No próximo dia 24 de agosto será o aniversário do suicídio de Getúlio Vargas. Para lembrar a data, o Opinião e Notícia resgata uma série de artigos do Instituto Liberal sobre o ditador.
Leia o segundo artigo da série:
9 de agosto de 1954 – O círculo se fecha
Como toda a crise palaciana brasileira, o principal inquilino é sempre o último a saber sobre os atos criminosos cometidos pelos seus subordinados. O script da crise de agosto de 1954 não foi diferente. No dia seguinte ao atentado da Rua Toneleros, Getúlio Vargas já se apressou em emitir uma nota oficial assegurando que puniria os culpados.
Carlos Lacerda, alvejado sem gravidade, escreveu no mesmo dia, em seu jornal, Tribuna da Imprensa: acuso um só homem como responsável por esse crime. É o protetor dos ladrões, cuja impunidade lhes dá a audácia para atos como o desta noite. Esse homem é Getúlio Vargas. Milhares de pessoas acompanharam, no dia seguinte ao atentado, o enterro do major Rubens Vaz. Os militares revoltados, especialmente da Aeronáutica, realizam protesto no Rio de Janeiro.
A crise de 1954 também teve um motorista como testemunha-chave, a exemplo do escândalo Collor. No dia 7 de agosto um chofer de praça, cujo ponto era junto ao Palácio do Catete, declarou à polícia que levara um membro da guarda palaciana até o local do crime, naquela fatídica noite. A partir daí a situação foi se agravando, com novas provas surgindo e comprovando o envolvimento de pessoas próximas a Getúlio Vargas no atentado da Rua Toneleros.
No dia 8 de agosto Getúlio soube que o autor do atentado – o tal que fora de táxi matar Lacerda e que se chamava Climério de Almeida – havia recebido dinheiro do secretário da sua guarda, João Vicente, para cometer o crime. Para agravar ainda mais a situação, Climério e um outro comparsa, o pistoleiro Alcino José, haviam fugido. Getúlio decide então dissolver a guarda pessoal, tentando contornar a crise que se avolumava. A Aeronáutica sublevou-se e não demoraria para aprofundar as investigações sobre o crime cuja origem estava no Catete.
A 9 de agosto os ânimos estavam ainda mais exaltados. Políticos da envergadura de Afonso Arinos de Melo Franco exigiram a renúncia do Presidente. Este divulgou uma nota dizendo que não deixaria o cargo (coisa que Fernando Collor também fez).
Como se vê, não havia exatamente um clima de conspiração contra Getúlio Vargas, da mesma forma que não se conspirou contra Fernando Collor. Havia pesadas acusações contra pessoas da mais estrita confiança do ex-ditador, numa situação que tornava insustentável a sua continuidade no poder. Acusações de crimes graves, como homicídio e corrupção.
Nos próximos dias veremos que as provas mais contundentes sobre o atentado, envolvendo até um filho de Getúlio Vargas, ainda estavam por surgir. Mas a 9 de agosto o círculo já se fechava em torno do Presidente. A essa altura já havia poucas alternativas disponíveis para ele.
Leia o primeiro artigo da série:

Getulio Vargas foi um ditador perigoso e truculento, muito pior que o regime militar.