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Festas Juninas

Como é o São João em várias partes do mundo

Em países como Polônia, Ucrânia e Finlândia, a noite de São João não fica devendo muito às festas juninas do Brasil

Como é o São João em várias partes do mundo
Um das festas mais populares do Brasil, o São João também é comemorado em outros países (Reprodução/Internet)

Nem carnaval, muito menos réveillon. Para muitos entre a brava gente brasileira, a festa popular mais esperada do ano é o São João. Neste ano de 2015, a noite de São João acontecerá nesta quarta-feira, 24, o que significa que muita fogueira vai arder, muito salsichão vai para a brasa e muito som de sanfona vai ecoar na noite fresca do começo de inverno pelo Brasil afora.

Aliás, o São João tal e qual o conhecemos é tão típico do Brasil, é caracterizado de maneira tão marcante com a comida, a música e as roupas da gente matuta da nossa terra, que a maioria das pessoas tende a pensar que esta é uma festa exclusiva nossa.

Exclusiva nossa? Que dizer, então, da Noc Świętojańska, “Noite de São João” em bom polonês. Na Polônia, a Noc Świętojańska faz parte do calendário oficial das cidades mais importantes do país, como Varsóvia e Cracóvia, e uma das tradições da festa é justamente o uso de fantasias — não de caipira, claro, mas de pirata. Que dizer também da festa de Ivana Kupala (João Batista) na Ucrânia, onde é comum — vejam só — a brincadeira de pular a fogueira.

 

Juhannus: fogueira (kokko) e salsichão (makkara)

 

Já o São João da cidade do Porto, em Portugal, por vezes pode parecer mesmo uma mistura de carnaval com réveillon. Entre as tradições estão os martelos de plástico, os famosos martelinhos de São João do Porto — que há algumas décadas chegaram a ser proibidos porque as autoridades entenderem que o brinquedo atentava contra a tradição –, e fogos de artifício à meia-noite.

Nos países no norte da Europa a noite de São João coincide com o solstício de verão, o dia mais longo do ano e marco da chegada do clima mais quente. Curiosamente uma das festas de São João daquela região mais parecidas com as do Brasil é o Juhannus. Sim, Juhannus, o São João finlandês, entre cujos maiores símbolos estão dois itens de festas juninas que nos soam bem familiares: a fogueira (kokko) e o salsichão (makkara).

Em Penedo, no sul do estado do Rio de Janeiro, única colônia finlandesa do Brasil, são comuns as celebrações do Juhannus, ainda que mais à moda brasileira mesmo, mas sempre, obrigatoriamente, com uma bandeira da Finlândia hasteada entre bandeirinhas coloridas e ao som de forró, xotes e xaxados.

Em reportagem recente sobre o Juhannus, a revista de viagens Lonely Planet parece ter achado a expressão mais certeira para descrever a noite de São João na Finlândia: é a noite em que o país “descongela”.

 

Do casamento na roça ao casamento nórdico

 

Na Finlândia aliás, tem até uma versão nórdica, por assim dizer, do nosso casamento na roça, brincadeira que não pode faltar em São João brasileiro que se preza.

No folclore finlandês, a meia-noite do Juhannus marca o momento em que as finlandesas solteiras tentam descobrir, identificar quem serão os seus futuros e respectivos maridos. Uma crença muito comum é a de que se uma garota ficar nua em um lago precisamente à meia-noite ela vai ser capaz de ver o rosto daquele que virá a ser o seu consorte.

Isso no país com o maior número de lagos em todo o mundo. Mas se aqui o casamento na roça não passa de uma encenação, lá, na Finlândia, o São João parece de fato inspirar o romantismo: a época do Juhannus é a mais popular para se casar.

E quem achava mesmo que o São João com fogueira e salsichão era nosso — só nosso — e achou estranha a ideia de poloneses pulando fogueira no fim de junho, não gostará nada da tese defendida por alguns estudiosos de que o “2 pra lá 2 pra cá” do arrasta-pé do forró, afinal, veio da polca…

6 Opiniões

  1. Rosa Maria disse:

    Outros tempos… A Festa era aguardada com muita ansiedade. Tinha bolo de milho, aipim e tb de tapioca. Canjica de milho , mungunzah ( de beber e de cortar ), licor de jenipapo, pe-de-moleque. Tudo feito em casa. Os fogos das criancas
    eram estrelinhas e rodinhas. Os adultos soltavam “adrianino”. Muita musica de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marines. As quadrilhas, nao as que hoje tanto aterrorizam, eram ensaiadas bem antes da festa. Os pares seguiam atentos a marcacao da”autoridade oficial”. Os vestidos das mocas eram de tecido bem barato e combinavam com as camisas dos rapazes. Predominava o xadres.
    Alem de pular a fogueira (ato que fazia os pulantes tornarem-se comadres/compadres), havia as advinhacoes: faca na bananeira, duas agulhas, clara de ovo na agua, pingos de vela. Todas realizadas a meia-noite, com o objetivo de descobrir com quem mocas/rapazes se casariam.
    Hoje, em Cascadura , na casa de “Seu” Joao (um figuraco) ha uma festa que vale a pena participar. A musica do Dudu, as comidas, a quadrilha, as familias curtindo. Eh diversao garantida.
    Mas eh preciso usufruir do convivio dos familiares e ser convidado/a.

  2. Isabel Rodrigues disse:

    Moro na zona sul do Rio de Janeiro, tenho 49 anos e posso afirmar que sempre teve salsichão (não é linguição não) em tudo quanto é festa junina desde que me entendo por gente, inclusive nas festas juninas dos tradicionais colégios do Rio de Janeiro. Tinha e ainda tem sempre o trio preferido de crianças e adultos: salsichão, churrasquinho e cachorro-quente.

  3. Pereira disse:

    Salsichão? Só se for recente, porque no meu tempo de criança, não existia…aliás não me lembro de carne em festa junina, só de doces e fogueira.

  4. dayana disse:

    lindo

  5. Prof. Silvio Ribeiro disse:

    Salsichão? Aqui no Brasil?
    Posso concordar com tudo o que o articulista inseriu no texto.
    Mas…salsichão? Aqui não!
    Linguiça toscana (linguição) pode ser.

    Já estive em festas de São João, em quase todo o Brasil e nunca vi salsichão na brasa, no norte, no nordeste, nem no sudeste.
    Em algumas poucas colônias européias do sul, pode ser.
    Agora afirmar que salsichão na brasa é hábito nas festas juninas brasileiras, é de doer.
    Mas… salsichão, never nunca!

  6. áureo Ramos de Souza disse:

    Que exista São João em outros países tudo bem mais o do nordeste acabou só restou mesmo as comidas típicas pois as quadrilhas são uma verdadeira OLHA A TRADIÇÃO AÍ GENTE, até nome de escolas de samba as quadrilhas tem e as vestimentas não são mais de matuto e carro alegórico isso não existe não é uma verdadeira parafernália junina onde se gasta com uma fantasia R$ 800.00. fiz ontem 66 anos fui marcador de quadrilha tradicional como assim chamam mais cadê elas. quadrilha Junina com Enredos e carro Alegórico isto é horrível e além do mais vem a domadora Rede Globo e muda tudo fazendo desfile. Ora, vai te catar.

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