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As razões do Copom

25/10/2007 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A

Com a publicação hoje da ata da reunião do Copom realizada na semana passada, ficou claro porque o Comitê decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 11,25% ao ano. O resumo seguinte mostra as tendências registradas que levaram a esta decisão e constitui um retrato importante da economia neste momento.

Inflação crescente

Em doze meses, até setembro de 2007, pelo IPCA, a inflação atingiu 4,2%, patamar superior àquele registrado no ano passado (3,7%). O perigo é que a aceleração do nível de preços ao consumidor reflete o comportamento dos preços livres, que, em 2007, vêm subindo mais rapidamente do que os preços administrados (aqueles ligados às tarifas controladas pelo governo). Os preços livres e os administrados registraram, aumentos de 5,1% e 2,1% no acumulado de doze meses. A tendência é confirmada pelos índices da FGV: em doze meses até setembro, a inflação medida pelo IGP-DI situou-se em 6,2%, ante 3,2% em 2006.

Crescimento industrial elevado

O crescimento acumulado no ano, até agosto, atingiu 5,3% e, em doze meses, 4,5%, mostrando aceleração na margem.

Mercado de trabalho ativo

O mercado de trabalho continua apresentando desempenho favorável. A taxa de desemprego situou-se em 9,5% em agosto (o dado de setembro foi divulgado hoje e caiu para 9,0%). A taxa média de desemprego nos oito primeiros meses de 2007 situou-se 0,5 % abaixo da observada no mesmo período do ano anterior. Em conseqüência, a massa salarial real aumentou 6,8% nos primeiros oito meses do ano, frente ao mesmo período de 2006, constituindo-se em um dos fatores-chave para o crescimento sustentado da demanda agregada.

Evolução favorável do comércio

Em linha com a evolução positiva do mercado de trabalho, e com a expansão do crédito, o comércio varejista continua registrando desempenho favorável, indicando que o ritmo de crescimento da demanda doméstica se mantém robusto. Nos primeiros sete meses do ano, a expansão das vendas atingiu 9,7%, ante mesmo período do ano anterior, e em doze meses, 8,7%.

Perspectivas positivas para os próximos trimestres

As perspectivas são de fortalecimento das atividades de comércio varejista, que continuarão a ser impulsionadas, essencialmente, pela expansão da massa salarial real e do crédito, aliada à própria recuperação da confiança do consumidor, que, até o momento, não parece ter sido abalada pelo aumento da volatilidade nos mercados financeiros.

Nível de máximo de utilização da capacidade instalada

O nível de utilização da capacidade instalada na indústria de transformação alcançou 84% em agosto, atingindo o patamar histórico máximo da série. O aumento do nível de utilização da capacidade instalada reflete, inequivocamente, a aceleração da atividade econômica, manifesta-se em diversos setores e ocorre a despeito do expressivo aumento do volume de investimentos.

Conclusões e decisão de manter a taxa em 11,25%

A economia brasileira não parece ter sido impactada de forma significativa pela turbulência internacional recente, e deverá continuar em sua trajetória de crescimento, sustentado essencialmente pela demanda doméstica, ao longo dos próximos trimestres. Nesse contexto, diante do ritmo de crescimento prospectivo da oferta e demanda agregadas, o Copom resolveu fazer uma pausa no processo de flexibilização da política monetária.

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Atualizado 02/09/2010 15h45