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Opinião

Graças a Deus pela bomba atômica

Artigo de opinião do colunista Brett Stephens, do 'Wall Street Journal', defende a decisão americana de usar bombas atômicas contra o Japão para pôr fim à Segunda Guerra. Leia os principais trechos

Graças a Deus pela bomba atômica
O presidente Truman anuncia a rendição dos japoneses (Foto: U.S. National Archives and Records Administration)

O título deste artigo remete a um ensaio de 1981, do falecido Paul Fussell, crítico e memorialista da guerra. Em 1945, aos 21 anos, Fussell, então segundo-tenente do Exército americano, já havia lutado na Europa, apenas para descobrir que seria enviado ao Pacífico para participar da Operação Downfall, a invasão das ilhas japonesas agendada para começar em novembro de 1945.

No entanto, a bomba atômica interveio. O Japão não se renderia após Hiroshima, mas o fez depois de Nagasaki.

“Quando aprendemos para nosso espanto, que não seríamos obrigados em alguns meses a invadir as praias perto de Tóquio, atirando e sendo alvejados por metralhadoras, morteiros e granadas, apesar de toda a nossa impassibilidade e de nossa fachada durona, nós desabamos e choramos de alívio e alegria. Íamos viver”, escreve Fussell.

Em meio a toda a hipocrisia derramada esta semana para marcar o 70º aniversário do lançamento das bombas — que os EUA devem um pedido de desculpas às vítimas dos atentados; que as armas nucleares devem ser abolidas; que Hiroshima é um monumento à desumanidade do homem contra o homem; que o Japão poderia ter sido derrotado de uma forma ligeiramente mais agradável—, duvido que algo será dito sobre o ponto fundamental do artigo de Fussell: Hiroshima e Nagasaki não foram apenas os eventos terríveis que puseram fim à guerra. Eles também salvaram vidas. A bomba transformou o Império do Sol em uma nação de pacifistas.

Como Hiroshima e Nagasaki foram eventos reais, não há como especular sobre seu horror. A Operação Downfall não aconteceu, então há muita especulação. Será que os japoneses teriam se rendido depois de um teste com a bomba atômica no mar? A invasão da Manchúria pela União Soviética, que começou no dia do bombardeio de Nagasaki, teria tido um efeito decisivo em pressionar o Japão a desistir? Teria o número de vítimas decorrentes de uma invasão excedido o número de mortes provocadas pelas duas bombas, que, de acordo com algumas estimativas se aproxima de 250 mil?

Nunca saberemos. Sabemos apenas que os EUA perderam 14 mil homens apenas para tomar Okinawa, em 82 dias de combates. Sabemos apenas que, porque o Japão se rendeu, a ordem para executar milhares de prisioneiros de guerra no caso de uma invasão das ilhas territoriais nunca foi implementada. Sabemos apenas que, nas últimas semanas de uma guerra que o Japão supostamente já havia perdido, os Aliados estavam acumulando vítimas a uma taxa de 7 mil por semana.

Sabemos também que o Exército japonês lutou quase até o último homem para defender Okinawa, e centenas de civis escolheram o suicídio à captura. Não há como saber com certeza se os japoneses teriam lutado menos ferozmente para defender suas ilhas principais.
“Compreender o passado”, escreveu Fussell, “requer fingir que você não conhece o presente. Exige sentir a sua própria pressão sobre seus pulsos sem qualquer iluminação ex post facto”.

Julgamentos da história devem ser feitos à luz não só dos resultados mas também das opções. Será que julgaríamos Harry Truman melhor hoje se ele tivesse evitado a opção nuclear a favor de 7 mil mortes por semana, isto é, se ele tivesse sido mais atencioso com as vidas dos inimigos do que com as vidas de seus homens?

Por muito tempo Hiroshima tem sido associada a uma determinada vertente da política de esquerda, um tipo de pacifismo insípido, salteado com um antiamericanismo implícito. Isso é uma vergonha. Há lições na história de Hiroshima que poderiam nos servir hoje, quando os militares dos EUA proíbem o uso da palavra “vitória”, o presidente dos Estados Unidos não acredita no exercício do poder americano e o público norte-americano é consumido pela culpa de pecados que não cometeu.

Fontes:
The Wall Street Journal - Thank God for the Atom Bomb

5 Opiniões

  1. Roberto Ebelt disse:

    Num mundo cínico e politicamente correto ainda existe gente criticando os EUA por ter acabado com a guerra pelo menos meio ano antes do que as mais confiantes expectativas nos faziam crer?
    Certamente não se lembram da extrema belicosidade dos japoneses no meio século anterior a II Guerra Mundial.

  2. Revoltado disse:

    nossa quantos idiotas mugindo aqui nesses comentários…

  3. Beraldo Dabés Filho disse:

    Como seriam os comentários hoje, se as duas duas bombinhas atômicas tivessem sido experimentadas pelo “eixo”, em Washington e Nova York respectivamente? Moeda tem dois lados…

  4. Evandro Correia disse:

    Que bom alguém ter coragem de dizer verdades “politicamente incorretas”. Aleluia!

  5. Ludwig Von Drake disse:

    Muitas variáveis hipotéticas comprometem a conclusão:
    1 – Não foi a bomba atômica que ganhou a guerra, foi o código navajo em oposição à criptografia japonesa que era…americana;
    2 – Os americanos já haviam vencido a guerra, porque as forças armadas japonesas receberam a ordem de “não se render”, isso significa “perdemos”;
    3 – O uso da bomba foi uma opção estratégica e não tática. Um teste no terreno, bem longe dos USA e Europa. E um aviso aos aliados e adversários. Funcionou.

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