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Herdeiros

Jovens, ricos e infames

Os jovens herdeiros chineses são alvo de críticas do resto da população

Há algumas décadas, o boom na economia chinesa trouxe uma vida melhor para centenas de milhares de pessoas. Mas também criou novos problemas, como poluição e desigualdade. E, para os super ricos, um enigma moral: como, o pais abastados pensam, eles podem criar seus filhos para que eles não se comportem como fedelhos arrogantes?

A China tem  hoje estimados 1.09 milhões de pessoas com fortuna pessoal de pelo menos 10 milhões de Iuan (R$5.14 milhões) e 67.000 de “super ricos” com bens acima de 100 milhões de Iuan, incluindo 213 bilionários (em dólares). Seus filhos, os “ricos de segunda geração”, ou fuerdai, são os objetos de pronto estudo da mídia nacional e alvos de uma mistura de inveja e repulsa entre a população geral.

Eles podem ser vistos dirigindo carros escandalosamente luxuosos que, graças a rígidas taxas de importação, podem custar 1 milhão ou mais. Alguns deles postam fotos ostentosas e discursos vulgares sobre suas façanhas nas mídias sociais. Wang Sicong, o filho de um dos magnatas mais ricos da China, recentemente levantou uma chuva de críticas ao dizer que, ao selecionar uma namorada, ela deve ser “rechonchuda”. Ele também postou fotos do seu cachorro usando dois Apple Watches, que valem dezenas de milhares de dólares – úteis, sem dúvida, caso o animal precise usar a internet.

Em junho, o presidente chinês Xi Pinping disse em uma reunião do governo que os jovens ricos da China devem reprimir seus costumes hedonistas.Eles devem ser ensinados, disse o presidente, “a pensar sobre as origens de sua riqueza” e serem trabalhadores , patriotas e obedientes às leis. Uma semana depois do seu discurso se tornar público, a mídia local reportou uma sessão de treinamento para 70 herdeiros de bilionários, onde eles aprendiam “a cultura tradicional chinesa, responsabilidade social e noções de negócios” – e eram multados 1.000 iuan caso chegassem atrasados.

De acordo com alguns fuerdai, tudo isso será uma batalha árdua. Wang Dagi, um jovem de 30 anos, membro de uma família abastada, descreveu vários de seus semelhantes em “Fardos da Riqueza”, um livro publicado em maio. O livro procura pintar retratos mais suves das vidas dos fuerdai, mas ele reconhece que a ostentação é o único valor que muitos deles conhecem. “É bem patético, na verdade,” ele diz. Entre aqueles que trabalham, ele acrescenta, a maioria escolhe investir a riqueza da família em outros negócios. “Construir um negócio próprio requer muito trabalho e muita responsabilidade.”

Outro membro da fuerdai, um nativo de Pequim de 26 anos, cujo pai é um investidor bancário, diz que alguns de seus amigos são de famílias bem conectadas politicamente e provavelmente devem sua riqueza a acordos corruptos. Outros têm fortunas familiares honestas, construídas com trabalho, e muitos, ele acha, caem em uma zona entre os dois. “Nós não conversamos muito sobre de onde vem o dinheiro”, ele diz. “Nós todos entendemos que é um assunto que pode ser sensível.”

A atual campanha anti corrupção da China, ele acha, está fazendo mais do que qualquer programa de treinamento para ensinar os jovens ricos a diminuir o ritmo – pelo menos em público. Eles ainda festejam como ninguém e compram carros novos a cada seis meses. “Mas agora, quando eles saem, só levam a BMW 7 Series ao invés do Aston Martin.”

Fontes:
Economist-Lifestyles of the rich and infamous

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