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Grandes Brasileiros

Eugênio Gudin

Eugênio Gudin morreu em 24 de outubro de 1986

Eugênio Gudin Filho nasceu no dia 12 de julho de 1886, no Rio de Janeiro, e morreu em 24 de outubro de 1986. Considerado o pai do liberalismo e um dos grandes responsáveis pela difusão dos estudos econômicos no Brasil por mais de 50 anos, teve seu trabalho e suas obras reconhecidos em todo o país. Muitos creditam a ele a liderança da corrente liberal no Brasil e o interpretam como o economista mais importante entre 1930 e 1964.

Gudin se formou em Engenharia pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, em 1905. E foi somente na década de 20 que se interessou pelas ciências econômicas. Nesse período, começou a publicar artigos sobre economia n´O Jornal.

Nos anos 30, ele destacou a importância do ensino da lógica econômica aos estudantes de Engenharia e Direito. Mais tarde ajudou na fundação da Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas, a primeira voltada para a área no Brasil. Já na década seguinte, foi convidado pelo então ministro da Educação, Gustavo Capanema, a redigir a lei que institucionalizava o curso acadêmico no país.

Na década de 50, Eugênio Gudin ganhou espaço no cenário econômico nacional. Participou do I Congresso Brasileiro de Economia e foi o delegado brasileiro na Conferência Monetária Internacional, em Bretton Woods (EUA), onde teve como assessor o jovem economista Roberto Campos. Durante essa reunião – que se caracterizou pela afirmação dos princípios liberais no regimento do mercado mundial, defendidos arduamente pelo brasileiro – foram desenvolvidos o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Internacional para a Reconstrução e para o Desenvolvimento (BIRD). Além disso, Gudin exerceu durante oito meses a função de ministro da Fazenda do presidente Café Filho. Entre agosto de 1954 e abril de 1955, Gudin tentou implementar uma política econômica de rígido controle monetário a fim de segurar os índices inflacionários. Seu mandato foi marcado pela criação do Imposto sobre Energia Elétrica, pela introdução do desconto do imposto de renda sobre o trabalho assalariado diretamente na fonte e pela facilitação de investimentos estrangeiros no país. Ainda especula-se sobre a real razão ele ter se demitido do posto de ministro. Alguns acreditam que foi impulsionado pelo pedido de substituição da presidência do Banco do Brasil, feito por Jânio Quadros, enquanto outros pensam terem sido as reclamações dos cafeicultores contra o chamado confisco cambial as responsáveis por estimular o economista a entregar o cargo.

Como presidente do Instituto de Economia da Fundação Getúlio Vargas e membro da Associação Econômica Internacional, Gudin promoveu a vinda de vários economistas de fama internacional ao Brasil. Com esses eventos e conferências, buscava ampliar a discussão sobre o desenvolvimento econômico de nações subdesenvolvidas. O engenheiro brasileiro sempre se interessou muito pelas particularidades das economias latino-americanas. Atuou, assim, como um intelectual envolvido nas questões político-econômicas do Brasil. Apesar de defender o liberalismo, Gudin preocupou-se em repensar princípios liberais na ótica de uma economia em desenvolvimento. Buscou, portanto, renovar e adaptar conceitos como o livre-cambismo a casos específicos como o subdesenvolvimento.

Politicamente, Gudin se articulou contra o ex- presidente João Goulart e apoiou o golpe militar de 1964, mas foi contra a permanência dos militares no poder e o intervencionismo estatal proposto por eles. Anteriormente, Eugênio havia se posicionado contra a restrição de investimentos estrangeiros na Petrobras. Associado à União Democrática Nacional (UDN), manifestou-se publicamente em favor da campanha promovida contra Vargas, durante seu segundo mandato. Entre as décadas de 60 e 70, o economista atuou como presidente da Fundação Getúlio Vargas, onde desenvolveu o Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) e a Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE), dos quais foi diretor. Durante muitos anos permaneceu vinculado à FGV do Rio de Janeiro e ali consolidou um pensamento econômico significativo dentro do Brasil. Entre seus companheiros e discípulos estão os ex-ministros Octavio Gouveia de Bulhões e Mario Henrique Simonsen.

Eugênio Gudin continuou ativo em sua carreira profissional até o final de sua vida. Durante alguns anos publicou no jornal O Globo artigos de opinião sobre a Economia nacional e internacional. Ele morreu três meses depois de completar 100 anos de idade, em 1986, no Rio de Janeiro.

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18 Opiniões

  1. Hildegardo de Noronha disse:

    Sugestão de outros notáveis: Roberto Campos e Mario Henrique Simonsen, dois grandes brasileiros, independente do viés ideológico!!!

