Historiador tenta responder qual a origem do povo cigano e o motivo de séculos de perseguição
Quando um indivíduo é agredido pelo Estado, todos nós estamos sendo aviltados
Aos eleitos caberá uma série de tarefas importantes, como administrar o dinheiro obtido com impostos. Por Claudio Carneiro
Maestro Michael Stern levantou o Teatro Municipal. Uma interpretação à altura da obra. Por Clóvis Marques
Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo nasceu em seis de setembro de 1897, no Rio de Janeiro
Dr. Roberto Rodrigues, pneumologista do Lâmina Medicina Diagnóstica/ DASA tira dúvidas sobre o assunto
Jose Carlos Zingra falou sobre o descaso em relação ao Amapá, e foi escolhido para o Opinião Pública da semana.
Bolsa-Telefone é o projeto da vez. Grandes cidades começam a sofrer com falta de mão de obra. Por Renata Steidel
Alguns brasileiros se negam a fornecer dados ao IBGE por receio de receber em casa falsos recenseadores. Por Joana Duarte
O Brasil e os brasileiros livraram-se de boa quando o presidente Lula, pessoalmente, sem mais aquela, recusou a candidatura dele a um terceiro mandato apanhado na sarjeta por um grupo de catadores de assinaturas dispostos a materializar, mediante emenda à Constituição, o direito de consultar o povão para decidir, cada caso, se caberia ou não o terceiro mandato consecutivo. Não seria permanente, mas apenas para resolver o caso do presidente. A via parlamentar levaria a proposta à aprovação do Congresso, onde cochila civicamente a indispensável maioria que não abre mão de vantagens, por fora e/ou por dentro, como de praxe.
A situação à vista para este ano abarca alguma coisa que paira sobre a democracia, mas não é a famosa espada de Dâmocles, que ninguém mais precisa saber quem foi, nem como terminou a história. Também não é enigma a ser decifrado pelos candidatos a candidatos envolvidos pela ilusão de que tais coisas acontecem de maneira fortuita.
O PT já andava farto de ingestões a contra-gosto e o PSDB se afligia por conta da expectativa que a internet prepara, sem saber a quem poderá ser pior e se alguém se beneficiará do que vem por aí em matéria de insensatez. Vive-se a véspera da campanha presidencial há dois anos áridos de criatividade e fartos de ociosas denúncias de corrupção que dispensam provas. Hipóteses de candidaturas não fazem eleição, pois não passam de simulações para distrair o eleitor.Um presidente da República, abarrotado de popularidade e na hora de fazer as malas, já deveria ter listado resultados contundentes de dois mandatos e esfregá-los (em termos, bem entendido) comparativamente nos saldos social-democráticos.
Infelizmente para Lula e o PT, o PAC não passa da relação de obras de Santa Engrácia, que o governo vem fazendo a toque de tartaruga desde o primeiro mandato (e não entregará nem no segundo). Não basta a impressão de que a finalidade social proporcionará lucro em votos. Não será bem assim aos olhos da classe média. Com hipóteses não se brinca. Sob a Constituição de 1946 e mandatos presidenciais de cinco anos, todas as eleições tiveram, a título de garantia, um candidato militar disputando a possibilidade em igualdade de condições desiguais. O que veio depois deve ter alguma relação com o que se passou antes. Agora é diferente: quem garante é a cidadania, que se informa pelas pesquisas eleitorais e pelos boatos de todas as procedências. O país deixou de ser o mesmo mas ainda não é outro.
Quando, em plena semeadura continental, Lula recusou a fórmula manjada de submeter a plebiscitos os obstáculos naturais ao exercício da democracia e limitando o número de mandatos a apenas dois, desfez-se o barraco. Mas havia outras questões por trás do tédio. O presidente deixou na mão a velha questão pela qual a esquerda admite a democracia como oportunidade, mas sem se comprometer e por ser apenas eventual seu interesse. Daí por diante, sempre passa a ser como o diabo prefere.
Engana-se quem considera o Brasil sem condições de hospedar a democracia e deixá-la à vontade, e não apenas de passagem, por períodos curtos, como sucedeu no século passado. Já se mudou a fachada legal tantas vezes quantas se fizeram necessárias, e o melhor resultado é o da Constituição atual, com 22 anos. Mas não se sabe em que ponto do percurso ocorrerá o teste eleitoral definitivo. Democracia se ventila, por princípio, nas urnas, mediante alternância de governantes e partidos políticos. O desafio é a expectativa reservada a 2010, cujo problema de fundo continua a velha questão: na hora de passar o poder, a esquerda sucumbe a certo sentimento de culpa que a leva à insensatez por uma questão de princípio: eleição é luxo burguês. O PT ainda está longe de admitir que o poder seja regulado apenas pelo voto e os cidadãos possam mudar de opinião por interesse público ou particular. Os sinais que se acentuam à medida que o ano avança rumo às urnas não indicam claramente que se possa contar com uma campanha limpa e transparente.
O plebiscito é uma dessas heranças colaterais que tanto a direita quanto certa esquerda defendem como subterfúgio democrático, sem atentar para as conseqüências. Por trás de cada plebiscito há sempre o efeito nefasto. É mais um sofisma do que recurso democrático, e oculta um gene fascista e autoritário por natureza.