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Migrantes africanos

Construindo a Afroamérica

O grupo de imigrantes que mais cresce nos Estados Unidos pode suavizar as relações raciais tensas do país

Construindo a Afroamérica
Apenas 19% dos negros nascidos nos EUA possuem diploma de graduação ou pós-graduação (Foto:Wikipedia)

Com cerca de 170 mil habitantes africanos, Washington e os bairros residenciais ao redor do centro da cidade concentram, em termos proporcionais, a maior população de africanos de qualquer cidade grande dos Estados Unidos. O número ainda é pequeno; mesmo em Washington, os africanos representam apenas 14% de todos os imigrantes e 3% do total da população. Mas é o grupo de imigrantes que mais cresce no país.

De 2000 a 2013, o último ano com dados disponíveis, o número de pessoas da África subsaariana nos EUA aumentou de 690 mil para 1,5 milhão. A partir de 1980, o número aumentou mais de dez vezes. Essa entrada em massa de imigrantes africanos revela o sucesso das políticas especiais de imigração dos Estados Unidos. Ao longo do tempo, o número crescente de africanos no país talvez ajude a mudar o que significa ser um “afro-americano”.

A imigração livre de africanos (oposta ao comércio de escravos) existe desde o século XIX, quando os navios-baleeiros da Nova Inglaterra recolhiam tripulantes nas ilhas de Cabo Verde. Ainda hoje, os cabo-verdianos são os imigrantes africanos mais numerosos em Boston e Providence. No entanto, a partir da década de 1980 muitos outros africanos migraram para os EUA. Em Washington, D.C., os etíopes e eritreus são mais comuns. Já em Nova York, os egípcios e ganenses predominam. Muitos nigerianos vivem ao redor de Houston. E em Minneapolis existe uma grande comunidade de somalis.

Os imigrantes africanos destacam-se em meio aos negros nascidos nos EUA. Na verdade, pouco têm em comum além da cor. Com exceção de alguns refugiados, que em geral vivem em áreas de moradias baratas, os africanos moram em bairros residenciais de grandes cidades e não em cidades do interior. Eles têm em média 37 anos, enquanto a idade média dos negros americanos é de 29 anos. E 52% dos africanos são casados, em comparação com apenas 28% dos negros nascidos nosEUA.

Segundo os dados do Pew Research Center, os imigrantes africanos são mais bem educados do que os negros americanos. Em 2013 35% dos africanos tinham diplomas de curso superior ou de cursos de pós-graduação, comparados a  30% de todos os americanos e de apenas 19% dos negros nascidos nos EUA.

O que isso significa para os Estados Unidos? É possível que o número crescente de imigrantes africanos possa suavizar a divisão racial histórica da população dos Estados Unidos entre os negros que escolhem viver no país e os descendentes de escravos. Enquanto isso, a definição da expressão “afro-americano” pode mudar.

Fontes:
Economist-Building Afromerica

2 Opiniões

  1. Ludwig Von Drake disse:

    Parece claro que uma elite africana está se mudando para os USA. Os africanos pobres vão para a Europa, de barco. Todos fugindo da miséria e da violência, e sendo acolhidos, em países ditos racistas. Vai mudar o conceito de racismo.

  2. Chauke Stephan Filho disse:

    O futuro do mundo é negro.

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