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Irã se lança à conquista da América Latina

Governo de Mahmoud Ahmadinejad busca apoio na região para superar o isolamento internacional

Irã se lança à conquista da América Latina
Mahmoud Ahmadinejad não tem poupado esforços para obter apoio da América latina (Reprodução/Internet)

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Há pelo menos seis meses, o Irã está empreendendo uma ofensiva comercial, militar e diplomática sobre a América Latina. Teerã não tem poupado esforços para conseguir o apoio da região para superar o isolamento internacional por conta de seu programa nuclear. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, aproveitou sua participação na Rio +20 para fazer uma mini-turnê pela América do Sul. Foi a segunda em seis meses. Em janeiro, Ahmadinejad visitou a Venezuela, Equador, Cuba e Nicarágua. Em maio, foi a vez do vice-presidente Ali Saeidlo fazer o mesmo roteiro e ainda incluir a Bolívia.

No fim de maio, os habitantes de Quito, a capital do Equador, foram surpreendidos pelo aparecimento de cartazes chamando para um ato de nenhuma tradição local: o aniversário da morte do aiatolá Khomeini. Numa solenidade realizada no país, o líder iraniano foi equiparado a Simón Bolívar. O evento foi captado pela “Hispan TV”, o canal a cabo do regime iraniano, inaugurado em dezembro, que transmite notícias 24 horas por dia em espanhol e cujo principal alvo é o público latino-americano.

Na Bolívia, a presença do Irã é ainda mais emblemática: a embaixada iraniana tem 145 diplomatas, segundo informou o jornal espanhol “El País”. Fontes diplomáticas ocidentais, no entanto, estimam que o número seja ainda maior.

Para o analista do Centro de Estratégias, Inteligência e Relações Internacionais (Ceiri), doutor Marcelo Suano, os latino-americanos, especialmente os governos esquerdistas, têm condições de surgir como número para engrossar o apoio que os iranianos necessitam ter dos atores que realmente têm capacidade de lhes dar suporte: China e Rússia.

“Os latino-americanos podem ser este grupo a fazer número, graças ao comportamento antiamericano dos bolivarianos que se espalhou, em maior ou menor grau, entre os governos de esquerda e centro-esquerda na região. Assim, esses latino-americanos surgem para os iranianos como ‘inimigos do meu inimigo’, logo, apoiadores das suas reivindicações e confrontações”.

Suano ressalta que, diante de possíveis sanções contra o Irã, esses aliados podem se tornar fornecedores de matérias-primas e produtos essenciais para o país, caso seja necessário. O especialista lembra que os iranianos já têm acordos fechados com os principais bolivarianos (Venezuela, Bolívia, Equador) para fornecer matérias-primas. Há cerca de dois anos, por exemplo, houve aproximações para assinar um tratado visando à exploração e ao fornecimento de urânio da Bolívia ao Irã.

“Os latinos podem ser significativos para a estratégia de sobrevivência do governo iraniano, para a continuidade de seu programa nuclear e para a manutenção da política externa de enfrentamento. É possível dizer que Teerã não vê os latinos como principal suporte, mas poderá vir a percebê-los como cartas importantes do baralho, se não ocorrer de chegar a vê-los como as últimas restantes”.

Mas Teerã não está encontrando facilidades em todos os países nos quais tem buscado uma ofensiva diplomática. A visita de Ahmadinejad ao Brasil, por exemplo, causou polêmica: alguns deputados pediram que o governo brasileiro impedisse a entrada do líder, e a presidente Dilma Rousseff não aceitou se encontrar reservadamente com ele, apesar da insistência do Irã.

Desde que tomou posse, Dilma tem buscado romper com a postura de seu antecessor, o presidente Lula, no que tange ao relacionamento com o Irã. Para Suano, a postura mais técnica, menos ideológica e menos impositiva na política externa do atual governo indica que ele não vá fazer qualquer interferência com relação às posturas que estão sendo adotadas pelos seus vizinhos, permitindo a manutenção dos mesmos posicionamentos na região: “Isso até que os governos bolivarianos percam sua força, credibilidade e sejam substituídos”, conclui o especialista.

Mas, diante da ofensiva do Irã, os Estados Unidos também procurariam ampliar sua presença na região? Para Suano, como qualquer potência global, os EUA procuram defender seus interesses em todos os cantos do globo:

“Ao longo dos últimos 12 anos, os EUA ficaram menos atentos à área e deslocaram os seus interesses para outras áreas do globo que consideraram prioritárias, deixando a América Latina com um espaço de ação unilateral sem precedentes. Num segundo momento, emergiram governos declaradamente antiamericanos, que usavam desse argumento para solidificarem uma base de apoio. Depois, num terceiro tempo, veio à crise econômica norte-americana, que impediu quaisquer ações”.

O especialista ressalta, no entanto, que o ponto central é a forma como os Estados Unidos vão se posicionar no que tange a qualquer ação do governo do Irã na América Latina. “Certamente, vão usar dos mecanismos internacionais disponíveis, como sanções, já que os países da região devem seguir as determinações do Conselho de Segurança da ONU. Mas, é claro que há a possibilidade de eles desrespeitarem as obrigatoriedades da ONU e violarem os tratados assinados”.

 

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3 Opiniões

  1. Aguinaldo disse:

    Um mulher chamada SAKINÉ está sendo usada como moeda de troca com os Países da América do Sul, enquanto não é apedrejada…. Esse irã sempre foi um País sanguinário, povo fanático, embora seus ancestrais persas tenham legado para o planeta uma história de luzes que os dirigentes atuais apagaram para mergulhar na escuridão! Porque não fazem com ela igual o ensinamento de JESUS;
    – “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra…”
    Literalmente Sakiné foi condenada a morrer por execução de apedrejamento!…

  2. Rudy Lang disse:

    Se for ruim para o Brasil, certamente esse bando de esquerdistas latrino-americanos tornar-se-ão aliados de qualquer ditadura ou teocracia. O homo garanhunensis que o diga.

  3. Marcos de Oliveira disse:

    Qual o problema em apoiar o Irã, assim como apoiamos os EUA? Não devemos é agir como pau mandando. O Irã é o maior comprador de carne bovina brasileira, possui um know-how militar interessante para o Brasil, assim como o Brasil possui bons armamentos de defesa para comercializar. Muitos eng. brasileiros já realizaram trabalhos no Irã. O Irã é o único país do oriente médio que nunca foi colonizado, a antiga Pérsia. Certamente merecem respeito, assim como os EUA que são grandes parceiros nosso. O que não pode haver é intromissão estrangeira no país alheio. Coisa que acontece no Irã. Certamente o Brasil terá sua posição imiscível em relação ao Irã, pois muitos brasileiros entendem o que acontece no mundo e não permitirão o saque estrangeiro.

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