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Desafios à vista

Motivos que fazem de 2015 um ano crítico para Israel

Especialistas comentam os fatos que farão deste ano um desafio para o governo de Benjamin Netanyahu

Motivos que fazem de 2015 um ano crítico para Israel
Um dos maiores desafios para Netanyahu será acomodar o acordo nuclear firmado entre Irã e EUA (Reprodução/Internet)

Na semana passada, Benjamin Netanyhu foi eleito pela terceira vez consecutiva primeiro-ministro de Israel. Será seu quarto mandato, somando o primeiro, de 1996 a 1999. Contudo, o atual cenário em que Israel se encontra promete fazer deste o mandato mais difícil do líder israelense. O acordo nuclear negociado entre Irã e EUA, maior aliado israelense, e a ameaça do retorno do antissemitismo em escala global fará de 2015 um ano crítico para o país.

Em entrevista ao Opinião e Notícia, o cientista político Heni Ozi Cukier e o presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (Fierj), Paulo Maltz,  falam sobre a questão da segurança em Israel e o preconceito contra o povo judeu.

O temor de uma corrida nuclear no Oriente Médio

Um dos maiores desafios para Netanyahu será acomodar o acordo nuclear firmado entre Irã e EUA. O acordo, cujos termos serão finalizados no final deste mês, prevê o congelamento do programa nuclear iraniano por 10 anos em troca da suspensão das sanções americanas contra o Irã. Porém, ele não prevê a destruição das atuais instalações nucleares do país.

Segundo Cukier, esse acordo vai abalar as reações entre Barack Obama e Netanyahu, mas não entre os países. “Israel busca algo mais sólido, pois teme que o acordo ‘nuclearize’ a região mais instável do planeta. Mas a maioria das coisas não vai mudar, pois a relação está fundamentada em bases mais sólidas do que apenas os dois líderes”.

Para Cukier, esse temor não é exagero. “A questão de segurança para os israelenses é uma questão intrínseca. Faz parte do dia-a-dia de Israel. O país vive preocupado com sua segurança porque está cercado de inimigos que não aceitam nem reconhecem sua existência”.

A Palestina e a solução de dois Estados

Recentemente, Netanyahu se posicionou contra a solução de dois Estados para a questão palestina. Segundo Cukier, essa postura não é permanente. Ela tem a ver com a situação atual do Oriente Médio. “Ao se deparar com a ebulição na região causada por conflitos e grupos terroristas, Netanyahu concluiu que, no momento, não é viável a solução de dois Estados. Ele não confia nessa situação e acha que a criação de um Estado Palestino agora seria uma ameaça ao seu país”.

Cukier diz que culpar Israel pelo que acontece na Palestina é uma forma de justificar o preconceito. “São dois povos inimigos em guerra, e num conflito não é o mais gentil que ganha. Os palestinos lutam com as armas que tem e Israel suporta ataques terroristas em um nível que nenhum outro país aguentaria. O Hamas é um grupo terrorista que tem em sua carta de fundação a missão de aniquilar Israel do mapa. Para eles, não é do interesse dele que exista a paz, pois ele teria de abdicar do seu discurso de confronto e aceitar a existência de Israel”.

Já Maltz lembra que além de defender, diariamente, seu direito de existir, Israel é o único país que avisa ao inimigo quando e onde vai atacar, para evitar perdas civis. “O exército israelense joga panfletos de helicópteros pedindo a desocupação do local. Infelizmente, o Hamas impede as evacuações, para usar vidas inocentes como escudos e ganhar as manchetes e a simpatia internacional”.

O retorno do antissemitismo

Questionado se essa estratégia ressuscitou o antissemitismo, Maltz diz que, na verdade, ele nunca morreu. “Ele hiberna de tempos em tempos, mas nunca deixou de existir. Hoje, o antissemitismo foi transmutado para anti-israelismo, pois é mais fácil atacar Israel do que o povo judeu. E aqui no Brasil isso também está latente. A esquerda brasileira, vista em blogs e sites, perdeu um pouco suas bandeiras e passou a defender, em tese, o povo palestino, que seria o mais fraco no embate militar. Todavia trata-se apenas de preconceito disfarçado, pois essa defesa não se dá em relação a outros povos igualmente massacrados, como os sírios”.

Cukier concorda e faz uma comparação com outros países. “É como se a Argentina começasse a disparar foguetes contra civis no Rio Grande do Sul. Todos concordariam em explodir a Argentina. Ninguém condenou os franceses quando eles aumentaram a segurança após os ataques terroristas no país (feitos na sede do jornal Charlie Hebdo). É curioso que, quando o líder de outro país se preocupa com segurança, acaba gerando ódio. Na verdade, isso é apenas uma desculpa para um preconceito que está enraizado de longa data”.

Maltz finaliza a entrevista explicando que existem várias teorias para o preconceito contra os judeus. “Na época da inquisição, a Igreja Católica pregava que os judeus mataram Cristo. Na Idade Média, se falava que os judeus matavam criancinhas para fazer o pão de Páscoa. Também há o mito de que o povo judeu tem amor pelo dinheiro e faz tudo por ele. Isso também vem da Idade Média, quando os judeus não podiam ser proprietários de terra, e então se dedicavam aos serviços financeiros”.

4 Opiniões

  1. Johnny Kallay disse:

    Se o governo de Israel (1) não buscar a paz com seus vizinhos, (2) não priorizar a desocupação de territórios, (3) não aceitar o direito do povo Palestino de um Estado independente e soberano nos territórios ocupados em 1967 e (4) continuar o isolamento da Faixa de Gaza que só tem levado ao fortalecimento das convicções do Hamas que acaba reagindo também com violência, não haverá paz e nem progresso na questão. É necessário que se crie vias para que a Faixa de Gaza seja integrada socialmente, economicamente e politicamente à Cisjordânia. Israel estará mais seguro se utilizar seu poder para integrar e não para separar ou isolar e não deve deixar de lado um dos princípios de sua declaração de independência: O ESTADO DE ISRAEL será aberto à imigração de judeus de todos os países de sua dispersão; promoverá o desenvolvimento do país em benefício de todos os seus habitantes; será baseado nos preceitos de liberdade, justiça e paz ensinados pelos profetas hebreus; defenderá total igualdade social e política para todos os seus cidadãos, sem distinção de raça, credo ou sexo; garantirá total liberdade de consciência, culto, educação e cultura; protegerá a santidade e inviolabilidade dos templos e lugares sagrados de todas as religiões; e se dedicará aos princípios da Carta das Nações Unidas.

  2. Vitafer disse:

    Acho que a Regina tem razão.

  3. Regina Caldas disse:

    Aos árabes não interessa o estado palestino, pois, enquanto a região puder ser considerada vítima de israel, contará com a atenção mundial. A atenção mundial garante aos palestinos uma ´serie de benefícios econômicos. E, mais grave, mantém o antissemitismo em alta. Pois nada mais eficiente do que transformar Israel no vilão que ataca os palestinos”.

  4. Roberto1776 disse:

    Enquanto o maior país judeu do mundo (em Manhattan vivem mais judeus do que em Israel) estiver nas sujas mãos esquerdistas de Barack Obama, o inferno astral de Bibi vai continuar piorando.
    Obama no poder significa mais dezoito meses de insegurança para, infelizmente, todos nós. O cara tem coragem de negociar com os aiatolás, que fizeram, graças a Deus, gato e sapato do Jimmy Carter, outro democrata desorientado.
    Democratas no poder, nos EUA, é a mesma coisa que o Brasil nas mãos do petê.
    Vide o comentarista mais atrevido dos EUA, Glenn Beck, em:
    https://www.youtube.com/watch?v=arJ4xT4YbAI&list=FLmTiG1y9uBMYze8_okGau-w&index=1
    Não é só o Brasil que sofre com desgoverno.

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