  2. Anônimo disse:

    Não venha fala de Roberto Campos, pai do Entreguismo e privatizações.

  3. Ascânio Pinto disse:

    Acho que no fundo o leitor “anônimo” sabe a estultice que está dizendo e por isso não revela seu nome. Aliás, o anacronismo do comentário combina com o péssimo português…

  4. Da redação disse:

    Agradecemos ao leitor Hildegardo as excelentes lembranças. Foram sem dúvida dois grandes homens de nosso tempo. Acontece que estamos buscando trazer de volta pessoas mais “esquecidas”. Eugenio Gudin, p. ex., é um nome desconhecido para as novas gerações. Não falamos até hoje de Machado de Assis, mas fomos buscar seu contemporâneo Lima Barretto. Falamos do grande Osvaldo Cruz que é outro nome que os jovens de hoje desconhecem. Agradeceríamos sugestões nessa linha de grandes “esquecidos”.

  5. Jesus Martinez Ruiz disse:

    Meus parabéns pela reportagem publicada sobre a vida do economista Eugénio Gudin, serve como exemplo a ser seguido pela nova geração Brasileira.

  6. Cleveland Abreu Perrone disse:

    Muito boa e objetiva a sucinta biografia do mestre do liberalismo, o pouco lembrado Eugênio Gudin. O (ou a) articulista que a redigiu poderia agora contemplar personalidades,hoje algo esquecidas,do quilate de Sobral Pinto,Adauto Lúcio Cardoso,Aliomar Baleeiro e vultos de igual perfil.

  7. Eduardo Teixeira disse:

    Grande idéia de falar do Gudin, que independentemente de suas inclinações políticas (apoio a 1964, etc.) ajudou a formar nosso país. Que tal agora Oswaldo Aranha, Pinheiro Machado, Barão do Rio Branco e Joaquim Nabuco?

  8. Hildegardo de Noronha disse:

    À redação: infelizmente acho que Roberto Campos e M H Simonsen estão esquecidos sim e deveriam ser mais lembrados, pois foram exemplos de coerência e a juventude de hoje não sabe quem foram. Não há compararação com os Palocci, Mantega e (?) Bernardo, ministro do planejamento atual, ninguém nem se lembra do nome. O PT não tem quadros, esta é a grande verdade, independente da ideologia. Recentemente tivemos Andre Lara Resende, Persio Arida, Edmar Bacha e Armínio Fraga, grandes nomes que socorreram o país em momentos críticos. Vamos louvar quem merece, quem sabe assim estes medíocres se escondem em Ribeirão Preto ou em Gênova, de onde não deveriam ter saído. O ON está certíssimo em elogiar grandes brasileiros, precisamos recuperar a auto-estima depois da tristeza do Lula-Botox, Duda Mendonça, José Dirceu, Silvinho, Delúbios e Severinos.

  9. Mirtes Lima disse:

    O senhor anônimo é contra as privatizações, mas veja o que acontece no governo com os Correios, vergonha nacional e início do maior escândalo de corrupção de todos os tempos. Não fossem as privatizações realizadas o PT teria várias “maquininhas de dinheiro” abertas para levantar fundos para se perpetuar no poder, se é que esta é a verdadeira intenção da quadrilha. Quanto ao “entreguismo”, o Lula não se entregou de verdade para o Evo Morales e o Chavez, para não falar de outros ditadores que inveja, como Fidel Castro, Kadafi, etc.?

  10. Eduardo Teixeira disse:

    Aqui não me parece o lugar adequado para debarter as posições políticas (?) dos leitores e sim comentar os artigos e dar sugestões de temas. Vamos nos ater a isso, por favor.

  11. Agenor Amaral disse:

    Uma informação à nova geração, que fica impresssionada quando vê que alguém “apoiou 1964”. A minha geração (já passei dos 70 anos) toda apoiou 1964. Toda a classe média brasileira apoiou 1964. João Goulart caminhava claramente para um golpe e implantação de uma ditadura imitando seu mentor Getulio Vargas. Os militares só criaram coragem de derrubá-lo após enormes passeatas em S. Paulo e Rio pediram sua queda, passeatas essas chamadas de “Marcha da família, com Deus, pela liberdade”. Importantes setores da Igreja Católica apoiaram esse movimento. *** Outra informação que a mídia sonega de vocês: A luta armada, a guerrilha, não surgiram como reação à ditadura militar. Esse pessoal já estava sendo treinado em Cuba bem antes de 1964. Isso é informação fartamente documentada.

