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Maior que Mussolini, maior que Hitler

A declaração de voto de um artista pode assegurar a eleição. Mas há também outra circunstância em que o apoio do beautiful people é fundamental: quando a popularidade de um governo fica ameaçada pela mediocridade, arbítrio, ou corrupção, a classe artística é peça essencial para convencer a opinião pública sobre o brilhantismo, a justeza e a correção de quem ocupa o poder.

Por isso, ao longo dos anos, foram criados muitos mecanismos para que legalmente os governantes possam transferir recursos do contribuinte para a classe artística. Leis de incentivo à chamada cultura inserem-se nesse conceito. As empresas podem destinar parte do que seria pago a título de impostos para iniciativas de natureza cultural. Apesar de diminuir a arrecadação, em tese a sociedade receberia em troca o benefício de um investimento social ou cultural. Os governantes sabem que é através das empresas estatais que os cofres públicos podem ser abertos com maior generosidade a iniciativas artísticas em troca de apoio, complacência ou mesmo de um útil silêncio.

Mas a renúncia fiscal não é o único instrumento. Os próprios ministérios, em especial o da Cultura, existem para financiar projetos, quando não, contratar diretamente artistas. Ou então indiretamente, através de publicidade governamental veiculada em jornais, revistas, cartazes, rádio ou televisão.

Getúlio Vargas foi o primeiro presidente a empregar em larga escala essa estratégia. Desde sua chegada ao poder, em 1930, ele tratou o mecenato estatal com o maior cuidado. Concedeu todo tipo de vantagem ou benesse possível à classe artística, inclusive sua presença até em teatro de rebolado. Tanto que, em plena ditadura do Estado Novo, o ator Reis e Silva foi capaz de escrever, no jornal Correio da Noite, a seguinte frase: Para mim o Sr. Getúlio Vargas é o maior homem do mundo. Maior que Mussolini, maior que Hitler!

É importante, pois, que o eleitor se lembre de Reis e Silva em 2006 toda vez em que olhar ou assistir a alguma propaganda eleitoral feita por cantor, ator, escritor, etc. O dinheiro estatal costuma comprometer a capacidade de julgamento da classe artística.

Cândido Prunes é vice-presidente do Instituto Liberal

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2 Opiniões

  1. Jean Rodolfo Taruhn disse:

    As leis de incentivo a Cultura são a forma mais justa de apoio à produção e preservação cultural brasileira. Elas permitem levar a cultura a quem não pode pagar por ela.
    Para quem tem acesso fácil a Cultura, é fácil chamar a renúncia fiscal de “desvio” de dinheiro de obras sociais. Na verdade ela é um dos poucos casos em que a empresa pode realmente ver o que está sendo feito com o dinheiro de seu imposto, em benefício da sociedade.
    O Governo aprova projetos, mas são as empresas que decidem onde investir. As estatais (como a Petrobrás), possuem um processo específico para seleção de projetos a serem aprovados (Projeto Cultural Petrobrás), ainda mais criterioso do que o processo de aprovação do Ministério da Cultura.

  2. Felipe Ribeiro disse:

    Bravo!!!

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