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Elas ganham mais do que eles. E aí?

O fato de a mulher ganhar mais do que o marido interfere na relação conjugal? Pesquisa diz que em 25 anos elas serão o sexo mais rico

Elas ganham mais do que eles. E aí?
Cada vez mais mulheres tomam as rédeas do controle financeiro e emocional da relação (Reprodução/Internet)

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Está ficando cada vez mais comum. Mulheres ganhando mais do que seus maridos. Nos Estados Unidos, elas já chegam a 40% do total de casadas que trabalham. A jornalista e pesquisadora Liza Mundy, autora do livro “The Richer Sex” (O sexo mais rico, ainda sem tradução para o português) prevê que elas serão a maioria daqui a 25 anos. Mas, o que isso implica na relação conjugal?

Para a antropóloga Mirian Goldenberg, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autora do livro “A revolução das mulheres: um balanço do feminismo no Brasil”, tudo vai depender do relacionamento do casal. Nem sempre a mulher que ganha mais vai ter mais poder no dia a dia com a família. Segundo Mirian, no Brasil, o marido é um capital e muitas mulheres se sentem fracassadas por não serem casadas ou por não estarem felizes no casamento, apesar de terem um trabalho de sucesso:

“O fato de a mulher ganhar mais não implica que ela terá mais poder ou se sentirá mais poderosa. Há mulheres com sucesso profissional e dinheiro que são completamente dependentes do marido, dedicadas à família e muito insatisfeitas com suas vidas pessoais”.

A postura dos homens também não é tão óbvia quanto parece à primeira vista. Na avaliação de Mirian, nem todos querem ter as rédeas do controle financeiro e emocional da relação:

“Os homens, muitas vezes, gostam de mulheres poderosas, inteligentes, interessantes, bem-sucedidas e realizadas no trabalho. Muitos admiram e desejam esse tipo de mulher. É claro que há os que preferem dominar a companheira. Esses vão querer uma menos independente e mais submissa”.

Segundo o demógrafo Albert Esteve, que tem acompanhado o fenômeno, a maioria das mulheres em países como França, Hungria, Israel, Portugal, Brasil, Mongólia e Colômbia, para citar alguns, agora se casam com homens com menor escolaridade do que elas. Em todos os continentes, exceto na África, as mulheres são mais propensas a ter um diploma universitário do que os homens ao seu redor. Então, elas não têm muita escolha a não ser casar com um parceiro com diferenças intelectuais e econômicas.

Em culturas mais tradicionais ou mais machistas, o fato de a mulher ganhar mais é especialmente complicado. Na Coreia do Sul e no Japão, os homens de cidades rurais e, mais recentemente, até mesmo das metrópoles estão importando noivas mais pobres de países asiáticos com noções mais tradicionais de casamento. Na Espanha, 20% de todos os casamentos são agora entre espanhol e estrangeiro, bem acima dos 4,7% de 1996. Enquanto as espanholas se casam com homens progressistas da Bélgica ou da Suíça, os espanhóis procuram esposas do Equador ou da Colômbia.

“Os homens espanhóis estão à procura de uma mulher do passado, já as mulheres estão buscando homens do futuro”, disse Esteve, em entrevista à revista americana “Slate”.

Autora do livro “The End of Men: And the Rise of Women” (O fim do homem: e a ascensão da mulher, também sem tradução para o português), Hanna Rosin fez uma pesquisa com leitoras da “Slate” e cerca de 80% das mulheres chefes de família se descreveram como felizes em seus casamentos e se classificaram como tendo uma chance bem menor de se divorciar. Cerca de um terço disse que os homens eram conscientes de que ganhavam menos dinheiro.

Uma das entrevistadas da autora, uma advogada que ganha meio milhão de dólares por ano, estava cansada de encontros com homens que podiam estimular uma competição profissional e acabou se casando com um condutor de trem que ela conheceu em um site de namoro. “Eu queria um homem que não falasse sobre o seu dia de trabalho e que preferisse ir passear de bicicleta na praia. Meu marido sabe quem ele é. Ele é confortável sendo quem ele é”, contou ela à Hanna.

Para a antropóloga Mirian Goldenberg, o mais complicado é quando uma relação começa de um jeito e depois há uma mudança. Como, por exemplo, o homem que ganha muito mais do que a mulher e, com o passar dos anos, acaba perdendo essa posição. “O que é mais difícil é que os dois mantenham a admiração e o respeito um pelo outro quando muda muito a situação do início do namoro ou do casamento”, afirma a especialista.

No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que não tem comparações entre rendimentos de pessoas residentes no mesmo domicílio. Sabe-se apenas que as mulheres, casadas ou não, já estão à frente de 38,7% dos domicílios brasileiros. Mirian acredita que a sociedade brasileira já encara com normalidade a tendência de as esposas terem o controle do sustento da casa:

“As mulheres lutaram tanto por sucesso e realização que hoje estão mais confortáveis nesta posição. O pior são os clichês: mulher independente assusta, falta homem no mercado, etc.”.

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2 Opiniões

  1. Helen Vaz disse:

    Essa pesquisa só pode ter sido manipulada pelo Femen. Talvez daqui uns 2500 anos, quem sabe.

  2. Markut disse:

    A revolução dos sexos. Trata-se de uma dolorosa experiência para os homens e um perturbador desafio para as mulheres. São muitas gerações , experiências milenares em que o macho provedor , fisicamente mais poderoso, contracenava com a fêmea da espécie, destinada à procriação e aos cuidados do abrigo para a cria. A revolução tecnológica pôs tudo isso de pernas para o ar e , hoje, o casal se vê obrigado a um referencial bem diferente.

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