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Conhecendo a Grécia

Atenas é a capital da Grécia. A Acrópole, que quer dizer cidade alta, é uma colina que se destaca verticalmente no meio da cidade

Conhecendo a Grécia
Pártenon (Fonte: Opinião e Notícia)

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ATENAS

Atenas é a capital da Grécia. A Acrópole, que quer dizer cidade alta, é uma colina que se destaca verticalmente no meio da cidade. Nela, lá por 400 a.C., Péricles, que governava a cidade-estado, decidiu erguer templos imponentes que mostrassem a grandeza de Atenas. O Pártenon, dedicado à deusa Palas Atena, padroeira da cidade, é o maior e mais famoso, mas existem mais algumas edificações monumentais. Todas bastante destruídas pelo tempo e pelas guerras. Ninguém mora lá em cima, são só os templos.

Pártenon

O impacto que uma pessoa, tendo ouvido falar do local durante décadas, sente ao vê-lo pela primeira vez é impressionante. Ninguém tinha me dito que a elevação da colina é abrupta, é quase um paredão de pedra na vertical, a separação entre a cidade onde moram as pessoas e o local sagrado é muito nítida. Quando soube que tinha de subir a pé, não há qualquer meio de transporte, pensei que não conseguiria. Habitante do Rio de Janeiro, a elevação me pareceu equivalente à da Pedra da Gávea, que já subi quando mais moço, mas não enfrentaria hoje.

A visão dos templos, lá de baixo, é muito impactante. Como disse um amigo meu, a gente chega quase a acreditar que Deus existe. Na verdade, é provável que essa fosse a razão da construção. Fazer com que o povo, que vivia lá embaixo, ficasse boquiaberto com a grandiosidade dos templos divinos. Afinal de contas, a igreja e a oligarquia dominante eram aliadas, interessadas num povo submisso e temente a Deus.

No fim deu tudo certo. A altura não era tão grande assim e a subida pelo lado oposto era suave, não tinha de escalar o paredão de pedra. Vistas de perto as ruínas impressionam, mas menos do que lá de baixo. Fica a impressão de que toda a arquitetura foi pensada para ser apreciada de baixo da colina, e não de perto pelos freqüentadores dos templos.

Uma outra dúvida inicial ficou resolvida lá em cima. Como é que eles tinham carregado aquelas colunas enormes lá para cima? A resposta é: as colunas não são maciças, são cortadas em fatias já na pedreira e montadas no local, portanto alguma carroça puxada por burros ou bois levaria talvez um pedaço de cada vez. O conjunto todo foi construído em apenas 15 anos, o que é muito rápido comparado com as grandes catedrais européias que freqüentemente levavam 80, 100 anos ou até mais.

Algumas impressões iniciais

COMIDA
– as entradas são mais interessantes que os pratos principais. Folhas de uva recheadas, muito bom. Tzatziki, iogurte com alho, também. Kebab, que é uma espécie de bolo de carne moída, idem. Come-se muito carneiro e porco, mas fiquei com impressão de carne de má qualidade.

– não provei o retzina, o vinho branco com fama de resinoso típico do país, mas os vinhos normais, em estilo europeu, são bastante razoáveis. Os restaurantes não têm vinhos de outros países, só os locais. Será proteção alfandegária ou orgulho patriótico? Eles parecem se ofender quando a gente pergunta se não tem vinho de outros países. Engraçado — em qualquer país, inclusive França, restaurantes têm vinhos de outros locais.

AS PESSOAS

– gentis e simpáticas conosco, mas parecem mal-humorados entre si.

– de modo geral fala-se inglês melhor que em qualquer outro país que já visitei. Isso se refere, naturalmente, à população com que o turista tem contato, ou seja, motoristas de táxi, garçons, balconistas de loja.

– ao contrário do que tinha ouvido falar e está escrito em alguns guias, nenhum motorista de táxi tentou qualquer malandragem para cobrar a mais.

– não vi nenhum sinal de batedores de carteira ou outra espécie de tentativa de roubo. Isso me fez pensar em uma estadia em Madri anos atrás em que em quatro dias fui vítima de três tentativas de assalto.

