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O russo Lasar Segall (1891-1957) tinha a alma pintada de verde-amarelo. Considerado um dos maiores nomes da nossa arte moderna, o artista naturalizado brasileiro nasceu em 21 de julho de 1891, na comunidade judaica de Vilna, Lituânia — então sob domínio da Rússia –, onde começou a estudar desenho. Mais tarde, mudou-se para a Alemanha, onde aprimorou ainda mais os seus dotes artísticos. No fim de 1912, viaja pela primeira vez para o Brasil, país onde moravam três de seus sete irmãos.
No entanto, é somente no ano de 1923 que ele se muda para São Paulo, após ter conquistado reconhecimento no exterior. Essa mudança exerce uma enorme influência sobre a produção de Segall. Ao trocar o clima opressivo da vida alemã pela amplidão dos espaços brasileiros, acontece uma verdadeira revolução na alma e na pintura do artista. Mais tarde ele iria declarar que foi em terras brasileiras que presenciou o ‘milagre da cor e da luz'.
A luminosidade tropical, a vegetação luxuriante, de formas exóticas e coloridas, a movimentação sensual das pessoas nas ruas, as figuras dos negros, a arquitetura primitiva das favelas do Rio de Janeiro, tudo causa enorme impacto no europeu recém-chegado. As obras ‘Paisagem brasileira' (1925), ‘Menino com lagartixa' (1924), ‘Rio de Janeiro' (1927) e ‘Mãe cabocla' (1944) demonstram o início dessa fase, denominada sua "Arte Brasileira". Ele passa a conviver com grandes modernistas brasileiros, como Mário de Andrade, que já acompanhava o seu trabalho através de jornais e revistas.
Um ano após separar-se de sua primeira esposa, Margarete Quack — com quem havia se estabelecido no Brasil — em 1925 se casa com Jenny Klabin, sua ex-aluna de desenho. Lasar Segall foi um homem extremamente passional: retratou as companheiras e outras mulheres de forma recorrente ao longo da sua produção artística. Caso, por exemplo, da pintora e posteriormente sua colaboradora, Lucy Citti Ferreira, eleita a musa inspiradora de Segall em mais de 50 obras suas.
Em 1937, dez obras de sua autoria são incluídas na Exposição de Arte Degenerada, uma mostra organizada pelos nazistas em Munique com a finalidade de desqualificar a Arte Moderna. Muitas de suas obras são consideradas expressionistas, porém até 1914, elas haviam sofrido uma forte influência do impressionismo alemão e francês – e de artistas como Cézanne e Van Gogh. Quadros dessa época, como ‘Retrato de Margarete' e ‘Leitura', revelam justamente essa transição para o expressionismo.
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