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Combate ao preconceito

‘EUA esqueceram suas raízes islâmicas’, diz autor

Em meio à crescente onda anti-islâmica nos EUA, 'New York Times' divulga artigo de escritor que revela: 20% dos africanos escravizados eram muçulmanos, um fato esquecido da história do país

‘EUA esqueceram suas raízes islâmicas’, diz autor
Islã é parte fundamental da história dos EUA, diz autor (Ilustração: Andrea Mongia/ NYT)

O sentimento anti-islâmico vem ganhando força nos EUA, em parte graças à crescente publicidade dos feitos do Estado Islâmico e aos recentes ataques terroristas na Europa Ocidental. Os americanos estão mais avessos ao Islã e mais suscetíveis a enxergar uma invasão muçulmana do país majoritariamente cristão. Contrariando essa onda de preconceito, um artigo de opinião publicado no New York Times refuta a tese de que o Islã é antiamericano e revela que a religião muçulmana já havia fincado raízes no país antes mesmo da sua fundação.

De acordo com o escritor Peter Manseau, autor de One Nation under Gods: a New American History (Uma nação sob deuses: uma nova história americana, em tradução livre), milhares de muçulmanos chegaram ao país hoje conhecido como Estados Unidos junto com os primeiros europeus. Eles foram amplamente esquecidos porque não eram livres para praticar sua fé ou deixar registros. “Esses muçulmanos deixaram apenas o suficiente para confirmar que o Islã não é uma religião imigrante, mas uma tradição que, apesar de reprimida, tem profundas raízes no país”, defende Manseau.

O escritor revela que em 1528, um escravo marroquino chamado Estevanico naufragou junto com um grupo de exploradores espanhóis perto da futura cidade de Galveston, no Texas. Ele eventualmente escapou de seus algozes cristãos e partiu por conta própria para desbravar grande parte do Sudoeste do país. Duzentos anos depois, os donos de plantações na Louisiana fizeram questão de incluir muçulmanos escravizados em sua força de trabalho para aproveitar sua experiência no cultivo de índigo e arroz. Estudiosos notaram nomes muçulmanos e títulos religiosos islâmicos nos inventários de escravos de colônias e registros de óbitos.

“A história do Islã nos EUA não é apenas a de indivíduos isolados”, diz Manseau. “Uma estimativa aponta que 20% dos africanos escravizados eram muçulmanos, muitos dos quais procuraram recriar as comunidades que tinham conhecido em seu país de origem”.

Para Manseau, não há dúvida: o Islã é parte fundamental da história comum dos americanos, uma fé resiliente não apenas dos escravizados, mas também de imigrantes árabes no final do século 19 e de muitos negros americanos que buscaram recuperar suas raízes no século 20.

 

Fontes:
The New York Times - The Muslims of Early America

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