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A mortadela e o PT

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Adeus mortadela querida! Com a tentativa da Sadia de comprar a Perdigão, vamos ter praticamente uma empresa monopolista no ramo dos presuntos, mortadelas, frangos e outras proteínas.

Péssima notícia para o consumidor, pois os benefícios da economia de escala ficarão concentrados na Sadia, que não deve repassar para os consumidores, de modo que teremos mais preços altos para estes produtos.

Como pode se defender o consumidor? O CADE-Conselho Administrativo da Defesa Econômica terá de aprovar esta incorporação, tendo em vista a concentração de mercado que advirá da fusão. O CADE faz parte do sistema de defesa da concorrência, que é a polícia a favor do consumidor e das empresas que concorrem no mesmo mercado.

No processo da incorporação da Antarctica pela Brahma, houve aprovação pelo CADE, que era controlado indiretamente pelo presidente FHC, que fazia as indicações dos conselheiros; a aprovação da fusão Antarctica-Brahma foi um escândalo acadêmico, totalmente fora de qualquer padrão de avaliação na teoria econômica. Adivinhem qual empresa era uma das maiores contribuintes de campanha do então presidente?

O argumento usado pela Brahma para se defender no CADE era a necessidade de se constituir uma multinacional verde-amarela, para a exportação ser incentivada; balela, conversa para boi dormir, pois a cerveja é 94% água e é pesada e não se exporta. Comprovação rápida: a Brahma ganhou escala com a compra da Antártica, quase nada foi exportado e o grupo foi vendido para a Interbrew belga, poucos anos depois; nosso consumidor verde amarelo ficou vermelho de raiva com a cerveja cara…

No caso Sadia-Perdigão, a idéia de defesa perante o CADE é a mesma, criar uma empresa forte. Ocorre que o maior acionista da Sadia é o Ministro do Desenvolvimento Econômico e já prometeu a Lula ficar no governo até o fim, apesar de todos os pesares dos escândalos, valeriodutos, mensaleiros etc, com os quais felizmente parece que o Ministro não tem ligação. O Presidente Lula, entretanto, indica os conselheiros do CADE e o processo da Sadia precisa ser aprovado até outubro. Pergunta ao leitor sagaz: qual empresa irá fazer uma contribuição polpuda para a reeleição? Adeus, sanduíche de mortadela com cerveja!

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5 Opiniões

  1. Da redação disse:

    Temos grande prazer em contar com a colaboração do brilhante economista Agenor Fagundes, tanto que publicamos este artigo mesmo discordando dele. *** Na nossa opinião no caso Ambev utilizou-se uma mentira, a criação de “uma multinacional verde-amarela”, para aprovar a fusão. Criou-se um quase monopólio com cerca de 70% do mercado interno. E como diz Fagundes, que não exporta nada ou quase nada. *** Já no caso Sadia/Perdigão a concentração no mercado interno será de apenas 25%. E elas são grandes exportadoras, provavelmente juntas a maior do mundo. Neste caso a “multinacional verde-amarela” seria uma verdade. Esperemos que o CADE não rejeite este caso para pagar o pecado do erro na Ambev.

  2. Nicanor Duarte disse:

    25% já é um oligopólio capaz de controlar o mercado se os demais forem pequenos e se não tiverem boa marca; os supermercados já reclamaram contra a fusão, está nos jornais.

  3. JARBAS disse:

    Como o PT critica tudo que foi feito na época FHC, mas repete, com certeza acontecerá agora com aprovação da fusão SADIA/PERDIGÃO. O PT criticou a fusão que originou a AMBEV, porém seguirá o mesmo caminho agora.

  4. Anônimo disse:

    Com certeza será mais uma grande empresa que o Brasil vai estar perdendo para outro país. Já existiam empresas interessadas na Perdigão, fora do pais, o que vai impedir que elas comprem agora em vez de uma, as duas de uma vez. O Brasil nao tem capacidade de manter empresas desse porte.

  5. Roberto Cavalheiro disse:

    Cria-se dificuldades para vender facilidade e a corrupção campeia no país da língua presa.

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