A corrida é cada vez mais popular e surge como opção para fazer amizades, praticar exercícios e aumentar a qualidade de vida
A predominância de grupos estrangeiros reflete que o Brasil recebeu cerca de US$ 3,1 bilhões de investimentos na indústria do etanol
Confira o calendário divulgado pelo Ministério da Saúde
A democracia brasileira não é, ainda, muito digna do nome, quando o eleitorado olha o panorama à sua volta
Saiba quais exames as mulheres devem fazer e os cuidados importantes para manter a saúde
O Próxima Parada do Opinião e Notícia segue para Natal, no Rio Grande do Norte, e conta com a participação dos leitores.
Nossa coluna semanal de críticas (construtivas) à imprensa
Leia a carta escolhida na semana pelo Opinião e Notícia
Primeiro artigo da série sobre o curso A arte do Design - Art Nouveau e Bauhaus, da Casa do Saber Rio
Confira a crítica semanal de cinema de Francisco Taunay
Nos desastres do Haiti e do Chile, o presidente se manteve à disposição para reerguer os países diante das tragédias naturais
No intervalo da novela, uma loura linda e esquálida mostra as pernas num comercial de cerveja.
Ler Euclides da Cunha pode ser uma punição, ou um prazer. Pelo menos é o que afirma Nísia Trindade, autora de Um Sertão Chamado Brasil. Nesta segunda-feira, 17, a pesquisadora esteve na Livraria da Travessa para lembrar os cem anos da morte do escritor.
Embora Nísia tenha se iniciado na leitura do autor por acaso, a maior parte dos leitores começam por obrigação acadêmica ou escolar, uma punição, de acordo com ela. E, quando leem, não entendem — como foi o caso de Aleilton Fonseca, autor de O pêndulo de Euclides, e Leopoldo Bernucci, autor de uma versão comentada de Os Sertões, que estavam presentes para discutir junto com Nísia a vida e obra do escritor.
“Da primeira vez em que li, tinha 14 anos. Não compreendi absolutamente nada”, afirma Leopoldo. O autor só voltaria a ler Euclides na década de 80, quando redescobriu Os Sertões em uma pesquisa acadêmica.
Mesmo quem tem a iniciativa de ler Euclides encontra dificuldades. Aleilton, que em seu livro conta a visita de três amigos à cidade de Canudos, economizou dinheiro aos 17 anos para comprar Os Sertões, mas ainda assim teve um entendimento incompleto do texto.
No entanto, os leitores que superam o texto rebuscado descobrem um livro que continua importante até hoje. Nísia lembra que a sociologia retirou vários conceitos de Euclides, como o do isolamento do sertanejo. Para ela, o livro mostrou a alienação dos nordestinos em relação ao mundo e a alienação da aristocracia em relação ao sertão. O sertão, para Nísia, ainda existe. Segundo ela, o termo sempre esteve ligado a espaços não-civilizados. São Paulo, por exemplo, já teria sido chamado de sertão.
Aleilton afirma que conforme o tempo passa o livro pode perder até sua força sociológica, mas em troca ganha em força literária. O autor acredita que as novas gerações podem ainda apreciar Os Sertões pela sua contemporaneidade, mais de cem anos depois.
Se a dificuldade de leitura de Os Sertões é um consenso entre os especialistas, a imortalidade da obra também é.
Compartilhe