Início » Opinião » Artigos » Semelhanças político-econômicas
Artigo

Semelhanças político-econômicas

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Embora talvez não pareça, há muitas semelhanças entre e a economia e a política, a começar da influência fundamental daquela sobre esta e vice-versa. No final das contas, uma relação simbiótica.

No quesito comportamento reprovável, então, é que os pontos em comum mais se avolumam. A avalanche de sujeira que tem surgido no noticiário com relatos como o do banco suíço UBS ou o do inglês Lloyds TSB, ambos confessos autores de práticas ilegais no mercado financeiro americano, não é menos avassaladora que as reportagens sobre desmandos na seara governamental e política tanto do passado governo Bush quanto do atual Lula da Silva, no Brasil.

Quanto mais a administração Obama despeja recursos no saco sem fundo dos bancos e automobilísticas americanos, mais eles pedem, embora não se pejem de ainda gastar dinheiro inutilmente em festas, comemorações, sabe-se lá do quê. Seus dirigentes estão tão alienados por anos de bonança artificial e bônus multimilionários que não enxergam a saída da enrascada financeira em que enfiaram suas companhias.

É fácil e cômodo pôr a culpa na crise, mas é fato que as três grandes automotivas americanas e outras empresas têm sido escandalosamente mal administradas durante anos. O prejuízo de trinta e um bilhões de dólares da GM sofrido em 2008 não saiu do nada, de um estalo a partir do início da atual crise econômica.

Citibank, GM, Bank of America e outras empresas ficam a salvo da bancarrota porque são ditas “grandes demais para quebrar”. Sob esse álibi, o governo entorna montanhas de recursos nas burras de firmas deploravelmente administradas, emaranhadas em um sistema irremediavelmente viciado.

Agora, fala-se em regular adequadamente os mercados, mas essa questão está atrelada à qualidade dos órgãos reguladores e dos gestores públicos dos vários países,  que terão de administrar esta vigilância ao mesmo tempo em que convivem com predadores financeiros altamente criativos. Algo comparável com os hackers que criam vírus. Se até hoje ninguém acabou com os ataques virtuais aos computadores, de duas, uma: ou isso não é possível ou não há interesse.

Os esquemas fraudulentos de Bernard Madoff, Allen Stanford e de alguns bancos de renome duraram anos, apesar de os dois primeiros terem sido identificados e denunciados, exaustiva e inutilmente, há pelo menos uma década.

A chantagem que se faz com o argumento de ser “grande demais para quebrar” precisa ser descaracterizada para que as coisas possam ser postas nos devidos lugares. O governo sueco não caiu nessa e negou ajuda à Saab, uma subsidiária da GM, e os cidadãos alemãos estão fazendo passeatas com o mote “Yes, we can, auch ohne GM” (Sim, nós podemos, sem a GM), aludindo à separação da Opel de sua controladora americana.

Isso vale também para a política, onde há deputados e, principalmente, senadores, “grandes demais para quebrar”, que se o fizerem, levarão de roldão boa parte do Congresso Nacional. É óbvio que se perpetuam não só pela própria força, mas mediante a deplorável qualidade das alianças que os sustentam, uma nauseante farinha do mesmo saco.

Esses políticos, no caso do Brasil, são análogos àquelas empresas e bancos americanos: mantidos pelos votos, não melhoram a qualidade dos serviços parlamentares que prestam à comunidade.

No esquema fraudulento da política brasileira, quem sabe deixar a politicalha à míngua, na base do voto nulo, seja a solução para que os simplesmente ruins e os verdadeiramente maus quebrem?

Um caso a pensar, quando as pessoas estiverem suficientemente casadas da socialização de prejuízos, tanto comerciais quanto políticos.

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Markut disse:

    Tomo a liberdade de discordar de Luiz Leitão, ao propor o voto nulo, para desalojar, merecidamente, essa gang que aí está.
    Creio que o voto nulo já pressupõe uma conscientização do eleitor, o que não vai se conseguir, enquanto o nivel de escolaridade básica estiver no estado em que está ,atualmente,com os currais eleitorais convenientemente preparados para abastecer a desinformação e as inuteis esmolas assistenciais.
    Vejo aí um círculo vicioso penoso, pois a bandeira a ser desfraldada da necessária revolução no ensino, implica num apetite político das vossas excelências, que, simplesmente,não existe.
    Para eles,o que importa é o bordão: Cadê o meu?
    Falta a pressão da sociedade civil sobre essa gente e, ao que parece, estamos todos anestesiados e sem ação, diante desse tsunami diário de escândalos e malfeitos da classe política, que nós mesmos escolhemos.
    O perigo disso é o surgimento oportunista de algum demagogo populista, de plantão, que poderá explorar esse estado de surda revolta e, aí, a emenda ficar pior que o soneto.
    Muito a contragosto, confesso-me bastante pessimista.
    Será o depoimento do sen. Jarbas Vasconcellos um salto qualitativo neste lamentavel affair?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *