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Sobre crimes eleitorais ou Homenagem ao jornalista Pimenta Neves

Ninguém deveria se surpreender com (mais) uma denúncia envolvendo filiados do Partido dos Trabalhadores. Especialmente no fragor da disputa eleitoral. Afinal, o principal marketeiro da vitoriosa campanha de 2002 confessou em pleno Congresso Nacional, diante das câmaras de televisão que transmitiam ao vivo para todo o País, que parte de seus elevados e justos honorários foram pagos com recursos não contabilizados, em conta no exterior.

Ora, ocorre com os crimes eleitorais o mesmo que se sucede com todos os demais crimes neste País: a impunidade é a regra. Os sicários brasileiros sabem que dificilmente serão flagrados pela polícia. Se essa hipótese improvável acontecer, eles sabem que a polícia não dispõe dos meios para investigar. Se o clamor público for muito grande e os meios se oferecerem, eles sabem que o labirinto dos procedimentos policiais pode tornar um inquérito imperfeito, ou melhor ainda, inconcluso. Se ainda assim a pressão for grande e as autoridades com êxito concluírem o inquérito, eles contam com o arsenal infindável de recursos processuais. Assim, no pior cenário, se não houver prescrição, o criminoso eleitoral sabe que cumprido um sexto da pena sairá livre. A exemplo do jornalista Pimenta Neves, homicida confesso, que dificilmente cumprirá um único dia de prisão depois que sua condenação transitar em julgado.

Os senhores que foram presos no último dia 15 de setembro, num escândalo envolvendo a suposta compra de dossiê contra candidatos da oposição, sabiam avaliar seus riscos. Bem como seus cúmplices. Basta constatar que há ex-policiais e advogados entre eles. Ainda que tenham tido azar com o flagrante, eles sabem que a máquina burocrática da Polícia e da Justiça conspirará a seu favor.

Se as expectativas mais sinistras se confirmarem para eles, dentro de muitos anos serão julgados e condenados. E se o eleitor deixar, o candidato em benefício de quem exerceram o abjeto mister já terá cumprido na íntegra o seu mandato, desfrutando confortavelmente de mais uma aposentadoria integral.

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3 Opiniões

  1. Markut disse:

    Este panorama desencorajador e realista, nos põe frente a duas opções antagônicas:
    -Ou desistir ,de uma vez, e que seja o que Deus quiser
    -Ou, outra, mais construtiva e talvez um pouco romântica, que é continuar botando a boca no trombone, até que se veja algum resultado. Creio que é tarefa para muitas gerações, até que os efeitos se façam sentir, mas não vejo outro caminho.
    Todas as reformas necessárias, passam por um mesmo fulcro, que é uma cidadania mais atuante e, portanto, mais esclarecida e exigente.
    Enquanto isso não acontecer. teremos o mesmo cenário da impunidade , a falta de uma mentalidade de respeito às leis, lastreada numa massa de cidadãos desinformados e mistificados pela demagogia esperta e oportunista.

  2. federica disse:

    Concordo em genero, número e grau com Markut. Só que eu tenho a certeza de que não devemos desistir. Isso não me passa pela cabeça, e agradeço a existência de pessoas pensantes como àquelas que estão por trás deste jornal.

  3. Geovane disse:

    Num pais onde a lei é fictícia para parlamentares não é anormal que aconteça essas “palhaçadas” penais, o “Circo Brasil” mais uma vez apresenta um espetáculo de horrores eleitorais, onde o ingresso para o espatáculo é o título de eleitor, aqui não rimos por pura graça, sorrimos de revolta e raiva, sem ofensa aos nobres Palhaços que tiram sorrisos com brincadeiras, sonhar somente isso nos resta para um Brasil melhor, Collor presidente deposto do cargo, ganha nessas eleições de 2006 o como senador, sinto vergonha por ser brasileiro, somos marionetes de manuseio simples, somos incapazes de raciocinar, deixamos esse trabalho para os excelentissimos políticos eleitos, dia 29/10/06 terá a segunda parte da “cagada” eleitoral, votaremos no candidato tucano ou no petista seremos enganados de que forma, numa mais escondida e profissional, ou outrora continuaremos na reeleição dos inesperientes “ladrões”, que são como crianças que roubam e mentem na mais pura “cara-de-pau”, não sei quem é mais palhaço neste circo Derradeiro.

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