  12. EDUARDO TEIXEIRA disse:

    Sem querer polemizar, já que aqui não é o lugar, me parece que leitor Agenor Amaral faz, no mínimo, uma generalização que historicamente não é procedente. Se toda uma geração (qualquer que fosse) apoiava 64, porque o regime então implantado (pela força, destaque-se) não promoveu eleições diretas imediatamente, como era esperado em 1965. A resposta é simples: JK ganharia, com facilidade. Aliás, um regime tão “apoiado” jamais conseguiu manter-se sem medidas de exceção e afastamento compulsório da vida pública daqueles que politicamente dele divergiam.

  13. Da redação disse:

    Agradecendo os comentários sempre ponderados do leitor Eduardo, informamos que a polêmica é benvinda, desde que levada com boa educação e respeito aos demais. Só deixamos de publicar agressões e ofensas, fora isso a divergência de idéias nos parece positiva.

  14. Paulo Roberto de Oliveira disse:

    “O GOVERNO FEDERAL DESCUMPRI A CONSTITUIÇÃO DE 1988”.

    Todo crime no Brasil as Autoridades Governamentais fazem de tudo para investigar através das Polícias, do Ministério Publico e dos Promotores Públicos apoiados pelas os Órgãos não Governamentais como as ONGs e OAB e outros. No mundo atual é considerado crime grave abusos com crianças, violências e maltratos a mulheres, abandono e falta de respeito a pessoas idosas. Não adiantou nada neste País vigorar os Estatutos dos Idosos como defesa dos direitos de pessoas com as idades avançadas, por conseguinte, demagogicamente o Governo Federal defende os direitos destes cidadãos, mais em contra partida, quando é para o Governo pagar os direitos por erros cometidos pela administração de Presidentes anteriores, o Governante tenta empurrar o problema para o judiciário, não querendo de forma alguma assumir nenhuma responsabilidade, se omitindo para não pagar pelos arbitrários abusos dos Governantes anteriores, cometidos a cidadãos simples e humildes.

    E consequentemente, Acaba contrariando a nossa democracia tentando burlar a nossa Constituição, não assumindo nenhum erro que é de sua total responsabilidade, a exemplo dos nossos Ex Cabos da Força Aérea Brasileira, que estar sendo verdadeiramente abandonados por este Governo, num total descaso em não querer assumir as pesadas pancadas que levaram no período da Ditadura Militar, os quais ainda se encontram com as feridas ainda não cicatrizadas, pelas as irresponsabilidades dos Governantes do Regime Militar, que infelizmente um Governo que se proclamou democrático, faz questão de manter a ferida aberta não concedendo os direitos que a Lei 10.559/2002, assegura para todos Ex militares que foram vítimas da nociva Portaria 1.104/Gm3/1964, no período de 1964 á 1982.

  15. Saburo Takahashi disse:

    Com certeza o Brasil seria outro se houvesse mais brasileiros como Eugênio Gudin.
    Em artigo no Estadão, há mais de cinquenta anos atrás, ele fez um paralelo entre os EUA de 1900 e o Brasil de 1950. Similares em números como populações, inclusive urbanas e rurais, PIB, etc., citou duas ou três diferenças fundamentais, entre elas o percentual de crianças em idade escolar matriculadas. As outras, não me lembro.
    Logicamente, hoje, após os EUA terem vencido duas guerras mundiais e ter se tornado uma potência planetária, não há paralelismo que resista. Mas, fica a sensação de que a diferença poderia ser menor.

  16. Saburo Takahashi disse:

    Lembrei do artigo do Eugênio Gudin no Estadão, há mais de cinquenta anos atrás, fazendo um paralelo entre os EUA de 1900 e o Brasil de 1950 por causa de uma matéria da revista Exame, edição 957, nº 23, 02/12/2009, ano 43, página 18, intitulado “Grandes Números”, de Roberta Paduan. A matéria começa com a frase: “O Brasil ainda não chegou à década de 70” e compara os números de automóveis, aviação, telefonia e televisores entre os EUA e o Brasil.
    A matéria termina assim: “Se por um lado o quadro revela o atraso brasileiro, por outro indica enormes mercados a ser explorados”.

  17. Markut disse:

    Pois é, ANONIMO.Você não tem a menor idéia do que é entreguismo e privatização!
    Creio que o seu problema é ter a mente capturada por chavões vociferados.

  18. Dalton C. Rocha disse:

    É uma lástima, que este grande homem foi pouquíssimo ouvido e menos ainda seguido. Viveu cem anos e morreu em 1986, mas suas ideias seguem 100% certas hoje. Quanto ao Regime Militar, ele teve mais de 97% de aprovação popular, até que os esquerdistas Geisel e Figueiredo desandassem a endividar e inflacionar o país.

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