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Éfeso: as ruínas

Centro artístico e cultural do período helenístico, Éfeso é o berço da filosofia ocidental

Éfeso: as ruínas
Arquitetura clássica, com fachadas bem adornadas e esculturas são marcas da bela Éfeso (Reprodução/Fernanda Costta)

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Milenar, histórica, filosófica, centro artístico e cultural. A bela Éfeso, na Turquia, tem muitos atributos, e até hoje atrai a curiosidade de milhares de turistas que a visitam.

Éfeso já era um centro urbano em 1.000 a.C, mas foram encontrados resquícios de organizações sociais anteriores, datados de 5.000 a.C. Por ali, passaram diversas civilizações: nos tempos Jônicos, era o centro comercial, político e religioso de toda a Ásia Ocidental. No século V a.C. fora tomada pelos persas, sob o comando de Ciro, o Grande. Após ser libertada e incorporada ao Império Romano, a cidade aflorou como centro artístico e cultural no período helenístico. Por estes e outros motivos, Éfeso tornou-se propícia para a mudança do pensamento Ocidental e acabou por desenvolver os primeiros pensamentos da filosofia.

Éfeso começou a enriquecer-se rapidamente em decorrência do seu movimentado porto e transformou-se em importante centro político, tornando-se a capital do Império Romano na Ásia, com uma população que já beirava 500 mil. Numerosa para a época, mas bem intelectualizada, sua população sabia admirar as artes e valorizá-las, o que está refletido em sua arquitetura clássica, com fachadas bem adornadas e esculturas gregas na maior parte dos lugares, sejam públicos ou privados. Nessa época foi construído o até então maior teatro do mundo, com capacidade para 25 mil espectadores (ainda hoje utilizado em ocasiões especiais). Curioso era o banheiro público da cidade, que além da beleza arquitetônica, era onde os homens discutiam política enquanto tranquilamente faziam suas necessidades, um ao lado do outro sem nenhuma privacidade. Para deixar o clima ainda mais convidativo, no centro do banheiro havia uma fonte onde vários músicos ficavam ali tocando harpa para entoar um agradável fundo musical. Havia ainda um moderno sistema hidráulico, onde a água corria livremente em sulcos estratégicos para evitar possíveis odores. Quanta tecnologia!

A obra-prima da cidade é sem dúvida a Biblioteca de Celso, construída no ano 106 da nossa era, originalmente projetado para ser seu mausoléu. Mesmo após inúmeros terremotos, sua monumental fachada permaneceu de pé, reinando no centro da cidade. Como lugar de interesse há também o Odeon, os templos de Adriano e Domiciano e a fonte de Trajano.

A chegada à cidade é triunfal, pela bem conservada avenida larga recoberta de mármore onde enfileiram-se inúmeras colunas. Era ali, na via principal, que ficava permanentemente acesa uma pira para as pessoas colherem o fogo em suas tochas e acenderem em suas casas. Daí surgiu uma expressão ainda hoje utilizada, sobretudo em cidades menores, quando a visita é rápida e o anfitrião questiona se o convidado veio “só pegar fogo”…

Nesta mesma avenida principal era onde os profetas Paulo e João pregavam o “Caminho”, nome pelo qual a religião católica era conhecida na época, e foi ali onde ela mais se difundiu. A igreja que havia em Éfeso no fim do século I foi uma das sete igrejas mencionadas no Apocalipse, ao lado de Esmirna, Pérgamo, Sardes, Tiatira, Filadélfia e Laodicéia. Ainda no campo religioso, Éfeso também é conhecida por ser a cidade da “Catacumba dos Sete Adormecidos”, lugar sagrado para as religiões católica, ortodoxa e muçulmana.

E isso é Éfeso. Esta explosão de culturas, credos e origens, estampadas no presente e no passado. Uma viagem mesmo imperdível!!

 

*Fernanda Costta escreve no Blog Viaggio Mondo e é colaboradora do Opinião e Notícia.

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3 Opiniões

  1. Rudy Lang disse:

    Belíssimo texto de Fernanda Costta, a quem envio meus cumprimentos.
    Porém ressalto que não achei de bom gosto o fato de ter designado o que os apóstolos João e Paulo pregavam, de algo como doutrina da Igreja Católica.
    O que eles devem ter pregado deve ter sido o Cristianismo em sua forma mais pura, livre das maluquices católicas que tornaram um grupo religioso, comandado por Constatino, em herdeiro do Império Romano sob o pomposo nome de Igreja Católica Apostólica Romana.

  2. ISAAC J. A. CARMO disse:

    A sensibilidade artística dos tempos de Éfeso parece ter sido mais refinada que nos tempos modernos e contemporâneos. Que maravilhosas esculturas fazem parte desse patrimônio histórico. Os traços deixados pelo artista da época são de uma beleza ímpar, a deslumbrar os olhos daqueles que tem o privilégio de viver ali, de visitar esse lugar ou daqueles que, simplesmente, o vêem através dos meios de informação.

  3. Antiovani G. Mendes disse:

    Concordo com Rudy Lang.

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