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CRÍTICA

‘Graças a Deus’ – a pedofilia na Igreja Católica passada a limpo

Previsto para estrear em 20 de junho, filme aborda a pedofilia na Igreja Católica e o véu de silêncio que acoberta abusos sexuais cometidos por padres

‘Graças a Deus’ – a pedofilia na Igreja Católica passada a limpo
Filme é baseado em um caso real, ocorrido em Lyon, na França (Foto: Mandarin Cinéma)

Religião é a crença para a qual nos voltamos sempre que estamos em busca de conforto e acolhimento. Seja qual for a divindade reverenciada, ela remete à ideia de que é possível construir um mundo melhor, que há um lugar para todos, incluindo marginalizados em busca de perdão e recomeço.

Mas o que acontece se o local onde professamos a nossa fé é também o lugar onde vivenciamos um trauma de infância, que marcará por toda a vida? É disso que trata a produção franco-belga “Graças a Deus”, do diretor François Ozon.

Previsto para estrear no dia 20 deste mês, o filme aborda a luta contra a pedofilia na Igreja Católica e o véu de silêncio que acoberta abusos sexuais contra crianças cometidos por padres.

Baseado em um caso real, ocorrido em Lyon, na França, o filme narra os bastidores da luta que culminou na condenação do cardeal Philippe Barbarin (interpretado por François Marthouret) pelo acobertamento de inúmeros casos de abusos cometidos pelo padre Bernard Preynat (Bernard Veley).

A narrativa inicia com um reencontro casual entre Alexandre (Melvil Poupaud), um pai de família de carreira bem-sucedida, e um antigo amigo de infância, que foi escoteiro junto com ele em um acampamento católico, supervisionado por Preynat. O reencontro obriga Alexandre a desenterrar um trauma de abuso sexual que ele pensava ter superado.

Durante a conversa com o amigo, Alexandre descobre que não foi o único a ser abusado por Preynat no acampamento e fica indignado ao saber que o padre ainda trabalha com crianças. A partir daí, ele inicia uma jornada em busca de justiça.

Nessa trajetória, a vida de Alexandre cruza com a de outras vítimas de Preynat, entre elas, François Debord (Denis Ménochet), personagem que intensifica a luta iniciada por Alexandre, reunindo vítimas de Preynat, que se unem em um grupo que tem como missão levar à Justiça o padre, o cardeal Barbarin e todos aqueles que, de alguma forma, auxiliaram a ocultar os abusos sexuais.

A narrativa é lenta e mesmo um pouco arrastada. Contrastando com a atual tendência de blockbusters de ação permeados de estímulos, “Graças a Deus” explora cada segundo e apresenta ao espectador histórias de abusos narradas sem meias palavras.

Além disso, o filme expõe o dilema enfrentado por muitas vítimas que, ao mesmo tempo em que anseiam por justiça, hesitam em denunciar seus agressores por temer que sua vida passe a ser marcada e definida pelo abuso sexual. O filme também aborda a divergência entre os integrantes do grupo em relação à luta para punir seus agressores: seria uma luta contra a Igreja Católica ou pela Igreja Católica?

A estreia do filme vem na esteira do empenho liderado pelo Papa Francisco para coibir a pedofilia na Igreja Católica e punir padres envolvidos em casos de abuso. Tal iniciativa do pontífice é citada como pano de fundo na narrativa, bem como a questão do celibato – esta última, porém, de forma não aprofundada.

‘Graças a Deus” é uma prova de que nem sempre o tempo é o remédio para todas as coisas e que há feridas que, se não forem trazidas à tona e passadas a limpo, impedem a vítima de seguir adiante, mesmo quando ela considera ter a vida nos eixos, assim como pensava Alexandre, até encontrar seu amigo de infância.

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1 Opinião

  1. carlos alberto martins disse:

    a pedofilia na igreja católica só irá acabar quando os padres tiverem o direito de se casar e ter filhos como qualquer cidadão.o impedimento só móstra a usurpação de uma moral que só mostra o poder pelo dinheiro que as igrejas mandam para o Vaticano.

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