– o trânsito é meio caótico, lembra a Itália. Aliás, o tempo todo uma certa confusão, a improvisação, a falta de pontualidade, fazem lembrar a Itália.

– quanto aos turistas, que estavam presentes em grande quantidade, uma novidade. A gente costuma reclamar do excesso de turistas japoneses e americanos nos lugares. Desta vez, não. O excesso é de pessoas da Europa Oriental, russos, tchecos e outros. De modo geral meio mal-educados, furando filas, falando alto.

A LÍNGUA

– dependendo da região do país, às vezes parece que estamos ouvindo falar italiano, às vezes espanhol ou português de Portugal, às vezes árabe. Ou seja, é uma língua tipicamente mediterrânea. Os sons das vogais são os mesmos que os nossos, de modo que é fácil pronunciar corretamente as palavras que a gente aprende. A música que se houve no rádio lembra muito a música árabe que se houve em táxis dirigidos por árabes em outros países da Europa.

SEGUNDA ETAPA: CRETA

Uma dica inicial: para tomar qualquer vôo na Grécia chegue bem antes da hora. As filas são enormes e indisciplinadas, os aeroportos subdimensionados.

Creta é uma ilha grande, cerca de 200km de comprimento no sentido leste-oeste. Conta com várias cidades de porte razoável, inclusive uma boa universidade na maior delas, Iráclio. A grande atração cultural são as ruínas do palácio de Knossos, antiga sede da civilização minoana a qual desapareceu deixando poucos vestígios. Seria o local da lenda do Minotauro, o homem com cabeça de touro, e do labirinto de onde ele não conseguia sair. As ruínas impressionam, um palácio daquele tamanho construído há cinco mil anos é possivelmente único. Pensar que ele é anterior ao Pártenon em 1.500 anos e às pirâmides do Egito em alguns séculos.

A outra grande atração é o mar. O Mediterrâneo tem água de uma cor clara, azul esverdeada, muito transparente. O banho de mar é delicioso. As pequenas praias meio escondidas são um contraste marcante com as nossas de quilômetros de comprimento.

A geografia também é peculiar, com montanhas à beira-mar que chegam a quase dois mil metros de altura e que caem em declive acentuado em direção ao mar, deixando apenas uma pequena faixa de terreno plano antes da água. A terra é pouco fértil, boa parte terra nua com um pequeno arbusto aqui ou ali, e a eventual plantação de oliveiras, que são árvores típicas de solos fracos.

TERCEIRA ETAPA: RODOS

A ilha de Rodos é um pouco menor que Creta, mas também é grande, mais de 100 km de comprimento. Fica mais a leste, bem perto da costa da Turquia. Olhando no mapa, a gente fica surpreso de essa ilha pertencer à Grécia, que está lá longe, e não à Turquia que está logo ali.

Era o lar do Colosso de Rodos, uma das sete maravilhas do mundo antigo, uma estátua que de acordo com a lenda tinha mais de 30m de altura, mas que desapareceu sem deixar vestígios, talvez destruída por um terremoto. Rodos já foi de todo mundo. Foi dos gregos, depois dos romanos, mais tarde dos cavaleiros de São José (que depois mudaram de nome para Cavaleiros de Malta), os quais foram expulsos pelos turcos. No começo do século XX, a Itália conquistou a ilha e restaurou muitas de suas antiguidades. Finalmente, após a Segunda Guerra Mundial a ilha foi entregue à Grécia.

Essa mistura toda leva a conviverem lado a lado ruínas gregas de mais de 3 mil anos, outras latinas, o palácio dos Cavaleiros, que é da Idade Média e é a única antigüidade que está inteira, restaurada por ordem do rei italiano Vitório Emanuel no começo do século XX. A chamada cidade antiga de Rodos, a cidade principal, é de uma riqueza de imagens e muralhas que impressiona muito.

Lindos

Outro atrativo da ilha são suas praias. Um recanto especial é Lindos, a cerca de 50 km de Rodes. Lindos tem uma acrópole que imita a de Atenas, embora menor, e que conta também com uma igreja católica bastante antiga. E suas praias são encantadoras. A gente sai pensando se nosso adjetivo lindo vem dali.

