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Artes plásticas

De Volpi a Picasso, o avanço do roubo e tráfico de obras de arte

Comércio subterrâneo de obras roubadas e revendidas é quase tão lucrativo quanto o formal – que movimenta nos dias de hoje cerca de US$ 6 bilhões

De Volpi a Picasso, o avanço do roubo e tráfico de obras de arte
O pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi é considerado um dos nomes mais importantes do modernismo (Reprodução/Carlos Namba)

A recuperação – ou melhor dizendo, o resgate – de cinco telas do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi, na última quarta-feira, 11, traz de volta a discussão sobre o roubo de quadros de artistas famosos e a inevitável valorização no mercado formal diante do interesse do submundo. Em outras palavras, parece que há um efeito Tostines nas artes que não sabe precisar exatamente se “a tela é roubada porque o artista é valorizado ou se o artista é valorizado se sua tela é roubada”.

Considerado um dos nomes mais importantes do modernismo, Volpi tem nas bandeirolas e fachadas de seu abstracionismo geométrico sua principal característica. Estima-se que 48 de suas obras tenham sido subtraídas pelo submundo das artes. Estas cinco agora recuperadas fazem parte de um total de oito trabalhos – levados da residência de um colecionador paulistano, em 2011. O valor de cada uma das que ainda estão desaparecidas é estimado em US$ 300 mil. É pouco, se considerarmos que uma de suas telas foi leiloada recentemente por R$ 2 milhões.

Em agosto de 1911, o funcionário do Museu do Louvre Vincenzo Peruggia subtraiu a obra mais famosa de Leonardo da Vinci. O roubo da Mona Lisa pode ter ajudado a robustecer a criação de um mercado mais subterrâneo – mas quase tão lucrativo quanto o formal – que movimenta nos dias de hoje cerca de US$ 6 bilhões. Foi o mercado ilegal que mais cresceu, embora ainda atrás do tráfico de armas e de drogas.

A Gioconda, hoje exposta à visitação no Louvre com toda a segurança, foi recuperada em dezembro de 1913. Peruggia chegou a esconder a obra prima debaixo da cama onde dormia. E foi condenado a poucos meses de prisão.

O interesse por obras de arte não tem ideologia. O ex-ditador filipino Ferdinand Marcos, por exemplo, chegou a ter oito telas de artistas de renome internacional – como Michelangelo, Miró, Gauguin, Goya e Picasso, por exemplo. Mas comprou todas elas no mercado legal.

A Interpol tem registradas mais de 15 mil telas de grande importância – consideradas desaparecidas. Já a empresa inglesa Art Loss Register – especializada na busca de objetos de arte – estima que esse número chegue a 120 mil, mas aí incluídos selos, estatuetas, joias e moedas. Apesar das telas de Volpi, o Brasil é considerado fora do circuito.

A Art Loss Register ressalta que os ladrões de arte são excelentes para subtrair as telas, mas péssimos para negociá-las. A quadrilha que roubou “O Grito” de Edvard Munch, em 1994, foi presa quando cometeu uma série de erros ao tentar repassá-la. Foi mais ou menos o que aconteceu com as telas de Volpi ma última quarta.

Porém, a regra tem exceções. Há 11 anos, dois homens levaram 12 quadros do Museu Isabella Stewart Gardner, em Boston. O prejuízo total foi avaliado em mais de US$ 300 milhões. O FBI entrou em cena. Entre as telas – desaparecidas até hoje – estão “O Concerto”, do holandês Vermeer, e “Cristo na Tempestade no Mar da Galileia”, do também holandês Rembrandt.

No ranking dos artistas mais roubados, Pablo Picasso é pole position: 465 telas de sua autoria estão desaparecidas. Seu compatriota Joan Miró aparece em segundo, com 294. O judeu-russo Marc Chagall, com 275, é o terceiro. Depois, se seguem Salvador Dali e Auguste Renoir na lista dos cinco mais roubados. Por motivos óbvios, Johannes Vermeer não aparece na lista: menos de 40 pinturas são atribuídas a ele.

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