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‘Negócios são negócios’

Confira o artigo de Arthur Chagas Diniz, presidente do Instituto Liberal.

‘Negócios são negócios’
Presidente Lula ao lado do líder da Guiné Equatorial, Obiang Mbasogo. (Fonte: AE)

Esta foi a declaração de Celso Amorim, um dos Ministros do Exterior do Brasil, ao referir-se à visita de Lulla ao presidente da Guiné Equatorial, recém encerrada. Como se sabe, Obiang Mbasogo é presidente eleito do pequeno país há 29 anos, sendo “reconduzido” ao cargo com 97% dos votos dos cidadãos guineenses. A Guiné Equatorial tem 100 deputados, dos quais 99 são da situação.

A agenda de viagem do Presidente da República tem mostrado uma particular preferência pelos regimes ditatoriais. A recente visita de Lulla a Cuba, aonde chegou no mesmo dia em que morria um dos presos políticos, foi patética. Lulla não disse uma palavra a respeito dos dissidentes cubanos onde há mais de 50 anos predomina um regime ditatorial. Foi um espetáculo constrangedor ver um presidente brasileiro, que é fruto de uma democracia duramente reconquistada no Brasil, atuar desse modo.

O apoio a países com ditaduras mais ou menos disfarçadas é uma das marcas da gestão de Lulla. Até mesmo na África as preferências do Presidente não escondem este viés.

A explicação de Amorim não convence a ninguém.** O potencial de negócios com a Guiné Equatorial é uma explicação canhestra para um governo cujas preferências vão desde um regime islâmico, como o do Irã de Ahmadinejad, até a Venezuela, onde Hugo Chávez mostra, pela virulência contra a imprensa, um projeto ditatorial que é visível em seu chavão contra a liberdade – “socialismo o muerte”, simbólico de um país que prenuncia uma nova Cuba.

Se “negócios são negócios”, o melhor para o Brasil seria, no mínimo, não hostilizar os Estados Unidos.

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6 Opiniões

  1. aparecida disse:

    Não é de hoje que o Lula está fazendo estágio…
    É uma vergonha para a demogracia brasileira, reconquistada a duras penas, com a eleição da “Dilmalula”, sei não…

  2. Helio (Rio de Janeiro) disse:

    Muito bom o artigo e o tema. Se a preocupação do Amorim fosse política, sanções, e não visitas, deveriam ser aplicadas a países como a Guiné Equatorial em que a violência no poder é conhecida. Se a preocupação fosse o comércio, os EUA não deveriam ser alvo de críticas, já que nosso comércio com eles é infinatamente maior. Como a justificativa da ida a Guiné permanece misteriosa após explicação hilária do ministro, podemos levantar várias hipóteses dessa nossa incursão africana: Seria o gosto dos cartolas e suas comitivas por recepções, tapetes vermelhos, pouco trabalho e pouca negociação? Seria o desejo de viajar livres da tutela dos diplomatas de carreira e da imprensa? Seria crer em modismo e pensar que país pobre dá Ibope? Estaria o nosso país copiando a China e planejando se expandir de forma imperial, dando uma pequena sondada com o ditador da Guiné? A política externa da Venezuela é mais consistente que a nossa. Vende petróleo para os EUA, concentra seus interesses no continente, faz alianças com a China, e expande negócios lucrativos no Brasil. Já nós na Bolívia, no Paraguai e na Argentina…

  3. Beraldo Dabés Filho disse:

    O Celso Amorim está certo e bem afinado com a sabedoria popular: “Amizade, amizade, negócios à parte”.

    O melhor exemplo são os EEUU, que sempre mantiveram negócios com todos os Países, independentemente de regime político ou Sistema Econômico. Negociam intensamente com todos que lhes interessam, a começar pelos árabes do petróleo, inclusive com o Iraque de Sadam Hussein, até a bem pouco tempo atrás.

    Agora, elogiar a política externa da Venezuela de Hugo Chavez, apenas como arma de ataque à política externa brasileira,era a última coisa que se poderia esperar de alguém que seja da Oposição ao Governo Lula. É demais!

    Não sejam hipócritas.

  4. Hans disse:

    “Negócio é negócio”, desde que a gente tenha a segurança que os produtos exportados sejam pagos.
    Num país como Guiné Equatorial, que tem um regime político complicado, Qual a segurança que teremos fazendo negócios com países como a Guiné Equatorial . Já não bastam os problemas que temos c/ as estatizações e calotes que os nossos países vizinhos ( da America do Sul )????
    Será que prox. governo ( se for do PT ) também perdoará a dívida se não receber , como o Lula fez c/ todos países que nos deviam ………

  5. Markut disse:

    Como diz Hélio. Se negócios são negócios, o que, aliás, é verdade, e o Brasil está inserido na mesma filosofia, é extranho que, segundo os petralhas e afins, os EEUU sejam o maior vilão imperialista da história. E o Brasil, nesse caso, o que seria?
    Para onde vão todas as diatribes contra o monstro voraz e cruel, responsavel por todas as desgraças que afligem a humanidade e impedem a existência do paraiso socialista na terra?
    Na realidade, isto tem mais o cheiro do clássico e histórico recurso de apontar o inimigo externo para ocultar as próprias deficiências e a sua incapacidade ou desinteresse em resolvê-las.

  6. André Vinícius Vieites disse:

    A supremacia departamentalizada – que nos liberta de toda sorte de prejuízos, preparando-nos para uma porta de entrada e uma porta de saída dos negócios. É que determina um conceito loucura-negociada mais se servir da noção corrente de extravagância para fins jurídicos e metodológicos, para pôr questões de direito concernentes aos projetos pessoais.
    Assim porque não dizer da alta noção de realidade e uma boa dose de franqueza, isso franqueza não substituiu a ordem de servir bem, ou acontecer bem, ou então apenas uma porta de entrada e saída. Negócios apontam uma direção futura – apontam para a reorganização da caridade com base numa seleção rigorosa dos bons e dos maus pobres, se bem que poderão ser também os maus ricos, tanto faz negócios são negócios. Porém, com portas de entrada e saída bem especificadas.
    Ass: André Vinícius Vieites

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