice geral de preços ao consumidor é de 4,3% ao ano. A previsão é que 2006 registre 2,3 % a 2,5%, caindo ainda mais para cerca de 2% em 2007.

5. O crescimento econômico está ocorrendo de forma não homogênea nos diversos setores: o consumo das famílias vem decrescendo e o investimento das empresas em novos ativos está em expansão. Em geral, as empresas têm mostrado excelentes condições financeiras e a oferta de crédito é grande.

6. Em termos mundiais, o crescimento continua forte, o que é positivo para a economia americana, que se vê assim estimulada na exportação de mercadorias e serviços.

O que distingue o Brasil deste cenário, entretanto, é que países como EUA, Japão, Suíça, entre outros, tem uma longa tradição de inflação baixa com pequenas oscilações, enquanto que o Brasil ainda não fez esta história, daí ainda prevalecer certa insegurança.
Assim, parece que falta experiência que justificasse uma queda mais prolongada da taxa de juros locais ao longo de 2006; não se deve, portanto, esperar para breve novas quedas acentuadas, ainda que levando em conta a boa perspectiva para o mercado externo.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Petronio Flores disse:

    O Lula e o H Meirelles garantem que a taxa vai cair até o final do ano; mas se a taxa americana subir um pouco mais, nós precisaremos segurar a nossa para não haver distorções: somos dependentes deles. O povão ainda acha que o dólar sobe ou cai aqui no Brasil; o real é que aprecia ou deprecia de modo geral, o Bush não tem nada com isso…

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *