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Realeza conturbada

Livro declara o fim da era dos monarcas do Golfo Pérsico

Especialista afirma que a era dos monarcas do Golfo já passou. Trata-se de um julgamento prematuro?

Livro declara o fim da era dos monarcas do Golfo Pérsico
Hoje, o acordo entre líder e liderados é muito mais tenso que outrora (Reprodução/Reuters)

“After the Sheikhs: The Coming Collapse of the Gulf Monarchies” de Cristopher Davidson.

Pode-se considerar falta de sorte que “After the Sheikhs”, livro publicado na Grã-Bretanha no ano passado e que apenas agora está chegando às livrarias americanas, tenha sido impresso antes de as forças revolucionárias do mundo árabe terem sofrido uma série de reveses. Em 2012 a Irmandade Muçulmana no Egito, o país mais importante e populoso da região, estava em alta. A oposição síria parecia estar vencendo. E os ventos da mudança haviam começado a soprar contra os governantes do Golfo, o assunto deste livro. A mensagem de Cristopher Davidson, implícita no título, é que o tempo deles está se esgotando. Trata-se apenas de uma questão de quando isso acontecerá. “A maioria desses regimes – pelos menos em sua forma presente – não estará mais no poder daqui a de 2 a 5 anos. Trata-se de uma estimativa, no mínimo, arrojada. Nos últimos meses as forças da reação vêm se manifestando.

Davidson, que já morou em Ras al-Khaimah, um dos mais pobres dos sete pequenos estados que integram os Emirados Árabes Unidos (EAU), é um dos acadêmicos mais informados sobre a questão. Ele delineia o cenário de derrocada monárquica com detalhes inquestionáveis e em geral fascinantes. Ele mostra como os governantes dos seis países analisados — Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e EAU – conseguiram manter os seus povos sob controle.

Em diferentes medidas esse sexteto detém enormes reservas de petróleo e gás, o que permite a seus líderes realizar grandes gastos em tempos de vacas magras ou quando o estrondo da democracia se torna audível em seus reinados. Ademais, cada um desses seis regimes é sustentado por um aparato de coerção. Desde que a Primavera Árabe começou, há três anos, o equilíbrio entre coerção e cooptação, argumenta Davidson, pendeu para aquela. Em alguns lugares, em especial no Bahrein, mas também nos EAU, país sobre o qual o livro é mais revelador, o clima ficou incomumente pesado. Hoje em dia o acordo entre líder e liderados, de acordo com o autor, é muito mais tenso que outrora.

Fontes:
The Economist-Rocky royalty

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