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São Jorge

Estado do Rio comemora feriado inédito

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A palavra feriado, segundo o dicionário Houaiss, é descrita da seguinte forma: “dia de descanso, instituído pelo poder civil ou religioso, em que são suspensas as atividades públicas e particulares”. É também expresso como dia de “festa”, de “festejar”, “estar de férias”, atividades que o brasileiro — sem querer ser (mas já sendo) clichê –- gosta e sabe aproveitar.

O Brasil conta com 14 feriados nacionais, entre eles Tiradentes (21 de abril), Dia do Trabalho (1º de maio), Independência do Brasil (7 de setembro), Finados (2 de novembro), Proclamação da República (15 de novembro) e Carnaval (ponto facultativo, mas que já é considerado feriado no país inteiro). Isso sem contar os feriados decretados pelos estados e municípios, que podem declarar até quatro feriados religiosos. A lei nº 9335, de 10 de dezembro de 1996, acrescentou ainda como feriado civil os dias de início e fim do ano do centenário de fundação de cada município, desde que fixado como lei municipal.

No ano passado, totalizando feriados e pontos facultativos, o país teve 28 dias de recesso –- quase um mês inteiro. A despeito dos defensores do “quanto mais melhor”, os feriados contribuem para o menor crescimento do país. Em entrevista ao Diário do Nordeste, o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) do Ceará, Cid Alves, afirmou que em meses com feriado prolongado, o comércio acaba tendo um prejuízo de 12 a 12,5% nas vendas. O mesmo acontece para bares e restaurantes, que segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), têm nos fregueses locais a maioria da sua clientela fora das épocas de alta estação. O setor de turismo, por outro lado, comemora os feriados, quando trabalhadores e famílias viajam com maior freqüência.

O que surgiu com o propósito de comemorar datas importantes no passado, hoje tem o seu verdadeiro significado esvaziado. O mesmo serve para as datas religiosas, em sua grande maioria dedicadas à religião católica, com o Corpus Christi, a Sexta-feira da Paixão, o Dia de Finados e o dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro -– data instituída por ocasião da visita do Papa João Paulo II ao Brasil, em 1980. É de se admirar que um país laico, como o nosso, incorpore ao calendário oficial tantas datas católicas e pouquíssimas de outras religiões.

Entre elas está, por exemplo, o dia de São Jorge, comemorado no estado do Rio de Janeiro em 23 de abril. O projeto de lei para decretar oficialmente o dia do santo guerreiro foi do deputado estadual Jorge Babu, do PT, conhecido por ser um seguidor da umbanda. O pior é que São Jorge não existiu — não existe registro histórico de sua vida e ele não é um santo da igreja católica. Além deste feriado -– comemorado pelos seguidores desta religião do candomblé –, há também o Dia do Evangélico em Brasília, comemorado em 30 de novembro, criado a partir de um projeto do então deputado distrital Carlos Xavier.

Seguindo o filão dos feriados brasileiros, por que não falar do dia em homenagem a Zumbi dos Palmares? O ícone da resistência negra à escravidão que, segundo reza a lenda, morreu assassinado, gera controvérsias, já que a sua existência não é sequer comprovada através de dados históricos. Ainda assim, o dia 20 de novembro já é comemorado em 15 municípios de São Paulo e no estado do Rio de Janeiro. Em 2002, a então governadora do Rio Benedita da Silva não pestanejou na hora de agraciar seus pares, sancionando a lei que instituía como feriado o dia da morte do suposto herói –- que é também Dia Nacional da Consciência Negra.

Uma pergunta acaba surgindo diante deste cenário: todos estes feriados seriam, afinal, pura demagogia por parte dos políticos? Tudo indica que sim, embora a indagação deva passar bem longe dos que propõem os feriados e daqueles que, por sua vez, agradecem pela homenagem feita a seus santos de devoção, heróis e religiões. Acima de tudo, o “obrigado” se deve aos benditos dias de descanso, afinal — se fossemos levar em conta a predileção pelos feriados católicos — somos todos filhos de Deus!

