Início » Opinião » Artigos » No mundo das incertezas
Artigos

No mundo das incertezas

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

O COPOM decidiu reduzir a taxa de juros básica da economia brasileira em 0,5%, fixando o patamar em 15,25%, num ritmo mais suave de queda do que se registrou nas últimas decisões do Banco Central. O que pesou na decisão do COPOM?

1. O FED (banco central americano) divulgou na mesma data a ata de sua última reunião e, diante dos sinais contraditórios de manutenção ou não do crescimento econômico e do comportamento da inflação, permaneceu indeciso em relação a continuar ou suspender os aumentos de taxas de juros; esta indecisão, por conta da arbitragem (correlação entre as taxas dos dois países) não permite que a taxa de juros no Brasil seja muito mais baixa; em outras palavras, ainda precisamos de taxas de juros internamente altas para atrair capital;

2. O crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2006 foi relativamente alto em relação a 2005, mas a inflação nunca esteve sob controle tão rigoroso (menos de 1% acumulado em 5 meses em 2006 pelo IGP-M, deflação em 12 meses);

3. As exportações brasileiras em 2006 estão finalmente mostrando desaquecimento em relação a 2005, de forma que é necessário baixar um pouco os juros para tentar puxar o dólar para cima, como quer o Ministro Mantega, para tentar favorecer o setor exportador;

4. O Banco Central não quer dar um endosso à volatilidade recente do mercado, isto é, quer transmitir uma sensação de normalidade;

5. A taxa de juros neste novo patamar já é uma das menores da história recente do país; e

6. Faltam praticamente 120 dias para as eleições presidenciais: não ficaria politicamente bem segurar as taxas de juros num patamar alto, ainda mais porque a equipe econômica não é aquela que começou o governo, de tendência mais ortodoxa: a atual está mais para tropa de choque de reeleição, liberando os cofres com aumentos salariais e outras verbas de grande efeito político.

Muito barulho por nada? Na verdade estas oscilações são relativamente pequenas, mas ocorre que os economistas no mundo todo estão com lupas e microscópios nas mãos para detectar um ponto de inflexão, se estamos ou não iniciando um novo ciclo de crescimento menor: não importa tanto a velocidade do movimento, mas a eventual mudança da direção.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *