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Saída pelos trilhos

11/05/2009 | Enviar | Imprimir | Comentários: 10 | A A A

O Brasil está embarcando nos trens. A julgar pelos investimentos do Governo federal e as operadoras Transnordestina Logística, Ferroeste e ALL no transporte ferroviário, pode-se dizer que o país vai, dentro de um pouco mais de 10 anos, se tornar uma nação de trilhos. Dos cerca de 29 mil km de hoje, o Brasil saltaria para 41 mil km – o auge foi em 1958, quando chegou-se a marca de 37,9 mil km. A Valec – estatal responsável pela construção de muitas das novas linhas do Brasil, incluindo a Norte Sul – afirma que o governo está expandindo a malha e promovendo a integração nacional pelos trilhos, apesar da crise.

“Os projetos das ferrovias de responsabilidade da VALEC não estão sofrendo impacto em decorrência da crise econômica mundial, já que estão incluídos no PAC. Houve, sim, por prudência por parte do Governo Federal, o adiamento do leilão de subconcessão do trecho Palmas-Estrela d´Oeste, da Ferrovia Norte-Sul, e da Ferrovia Bahia-Oeste, que ligará o porto de Ilhéus (BA) à Ferrovia Norte-Sul, em Figueirópolis (TO)”, afirma José Francisco das Neves, presidente da Valec.

No modelo adotado pela empresa, o Governo inicia a construção da nova linha e a subconcessiona. Os recursos obtidos com o contrato são utilizados nas obras da mesma ferrovia e em outras. Isso foi feito no trecho Açailândia (MA) – Palmas (TO), de 720 km, da Norte Sul — a Vale pagou R$ 1,478 bilhão pelo direito de utilizar os trilhos por 30 anos. Mais que movimentar minério, a empresa mirou no transporte de grãos da região, já que a Norte-Sul está ligada à Estrada de Ferro Carajás, da mineradora. Quando estiver finalizada, a ferrovia terá 2.760 km, entre Belém (PA) e Panorama (SP).

A empresa vai iniciar a construção da Ferrovia Bahia-Oeste, no trecho Ilhéus-Caetité, no segundo semestre deste ano. A obra vai custar R$ 6 bilhões e também será objeto de subconcessão. Apesar dos altos valores, Neves acredita que uma das melhores formas de se enfrentar a crise é com a infra-estrutura ferroviária. “Com toda certeza, a saída para a crise passa também pelo investimento na construção de ferrovias – para reduzir os custos de transporte, aumentar a competitividade dos produtos brasileiros e o próprio custo Brasil”, garante.

As outras ferrovias que estão sob a responsabilidade da Valec são as linhas entre Panorama (SP) e Porto Murtinho (MS); Boqueirão da Esperança (AC), na fronteira com o Peru, e Litoral Norte-Fluminense, no Rio de Janeiro, em cidade a ser definida.

Já o Trem de Alta Velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro e São Paulo – sempre falado, mas nunca realizado – vê uma luz no fim do túnel. O Governo acena com disposição de finalmente dar início ao projeto. A previsão é que a licitação para a escolha do consórcio que vai construir e operar o sistema aconteça no segundo semestre de 2009. A linha terá 518 km de extensão, ligando Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, com um investimento previsto de US$ 11 bilhões.

Os projetos da iniciativa privada para expansão da malha, sob responsabilidade das operadoras de carga, sofreram os efeitos da crise. Algumas obras tiveram seu cronograma modificado, mas o setor tem como certo que serão mantidas. “Ainda é prematuro falar sobre o assunto. Temos notícias de vários adiamentos, mudanças de escopo e reestudos, mas muitos serão mantidos”, afirma o diretor-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.

A Ferronorte vai ganhar mais 206 km, entre as cidades mato-grossenses de Alto Araguaia e Rondonópolis. A construção ficará a cargo de um consórcio encabeçado pela Constran, que receberá da operadora ALL pelo direito de passagem na linha por 25 anos. A licença para as obras, de acordo com o Ibama, deve sair em fins de abril.

A operadora Ferroeste, do Paraná, tem três projetos de expansão da sua malha. Uma delas é a ligação entre Guarapuava e o porto de Paranaguá, sem que seja necessário passar pelo trecho da ALL, dando fim a um importante gargalo, e encurtando a viagem em 125 km. A obra está orçada em R$ 985 milhões. As outras duas obras são entre Cascavel e Foz do Iguaçu, com 170 km de extensão e custo previsto de R$ 390 milhões; e Cascavel e Maracaju (MS), de 500 km e orçamento de R$ 970 milhões.

A Transnordestina terá, quando pronta, 1.800 km de extensão, sendo 650 km de linhas novas, entre o interior do Piauí e os portos de Suape (PE) e Pecém (CE). O trecho em construção no momento é entre Missão Velha (CE) e Salgueiro (PE), de 96 km, que é prometida para ser entregue no segundo semestre de 2009. Orçada em R$ 5,4 bilhões, está sendo construída com recursos da própria operadora, a Transnordestina Logística (ex-CFN). Os outros financiadores são o BNDES, Banco do Nordeste, Ministério dos Transportes e Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), gerido pela Sudene, cujo contrato de financiamento – o único que faltava – foi fechado em abril, prevendo a liberação de R$ 2,6 bilhões.

Escrito por:  Rômulo Tesi

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10 opiniões para o artigo: Saída pelos trilhos

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Opinião de reinaldo oliveira
Na data: 12 de maio de 2009 as 23:25

Sou um entusiasta para que realmente o transporte sobre trilhos se tornasse realidade no país. Mas sou cético quanto as ações governamentais nesse sentido.