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12 Opiniões

  1. helou motta disse:

    Otima introdução.
    Viagem é cultura e mais conhecimento.
    Obrigada Opinião & Noticia

  2. Elzire Cavalcanti Brito disse:

    Boa a valiação da turista, embora muito crítica. O povo grego é muito hospitaleiro e se sente agredido com o comportamento de alguns turistas, mal educados.
    Perdeu muito em não provar a Retzina, é muito gostoso. Deveria também ter ido aos muiseus de roupas antigas. De qualquer maneira estou morrendo de inveja, porque faz tempo que não vou lá.

  3. cesar henrique arthou disse:

    Fiquei com agua na boca depois de fazer esta “viagem” à Grecia.

  4. dimitrios k bilalis disse:

    amigo
    no brasil dizem que acoruja gavar o toco e muito feio. eu sou grego de nacencia moro no brasila 44 anos estou com
    65 anos, talvez o amigo nao conheseu toda a greçia
    veja bem , o brasil na verdade o melhor pais do mundo, mas infelismenta cheio de ladruera e assasinados,e roubos na grecia nao existe isso,
    acredito que voçe deve ido
    de tourne e nao conheçeo a grecia , nao tem somente, rodes, atenas,creta como voçe citou. tem muitos lugares
    que voçe nao conhceou,na
    proxima viagem sua procura saber aonde voçe
    vai. agora acredido que no
    brasil oais nenum no mundo
    tem este calor umano que o
    BRASILEIRO tem. mqas de qualquer maneira te peço mais uma vez informar melhor sobre a greçia.
    sou GREGO de origem mas
    BRASILEIRO de coraçao.

    dezejo muitas felicidades

    dimitrios k bilalis

  5. DIMITRIOS K. BILALIS disse:

    o amigo nao escreveu a verdade verdadeira sobre a
    grecia, mas tudo bem vai ai um abraço de GREGO verdadeiramente brasileiro.

  6. André Vinícius Vieites disse:

    Ó como é que vai a tua vó, bem cara de neném, então está por aí:
    Desde seu primitivo povoamento Neolítico, a ilha de Creta insere-se na evolução histórica do Mediterrâneo Oriental como ponto de encontro entre a Grécia ocidental e o Oriente Próximo. O desenvolvimento mitológico da Grécia é feito através de Creta e o rei Minos. Creta em contato permanente com as civilizações do crescente fértil, fez refluir identificações mitológicas e se integrou com essa mesma identificação junto as do Egito, de Mari e de Ugarit. Tchau cara de pau.

  7. André Vinícius Vieites disse:

    Opa!!!! Não vale expressar Oi, cara de boi!! direto; Porque senão as crianças da História vão logo descobrir que estamos procurando informações sobre o Minotauro. Pesquisar o Minotauro é maravilhoso. Na minha humilde opinião, Creta é a ilha com histórias mais legais para se contar para as crianças que estão estudando história atualmente. Agora sim: Oi, cara de boi – Tchau, cara de pau.

  8. helo disse:

    Epharisto, kalimera, yassou

  9. Mauricio Fernandez disse:

    É de doer!… fora as lendas com o que mais a Grécia tem colaborado com o restante do mundo?

  10. helo disse:

    A Grécia que nos deu a Ciência, a Filosofia, a Matemática, a Geometria, o traçado da Cidade em dâmero, a Democracia, o Teatro, a Tragédia, a Comédia, a Literatura, a Poesia, os Deuses e suas lendas, o exemplo de sobrevivência após tantas tragédias históricas, ainda pode encantar muitos com a sua beleza, sua culinária, a alegria de seu povo, e porque não com Lindos e o mar azul dessa bela imagem.

  11. Mauricio Fernandez disse:

    Pobre mundo Helo!… nasceu entorno do umbigo da Grécia. Não sei se os Chineses, Maias e outros povos concordariam com tuas afirmações. A verdadeira e única vocação da Grécia todos conhecemos; razão de ter chegado a situação em que chegou. Em tempo, a democracia grega é a mesma que praticamos por aqui?

  12. Bárbara THOMAZ disse:

    Foi como viajar so em ler, como amo a grecia e seus lugares e culturas de inspirar qualquer um…obrigada Opinião & Noticia, por nos fazer viajar através desse lindo artigo

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