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Patriotismo ou lavagem cerebral?

Foram 19 dias de jogos, 277 atletas e apenas três medalhas de ouro, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 1,2 bilhão para mandar a delegação brasileira ao outro lado do mundo. As Olimpíadas são como o Natal. Não há como evitar. Nos primeiros Jogos Olímpicos da era digital, foi impossível para qualquer brasileiro passar ileso. Durante três semanas, fomos obrigados a ouvir a narração irritante de Galvão Bueno e a acompanhar as reportagens criadas para tentar surpreender o telespectador que, coitado, deve agora estar se recuperando das madrugadas em que assistiu ao Brasil perder.

A cada quatro anos, o mesmo blablablá se repete. Horas e horas de histórias sobre superação de limites numa seqüência de frases clichês. Horas e horas de dramas esportivos regados pelo suor dos esportistas que dão duro para conquistar o tão sonhado espaço olímpico. Horas e horas da saga dos atletas desconhecidos que fizeram valer todo o capital investido pelos anunciantes da TV Globo. Horas e horas de torcida que, como em um passe de mágica, vê todos os problemas desaparecerem ao ser tocada pela glória do esporte. Horas e Horas de imagens repetidas à exaustão. Horas e horas de lavagem cerebral.

Sempre se cria uma enorme expectativa nos cidadãos na tentativa de gerar orgulho pelo país. É o menino pobre que lutou para chegar a Pequim e, mesmo perdendo, é considerado um vencedor. É a humanidade que coloca de lado suas diferenças em um evento esportivo mundial a fim de testar os limites de quão forte, ágil e hábil o ser humano pode ser. É a união pacífica, os exemplos de boa convivência e de competição sadia proporcionados pelos atletas que inspiram as criancinhas. É o atleta que defende o país. Nomes antes desconhecidos ditos como chances de medalhas, esperança. É a rua toda enfeitada com as cores da bandeira. Este estado de ser brasileiro, de decorar o hino nacional e de usar o verde e o amarelo como se fosse uma combinação da moda.  

Durante três longas semanas, criancinhas — não só elas — acreditaram que os brasileiros poderiam ser melhores que os argentinos, que aqui é a melhor nação do mundo, que o Brasil iria finalmente dar certo! Ficamos cegos quanto às qualidades dos outros e aos nossos próprios defeitos. Amar e defender o seu é um sentimento natural, é claro, por isso mesmo emburrecedor. Basta passear por qualquer cidade americana em quatro de julho para perceber. É fácil achar os americanos patéticos, é até injusto, porque comparados a eles, ninguém é tão patriota assim. Mas chegamos bem perto disso durante os Jogos Olímpicos. É mais ou menos a mesma coisa com a Copa do Mundo, só que nas Olimpíadas há uma variedade maior de interesses, afinal são diversos esportes para aprendermos as regras.  

E já começou a contagem regressiva para 2014.

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16 Opiniões

  1. Fã da Camila Leporace disse:

    Aliás, quem é o autor ou autora do artigo acima? Obrigado.

  2. Fã da Camila Leporace disse:

    Aliás, quem é o autor ou autora do artigo acima? Obrigado.

  3. L. XAVIER disse:

    Nosso povo costuma ser patriota quando a seleção canarinho de futebol está em campo ou quando o país conquista uma medalha nos jogos olímpicos. Escuta-se, inclusive, a tradicional música “sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor”, além das frases de que “o melhor do Brasil é o brasileiro” e “sou brasileiro e não desisto nunca”.

    Mas, no dia das eleições… Bem… Paulo Maluf, Clodovil Hernandes, Frank Aguiar, Renan Calheiros, Álvaro Lins, Garotinho, Rosinha, Marcello Crivella, Cesar Maia, Fernando Collor de Mello, Eurico Miranda, "Mãe Loura do Funk", Valdemar Costa Neto, Agnaldo Timóteo, Lula, José Genoino, Severino Cavalcanti, Núbia Cozzolino, Jerominho, Natalino, Bispo Rodrigues, Ângela Guadagnin etc. etc. etc.

  4. L. XAVIER disse:

    Nosso povo costuma ser patriota quando a seleção canarinho de futebol está em campo ou quando o país conquista uma medalha nos jogos olímpicos. Escuta-se, inclusive, a tradicional música “sou brasileiro, com muito orgulho e com muito amor”, além das frases de que “o melhor do Brasil é o brasileiro” e “sou brasileiro e não desisto nunca”.