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Opinião de Vitor
Na data: 12 de maio de 2009 as 22:37

Já não era tempo. A escolha da matriz rodoviária para o nosso transporte foi feita em função do lobby da indústria automobilística que aqui se instalava nos anos 50. Foi uma escolha completamente equivocada, dada a nossa dimensão continental.

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Opinião de Luiz Aimberê Soares de Freitas
Na data: 12 de maio de 2009 as 17:34

Veja a tese de doutorado de minha autoria. Ferrovia Manaus-Boa Vista – Georgetown. Com possibilidade de chegar a Porto Velho e de lá conectando-se com o Brasil inteiro.
Entre em contato com aimbere.freitas@gmail.com para maiores detalhes.
Parabéns pelo belo artigo.
Aimberê Freitas

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Opinião de Lucas Ferrari
Na data: 11 de maio de 2009 as 19:20

Dêem graças ao sucateamento das linhas ferroviárias, meus amigos. O Brasil está sendo alvo de investimentos estrangeiros e admiração internacional por se sobressair, em meio à crise, como um país sub-desenvolvido pouco afetado por ela. E tudo isso graças ao superincentivo à produção de automóveis, que estão sendo vendidos como água no Brasil (graças a medidas como a redução do IPI e o sucateamento do transporte público), enquanto no resto do mundo franquias, filiais e matrizes de gigantes automobilísticas estão fechando as portas.

O Brasil escolheu um meio eficiente de se industrializar ao privilegiar a indústria de automóveis, que depende de várias outras fábricas periféricas de peças e afins – fazendo com que todo um país seja mobilizado com a montagem de carros. Um ponto contra é a situação desgraçada em que se encontra o transporte públicos. Mas coloquemos na balança, e, por fim, demos graças ao setor que nos ajuda a segurar as pontas em meio à tanta quebradeira econômica no mundo capitalista globalizado.

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Opinião de WELLER MARCOS
Na data: 11 de maio de 2009 as 19:19

SAÍDA PELOS TRILHOS é um excelente artigo de Rômulo Tesi. Não é opinativo, mas informativo com detalhes. Mostra o conhecimento de causa e orienta sobre um assunto que poucos conhecem e dominam. Os números projetados na matéria enumeram o desenvolvimento brasileiro com uma realidade indescritível.Gostei e parabenizo o site e o autor pela inserção de trabalho jornalístico tão valioso. Adios Muchachos

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Opinião de WELLER MARCOS
Na data: 11 de maio de 2009 as 19:06

Nós aqui de Mato Grosso estamos ansiosos esperando os anunciados 206 km de ferrovia ligando Alto Araguaia a Rondonópolis. Trabalhamos muito nos últimos anos para colocar esta prioridade na pauta dos governantes, e finalmente a estrada vem sendo construída no ritmo que é possível. Não podemos nos esquecer das pessoas que usaram a ferrovia como bandeira de luta: o falecido senador Vicente Vuolo, o ex-deputado federal Antonio Correia da Costa e o ex-diretor da Defesa Civil de Mato Grosso – eng.Domingos Iglésias Valério. Fui pessoalmente a Alto Taquari assistir a inauguração do primeiro trecho dessa ferrovia, e é impossível descrever a emoção que tivemos ao ver o trem caminhando sobre os trilhos. Agora estamos lutando para que a linha chegue a Cuiabá, e quem lidera o Movimento é o vereador pela Capital mato-grossense Francisco Vuolo, filho do ex-senador Vicente Vuolo que segue com o ideal do pai. Os trens modernos não são mais destinados a passageiros; é por isso que muitas pessoas não conseguem entender essa interrupção que houve no sistema ferroviário. É lamentável ver tantos comentários feitos com o único objetivo de criticar o Governo e descrever o povo, de modo geral, como corruptos e trapaceiros. Esse discurso derrotista já está ultrapassado. Que venham os trens para o progresso do Centro Oeste e também para o Norte do Brasil.
Adios Muchachos

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Opinião de J. B.
Na data: 11 de maio de 2009 as 15:23

Espero que volte as viagens de trens, porque temos poucos incentivos na área, o Brasil regrediu nesta área, as poucas viagens existentes no país foram destivadas

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Opinião de Halph
Na data: 11 de maio de 2009 as 14:44

O que no Brasil é novidade no século XXI, nos outros países já existe desde o início do século XX. Bom, antes tarde do que nunca.

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Opinião de luis fernando duarte
Na data: 11 de maio de 2009 as 12:21

Meus caros,
de nada adianta só pensarmos em minério de ferro. A antiga RFFSA ,hoje MRS deixou na mão todo mundo e se voltou para o minério da Vale.
Mesmo assim, se não bastasse a Vale englobou os serviços ferroviários nas autras atividades meio e fez um exorbitante preço. Nem me fale em Sepetib a,onde o modelo se repete. Cadê o m inistério público.Nestes casas poderemos invocar a Carta Magna pois de casao de monoplólio e abuso do poder econômico

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Opinião de Evandro Correia
Na data: 11 de maio de 2009 as 10:25

O transporte ferroviário é muito mais barato do que o rodoviário. Acontece que rodovia dá mais voto, e mais propina de empreiteira, por isso nos últimos 50 anos investimos quase só no sistema rodoviário. Começou a orgia com Juscelino e continuou com todos os outros.

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Atualizado 02/09/2010 15h45