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TENSÃO NUCLEAR

Coreia do Norte azeda relações entre grandes potências mundiais

Os lançamentos de mísseis na Coreia do Norte transformaram o oceano conhecido como Pacífico num caldeirão aquecido por um barril de pólvora

Coreia do Norte azeda relações entre grandes potências mundiais
Testes de mísseis na Coreia do Norte desafiam as sanções da ONU e a pressão internacional (Foto: Flickr/NOS Nieuws)

Parece inacreditável que um pequeno país, com cerca de 120 mil km² – menor que o estado brasileiro do Amapá – consiga promover um estrago diplomático de dimensões quase planetárias, azedando as relações entre Washington, Pequim, Tóquio, Moscou, Seul, incluindo também capitais europeias e mesmo do Oriente Médio.

Os lançamentos de mísseis balísticos em temerários testes nucleares promovidos pela Coreia do Norte – em claro desafio às sanções da ONU e à pressão internacional – transformaram o oceano conhecido como Pacífico num caldeirão aquecido por um barril de pólvora. A resposta conjunta dos Estados Unidos e da Coreia do Sul aos seis recentes exercícios militares patrocinados por Pyongyang – em simulações de bombardeio na península coreana em sobrevoos ao território japonês – não frearam o ímpeto do ditador Kim Jong-un. Pior, jogaram mais lenha na fogueira.

Kryptonita

Em resposta às simulações de Seul e Washington, Rússia e China iniciaram esta semana exercícios navais – um treinamento militar conjunto no Pacífico Norte – afrontando o presidente Donald Trump com uma parceira militar tão poderosa quanto explosiva. A ação coincide com a realização, esta semana, da reunião com líderes globais na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). É kryptonita pura em cima do super-homem americano.

Forças russas e chinesas vão conduzir oito dias de exercícios em terra e no mar, inclusive simulando a defesa de navios de guerra, revelou o Ministério da Defesa da China. A ação tem o objetivo de “mostrar à Europa e aos Estados Unidos que está pronta para uma guerra em grande nível e por isso devemos todos sentar e falar sobre geopolítica”, disse o diretor do Centro de Estudos de Estratégia e Política Externa de Belarus, Arseny Sivitsky.

Óleo na fervura

Novos personagens participam desta briga de foice no escuro. O Ministério de Relações Exteriores da Espanha divulgou ontem que o embaixador norte-coreano no país foi declarado persona non grata e pediu que ele saia do país até o fim do mês. A iniciativa é parte da estratégia dos Estados Unidos de pressionar seus aliados para que cortem relações com o já recluso regime comunista da península coreana. Também o Kuwait revelou que irá expulsar o embaixador da Coreia do Norte no emirado, bem como quatro diplomatas.

Responsável por cerca de 90% do comércio com Pyongyang, Pequim anunciou que não mais aceitará as pressões vindas de Washington para que interrompa o comércio com o país vizinho. Geograficamente falando, a Coreia do Norte funciona como um escudo, evitando a fronteira da China com um território americanizado, como a Coreia do Sul. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, se fragiliza politicamente com as provocações lançadas em forma de mísseis sobre sua cabeça. Ele busca apoio político e popular para se manter no cargo menos invejado do mundo neste momento.

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