    Mas, no dia das eleições… Bem… Paulo Maluf, Clodovil Hernandes, Frank Aguiar, Renan Calheiros, Álvaro Lins, Garotinho, Rosinha, Marcello Crivella, Cesar Maia, Fernando Collor de Mello, Eurico Miranda, "Mãe Loura do Funk", Valdemar Costa Neto, Agnaldo Timóteo, Lula, José Genoino, Severino Cavalcanti, Núbia Cozzolino, Jerominho, Natalino, Bispo Rodrigues, Ângela Guadagnin etc. etc. etc.

  5. Marcelo de Matos disse:

    Falta aos governos, mundo afora, uma visão empresarial da administração pública. Certa vez escrevi para uma indústria alimentícia para saber por que haviam parado de produzir leite de soja em pó, já que o produto era muito bom. Responderam que, para uma empresa privada, não basta que o produto seja bom – é preciso haja retorno financeiro. No caso das Olimpíadas, dezenas ou centenas de países enviam delegações e não obtêm, sequer, uma medalha de bronze. É um investimento muito alto, sem qualquer resultado. No caso brasileiro, deveriam fazer uma pesquisa (o que é até desnecessário) para saber quais são os nossos esportes de massa, ou populares. Creio que são três: futebol, vôlei e rodeios, se é que esses podem ser considerados esporte. Não adianta, portanto, querer participar de Olimpíadas nas categorias de ginástica, halterofilismo e atletismo. Isso raramente é praticado por aqui. Mauren Maggi, talvez, irá participar de outra Olimpíada só com o nome, já que estará mais velha e não haverá renovação nessa modalidade. O esporte deve servir para melhorar as condições de saúde da população, não para promover objetivos políticos ou ufanistas.

  6. Marcelo de Matos disse:

    Falta aos governos, mundo afora, uma visão empresarial da administração pública. Certa vez escrevi para uma indústria alimentícia para saber por que haviam parado de produzir leite de soja em pó, já que o produto era muito bom. Responderam que, para uma empresa privada, não basta que o produto seja bom – é preciso haja retorno financeiro. No caso das Olimpíadas, dezenas ou centenas de países enviam delegações e não obtêm, sequer, uma medalha de bronze. É um investimento muito alto, sem qualquer resultado. No caso brasileiro, deveriam fazer uma pesquisa (o que é até desnecessário) para saber quais são os nossos esportes de massa, ou populares. Creio que são três: futebol, vôlei e rodeios, se é que esses podem ser considerados esporte. Não adianta, portanto, querer participar de Olimpíadas nas categorias de ginástica, halterofilismo e atletismo. Isso raramente é praticado por aqui. Mauren Maggi, talvez, irá participar de outra Olimpíada só com o nome, já que estará mais velha e não haverá renovação nessa modalidade. O esporte deve servir para melhorar as condições de saúde da população, não para promover objetivos políticos ou ufanistas.

  7. Paulo Ramos disse:

    A eliminação prematura do Brasil na Copa do Mundo da Alemanha (2006) e a nossa ínfima quantidade de medalhas de ouro nos jogos olímpicos de Pequim causam mais comoção do que o péssimo e vergonhoso desempenho do país no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Algo está errado…

  8. Paulo Ramos disse:

    A eliminação prematura do Brasil na Copa do Mundo da Alemanha (2006) e a nossa ínfima quantidade de medalhas de ouro nos jogos olímpicos de Pequim causam mais comoção do que o péssimo e vergonhoso desempenho do país no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA). Algo está errado…

  9. Caio Andrade Camargo disse:

    O Opiniao e Notícia seleciona bem as reportagens, mas a redação é muito fraca. Acompanhada às criticas, devem se apresentar fatos. Essa crítica, jogada em tom de ironismo pelo Opiniao e Notícia, é tema para uma reportagem, e não para uma notícia. Quem é o autor?

  10. Caio Andrade Camargo disse:

    O Opiniao e Notícia seleciona bem as reportagens, mas a redação é muito fraca. Acompanhada às criticas, devem se apresentar fatos. Essa crítica, jogada em tom de ironismo pelo Opiniao e Notícia, é tema para uma reportagem, e não para uma notícia. Quem é o autor?

  11. Rodrigo Andri disse:

    É, de fato, curioso notar que o texto não traz o nome do articulista… Honestamente, parece-me um artigo inconcluso.

  12. Rodrigo Andri disse:

    É, de fato, curioso notar que o texto não traz o nome do articulista… Honestamente, parece-me um artigo inconcluso.

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