Se alguns têm demais, outros têm de menos. A China estuda a possibilidade de aumentar o número de feriados de dez para onze dias. Por ano, os chineses contam com três dias de descanso para o Dia do Trabalho, três para o Dia Nacional (da proclamação da República Popular da China), três para o Ano Novo Lunar Chinês e um para o Ano Novo. Durante estes “feriadões” de três dias é comum que os chineses prolonguem o descanso por até sete dias, as chamadas “semanas de ouro”. Mas não pense, leitor, que a farra fica por isso mesmo… Os governantes locais, assim como acontece nos EUA, costumam criar mecanismos para que estes dias de descanso sejam compensados antes ou depois.

Independente da opinião individual de cada um de nós em relação a este tema, o fato é que se não somos o país com a maior quantidade de datas comemorativas, estamos quase lá. Por que não trocarmos, então, a frase “Brasil, o país da corrupção”, por “Brasil, o país dos feriados?”.

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9 Opiniões

  1. Dorival Silva disse:

    É uma vergonha, que tal trabalhar um pouco mais?

  2. Evandro Correia disse:

    Esses deputados analfabetos ficam propondo feriados imbecis. Ninguém sabe se Zumbi realmente existiu — e se existiu não se sabe a data de sua morte. Já São Jorge simplesmente não existe como santo cristão, é mais uma figura de ficção.

  3. Venustiano Carranza disse:

    A Igreja manda e desmanda neste país.

  4. Benedito Lacerda disse:

    Eu, que moro no Rio, acho muito bom não ter de ir trabalhar, mas é realmente ridículo um feriado para um santo que não existe. Vergonha para o macumbeiro que o propôs, e para os deputados analfabetos que o aprovaram.

  5. Henrique disse:

    País pobre que precisa trabalhar para se desenvolver não pode se dar ao luxo de "inventar" feriados por que alguém "sem noção" não quer trabalhar! Se o Japão tivesse seguido o nosso exemplo (depois de ser praticamente destruido na segunda guerra mundial) talvez estivesse até hoje como país pobre e discutindo problemas de educação, favelização, violência e falta de infra-estrutura. Idem para a Europa devastada pelos alemães e tb a própria Alemanha devastada pelos aliados.
    Agora falou em feriado por aqui todo mundo dá "graças a Deus"…. Sabem quando o Brasil irá chegar ao nível de desenvolvimento da Europa, do Japão ou dos EUA? NUNCA !… por que aqui além de não existirem políticos compromissados e honestos existe a maioria da população que adora levar vantagem em tudo ou aprecia o sistema de "assistencialismo".

  6. FELIZARDO CLEMENTINO VIEIRA disse:

    EU ACHO MUITO BOM ESTE FERIADO APESAR DE MORAR EM CURITIBA. EU IRIA PARA A PRAIA NESTE DIA 23 DE ABRIL. E SE EU NÃO FICASSE SATISFEITO EU IRIA EMBORA DESTE PAÍS.

  7. Jammil disse:

    Que tristeza essa realidade brasileira. Daqui a pouco todos os dias do ano terão algum motivo para virarem feriado… É por essas e outras que só me resta rir da realidade em que nos encontramos.

  8. Paulo Gustavo disse:

    Não vou dizer que não gosto de feriado que estaria mentindo, atire a 1a pedra quem não gosta. Mas concordo com todos que tamanha quantidade de feriado é prejudicial ao crescimento e desenvolvimento do país.

  9. JOAO disse:

    TRABALHAR MAIS? PRA ENRIQUECER A MASSA DOMINANTE? VOCES ACREDITAM QUE TRABALHAR MAIS AQUI NO BRASIL VOCE ESTARA CONTRIBUINDO PRA A MELHORIA DO MESMO? TA MALUCO, NAO HA VONTADE POLITICA SE TRABALHARMOS MAIS A UNICA COISA QUE VAI ACONTECER É FICAR MAIS CANSADO ENQUANTO A CORRUPCAO E A FALTA DE VONTADE POLITICA VAI CONTINUAR. MUITO DIFERENTE DA CHINA , ELES ESTAO VOLTADO PARA O CRESCIMENTO E INDEPENDENCIA DO PAIS NO QUE DIZ RESPEITO A NAO PRECISAR DE OUTROS PAÍSES. BRASIL TA VENDIDO.

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