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O que é preciso no Ministério das Minas e Energia

Mais que discutir a nomeação do senador Edson Lobão para Ministro das Minas e Energia, o que importa é mapear a real situação do setor elétrico e o que precisa ser feito para evitar – ou atenuar, se não for possível evitar – um novo "apagão".

Estamos diante uma situação curiosa diante da possível crise que se avizinha. Na década de 1960 eram freqüentes os racionamentos de energia. Depois de décadas de falta de investimentos provocada por um absurdo congelamento das tarifas, desembocamos em racionamentos diários de energia nos períodos de pico de consumo. As luzes eram apagadas por bairros, facilitado o racionamento pelo desconhecimento da violência generalizada que veio anos mais tarde.

Depois de 1964, com os pesados investimentos em geração e distribuição, que se antecipavam ao crescimento da demanda, foi possível manter suprida a economia, a despeito de taxas de crescimento que nunca mais experimentamos.

Hoje, militam contra o regular abastecimento de energia diversos fatores, inexistentes entre 1964 e 1985. Não é possível construir barragens porque, como se sabe, os reservatórios das barragens ferem "direitos" ecológicos e inundam propriedade privada, que não pode ser desapropriada; não se podem construir usinas nucleares porque, como se sabe, são de alto risco (não é o que pensam os franceses, de onde provêm 70% da energia gerada no País); não é possível construir usinas térmicas porque, como se sabe, a queima de combustíveis fósseis polui a atmosfera.

Portanto, seja lá quem for o novo ministro, as restrições políticas à solução do problema são enormes. Não sei se o senador Lobão é o mais indicado, por suas qualificações técnicas, para assumir tamanho abacaxi; e também não sei se tem as necessárias competências políticas para mostrar à população que o dilema é simples: só temos que decidir se queremos agora energia ou se queremos deixar para as futuras gerações um país mais pobre do que poderia ser, e que deixou de crescer por falta de energia. Elas saberão nos julgar.

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