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ELEIÇÕES 2018

Contagem regressiva

Em 2018, as orientações de política econômica podem ser completamente diversas, dependendo de quem tomar posse

Contagem regressiva
Em breve estaremos engajados nas eleições presidenciais de 2018 (Foto: Wikipedia)

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Em breves 15 meses à frente, já estaremos engajados nas eleições presidenciais de 2018. Embora o pleito em primeiro turno esteja marcado para o dia 2 de outubro, já em maio teremos os registros das candidaturas, caso a lei da “ficha limpa” esteja em vigor e haja brasileiros elegíveis, além da lista de Janot.
As decisões de médio prazo estão, assim, já nesta expectativa, considerando que as orientações de política econômica podem ser completamente diversas, dependendo de quem tomar posse. No recém-publicado livro Anatomia de um Desastre, da PORTFOLIO-PENGUIN e escrito pelos jornalistas Claudio Safatle, João Borges e Ribamar Oliveira, traça-se um retrato interessante, destacando-se os erros de política econômica:
  • Excesso de gastos públicos para melhorar os cenários antes das eleições de 2010 e de 2014, disfarçados como medidas anticíclicas;
  • Queda excessiva da taxa de juros SELIC, de forma desordenada;
  • Desalinhamento de preços administrados (combustíveis e energia elétrica) para conter a inflação e “câmbio competitivo”;
  • Conjunto de normas da “nova matriz econômica”, com reversão do tripé de sustentação do equilíbrio: superávit primário, taxa de juros flutuante e metas de inflação;
  • Fortes desonerações tributárias nas folhas de pagamento empresariais, com redução da arrecadação do governo e sem repercussão na atividade e emprego;
  • Aumentos de capital e repasses aos bancos públicos BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica (10% do PIB), com repasses do Tesouro Nacional, maquiando as contas públicas, com retorno via dividendos extraordinários antecipados, criando grande expansão do crédito, de 24% do PIB em 2004 para 53% do PIB em 2014;
  • Manobras (pedaladas) para esconder a realidade do déficit público, através de contabilização fora do regime de competência (despesas do mês ou ano de referência contabilizadas no mês ou ano posterior), criação do “mês 13”.
 Já o New York Times publicou um artigo nesta semana falando do “otimismo cauteloso”, mais ligado às novas emissões de ações esperadas para 2017, um recorde que deve movimentar ofertas de R$ 25 bilhões na Bovespa, com 17 companhias captadoras.  Há outros fatores que podem justificar esperanças realistas:
  • A forte redução da inflação com taxa convergindo para o centro da meta definida pelo do Banco Central, com a correspondente queda da taxa de juros básica (SELIC), o que deverá fomentar o crescimento;
  • A queda na taxa de câmbio de 4,05 R$/US$ (jan/16) para 3,10 R$/US$ (fev/17), caindo 23% em 13 meses;
  • A primeira estatística do CAGED – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados voltando a apresentar um saldo positivo entre contratações e demissões, após 22 meses negativos;
  • A própria subida do índice Bovespa de 38 mil pontos (jan/16) para o patamar acima de 60 mil pontos em 2017;
  • A manutenção da nota da agência de rating Moody’s, se não favorável, pelo menos não é ruim;
  • A Petrobras registrou no quarto trimestre de 2016 um lucro de R$ 2,5 bilhões, crescimento de 31% da margem Ebitda em relação ao ano anterior, com recordes de produção;
  • O volume de reservas internacionais permanece acima de R$ 360 bilhões, confirmando que a questão externa não é um problema, em oposição a outras crises;
  • O leilão dos aeroportos de Fortaleza (CE), Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) garantindo aos cofres públicos uma receita de R$ 3,72 bilhões durante todo o período da concessão, sendo R$ 1,46 bilhão arrecadado na assinatura dos contratos;
  • A aprovação do estabelecimento de teto de gastos e o encaminhamento das demais reformas, da previdência, flexibilização do regime CLT e terceirização;
  • O alinhamento dos preços administrados, sem reflexo comprometedor da inflação;
  • E por último, a permanência de equipes profissionais nas estatais e empresas de economia mista, dando nova direção aos problemas que colocaram o país na situação atual.
 Vamos esperar que os eleitores façam um reflexão segura para 2018, a partir de agora, com base em fundamentos reais e menos paixões ideológicas: se ainda não temos muitos resultados, forma-se pelo menos uma expectativa mais promissora.
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