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1/10/2009 | Enviar | Imprimir | Comentários: nenhum | A A A

O Jornalismo mudou com os avanços da tecnologia. Antes, o velho bloco deu espaço para máquinas de escrever, gravadores e computadores.
As mudanças na prática jornalística vieram, e são visíveis até então – as formas de se fazer o Jornalismo evoluíram significativamente. Hoje, todavia, a situação é diferente: as tecnologias não só transformam a prática como também os atores que dela fazem uso. A internet, surgida com finalidades militares, serviu de base para alterações profundas dentro do Jornalismo. As facilidades que a web trouxe são inúmeras, desde a possibilidade de uma maior pesquisa, o contato com fontes distantes, maior embasamento para pautas e matérias, entre tantas outras. Além disso, as interfaces facilitadas permitiram que não apenas os nascidos na geração da internet tivessem acesso – os jornalistas já no mercado sentiram essas transformações. Até porque, para o jornalista, é premissa básica manter-se atualizado, seja em informações, seja em tecnologias de trabalho. Também a realidade hoje, de fontes diversificadas de informação, exige do jornalista uma atuação multimídia, cobrindo fatos não só para uma plataforma. Essas interfaces próximas não só conquistaram os jornalistas, mas todos que desejassem ter seu espaço na grande rede. Blogs, em especial, são febre, e qualquer cidadão com acesso à internet tem a possibilidade de produzir material informativo. Assim, o questionamento que fica é sobre o pólo emissor no sistema de comunicação – afinal, o leitor torna-se também autor. E o jornalista, onde fica?

As páginas pessoais pipocaram na internet, e a informação começou também a ser buscadas nestes endereços. O que foi considerado, neste momento, é a informação – ela também existe nos blogs, contudo, carente de checagem e de outros procedimentos jornalísticos. Há certas páginas pessoais, contudo, que já alcançaram níveis de credibilidade comparáveis com veículos tradicionais de mídia. Ou até mais, como o blog cubano Generación Y, de Yoani Sanchéz. Ela traz, através de suas postagens, a realidade cubana vista pelos olhos da população – diferente e bem mais fidedigna do que a versão oficial. Assim, como não considerar tais fontes e suas informações? Vendo que os antigos atores do pólo passivo estavam tornando-se ativos, a ideia foi de reunir-se a eles. Participações, hoje, são constantes – os canais trazem espaços para os leitores, incitando sua participação, em especial devido a popularização de câmeras digitais e filmadoras.

As mudanças que esta nova condição dos leitores trouxe para o Jornalismo, em especial, passam por várias searas. Em períodos como o que vivemos hoje, onde o diploma recebe atenção especial, e sua obrigatoriedade é discutida, a atuação do jornalista, como profissional, também deve ser observada. Onde o leitor também é partícipe, o jornalista deve atuar como filtro de tais informações. Através de sua formação e atuação como jornalista, ele é o profissional capaz de manter a qualidade e a credibilidade de tais informações – considerando elementos como noticiabilidade, veracidade, legitimidade das fontes, entre outros. Além disso, ele deve ser o responsável por separar o joio do trigo, como diz o ditado – observar imagens e textos produzidos, vendo se há neles alterações, distorções ou manipulações. Outra mudança significativa é a pluralização de ideias e notícias. Vê-se isso, especialmente, pelas mídias sociais, como no caso do avião que pousou no rio Hudson, no início deste ano. A primeira imagem do pouso arriscado foi feita por alguém que por ali passava, e postou no Twitter.  Quanto à presença de leitores no pólo emissor, as mudanças são, até então, positivas. Há mais variedade na construção das notícias, abrindo espaço para as informações locais, de grupos e entidades sociais, de minorias – uma infinita e plural produção de informação. Os veículos tradicionais, assim como os jornalistas que neles atuam, devem atentar para tais modificações no processo de produção da notícia. A tendência é uma participação ainda maior, proporcional ao maior acesso da população à internet, as constantes facilidades em interfaces e maquinário. O caminho parece ser sem volta, e a atuação do jornalista como filtro é a pedida para o futuro.

Já o consumo se altera de forma significativa, pela pluralidade de opiniões. Através da rede, antes mesmo de adquirir determinado produto, é possível saber como ele se comporta. Por isso, a saída é investir em qualidade, garantindo o sucesso do produto pela sua natureza. Além disso, estar atento para as necessidades dos clientes é básico, em especial quando há tanta concorrência e possibilidades de compra, como hoje. As mídias sociais, incluindo Twitter, Orkut, Facebook e outras possibilidades, devem ser o foco das empresas comprometidas com a satisfação dos clientes. As mudanças, principalmente quanto à postura do cliente no momento da compra, são estímulos para que haja novas estratégias das empresas. Hot sites, ARGs e outras formas de aliar a internet com as estratégias da empresa são formas atraentes para o consumidor, e criam certa fidelidade. Assim, criar plataformas capazes de entreter e dar suporte ao cliente, tanto antes como depois da compra, pode ser uma saída para conquistar e manter o cliente, mesmo havendo opiniões divergentes.

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Atualizado 02/09/2010 16h30