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Alviño
Nossa Mídia

Capa de revista é sensacionalista

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1/5, Valor, capa. Uma das chamadas que tem na coluna da esquerda é assim: “Joint em não tecidos. A empresa…, fabricante de não-tecidos de polipropileno, negocia com a… a criação de uma joint-venture para a fabricação de malhas “spunbound” no Brasil”. Não entendemos nada. Tubo bem o “joint” no título, decidiram abreviar “joint-venture”, que se tornou uma expressão usual aqui. Mas o que será “não-tecidos”? E “spunbound”? O jornal publicou o press-release da empresa sem pensar se o leitor podia entender do que se trata.

3/5, Estado, pág. B5. Sobre investimentos em infra-estrutura, a legenda da foto diz: “Obra da Norte-Sul: novos trechos só serão licitados apenas quando a economia melhorar”. “Só… apenas”, uma bela redundância.

5/5, Valor, pág. D10. Falando de restaurantes em São Paulo o subtítulo diz: “Paulistanos percorrem longas distâncias para degustar pratos que valem à pena…”. Sem crase, por favor.

5/5, Portal Estadão, Portal Último Segundo e Opinião e Notícia. O Ministério da Educação quer aumentar a carga horária do ensino médio em 25%, de 2.400 horas para 3 mil horas. Para o total de três anos, naturalmente, se fosse por ano seriam mais de 12 horas de aula por dia. Mas os dois portais citados disseram que seria “por ano”, e nós também cometemos o erro absurdo. A diferença é que no mesmo dia percebemos que algo soava mal, ligamos para a assessoria do MEC para verificar e corrigimos nossa notícia. Esses dois portais, após três dias, continuam com o erro no ar. Vejam nos links abaixo:
Estadão

Último Segundo

6/5, Globo pág. 23 e Folha pág. B7. A notícia é que a Apple e a Google estão sendo investigadas nos Estados Unidos por possível violação da lei antitruste. Isso porque elas têm em comum em seus Conselhos de Administração duas pessoas, o CEO da Google e o ex-CEO da Genentech, o que é mal visto pela lei. Mas nossos jornais não conseguem ter tradutores decentes. Chamam membro do conselho de diretor e de executivo, chamam CEO de diretor-executivo, é muito ruim…

isto-e-nm-09-05-096/5, Isto É, capa. O personagem da reportagem de capa é o juiz do STF Carlos Alberto Direito. Ele usou sua posição para obter vantagens para sua família, na linha de conseguir upgrade para primeira classe em viagens aéreas, ou atendimento VIP no aeroporto do Rio de Janeiro. Ora, isso está errado, mas diante do escândalo da farra das passagens aéreas no congresso é uma gota d’água. No mesmo dia em que lemos a revista estava a notícia de que o senador Eduardo Suplicy conseguia passagens para a namorada viajar por conta do contribuinte. Não achamos que esse deslize do juiz seja escândalo de capa de revista. Dá a impressão de algum interesse em desviar a atenção do público do escândalo maior.

6/5, Isto É, pág. 66. O título da matéria é “Ciclistas mensageiros”, a respeito de bicicleteiros estarem substituindo os chamados “motoboys”. Mas o subtítulo diz: “Os bike courriers se consolidam como alternativa…”. Por que a expressão em inglês? Estamos no Brasil, senhores da IstoÉ.

7/5, Jornal do Brasil, capa. A respeito da gripe suína, o título de uma matéria, chamando para a pág. A24, é “Vírus da gripe criados em ovos”. A chamada continua: “Um laboratório nos Estados Unidos armazena sob uma forma que cresce rapidamente dentro de ovos…”. Quanta ignorância… Qualquer pessoa que trate de se informar, o que o jornalista não fez, saberá que a maneira tradicional de produzir vacinas, há muitas décadas, é usando ovos de galinha. Não há novidade. E não é “um laboratório”, são todos.

Títulos estapafúrdios

7/5, Estado, capa do caderno Economia. A respeito de em abril termos tido um alto fluxo de dólares vindo do exterior, o título diz: “Dólares retornam de vez ao Brasil”. Espera aí: nós achamos que “de vez” quer dizer definitivamente, algo que não vai ter retorno. Não é o caso, esses dólares podem ir embora no mês seguinte. Título bobo.

8/5, Jornal do Brasil, pág. A17. A respeito da idéia da prefeitura do Rio de construir muros protegendo as matas vizinhas das favelas, o subtítulo diz que os muros “… traduzem uma nova espécie de ‘apartheid’ social e urbano no Rio. Os políticos de oposição, e os jornais de baixo nível, estão reagindo à idéia dos muros como se as favelas fossem ser muradas em volta, as pobres criancinhas estariam muradas, uma mentira burra e desonesta. A idéia é murar a floresta, não a área habitada. A gente fica na dúvida se é burrice ou má fé essa interpretação, provavelmente um misto das duas.

8/5, Jornal do Brasil, pág. A24. A respeito do incêndio florestal que está causando grande destruição na Califórnia a nota diz que ele “… se estende por 525 acres.”. 525 o quê?! Nós aqui conhecemos hectares. Na verdade sabemos que o acre é uma medida arcaica inglesa, que os americanos insistem em continuar usando, que equivale a cerca de 4.000 metros quadrados. Se o jornalista não sabia podia olhar no Aurélio, fomos checar e está lá. Os 525 acres equivalem a cerca de 210 hectares.

Pérola da semana

Publicado na capa do Globo de 7/5. O deputado federal Sérgio Moraes (PTB-RS) declarou: “Estou me lixando para a opinião pública.” Mais um exemplo da falta de vergonha vigente no nosso lamentável Congresso.

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  1. Evandro Correia disse:

    A IstoÉ é uma revistinha muito de baixo nível, vendida, o apelido dela é “Quanto é?” Pagou, publicou.

  2. Rodrigo Schmidt disse:

    Adoro esta seção do Opinião e Notícia. Se me pedirem para conceituá-la, faria desta forma: notícias rápidas e abrangentes sobre o que ocorre no mundo temperadas com muito bom humor.

  3. Pedro Reis disse:

    Por sobre os muros da floresta
    lixa-se um tal deputado
    revista sensacionalista
    isto é fato consumado.

    O juiz e o senador
    não se fizeram rogados
    feito bikes-courriers
    pisam em ovos suinados

    Repimposo sutambaque
    Quantos acres tem o Acre?

  4. acm disse:

    Parabens `a O&N, mantendo-nos informados sobre as desinformacoes.

    De fato, o objetivo dos jornais e revistas em papel NAO e’ informar, mas sim vender anuncios (75% do espaco em papel).

    Assim, qto mais chamar a atencao, maior a atracao para os anuncios.

    Alem disso, so e’ publicado o q convem aos anunciantes (se nao, o jornal/revista fecha).

    Felizmente, O&N nao segue essa linha.

  5. Mario Malato disse:

    Gostei muito desta crítica coluna.
    Os que tem o privilégio de publicar matérias deveriam ser severamente reponsabilizados pelos erros de português que cometem. É inadmissível divulgar um texto ao público com erros de linguagem. Não há perdão! Afinal, não existem os revisores? Ou vamos precisar de revisores de revisores?
    Não há uma lei que pune os que “assassinam” o idioma pátrio?
    E os abusos dos estrangeirismos, então…
    Triste.

  6. [...] é exagerada, quer chamar a atenção do leitor de qualquer maneira sendo altamente emotiva. O jornalismo sensacionalista  é um tipo de mídia que veicula matérias escandalosas, nem sempre verdadeiras, acredita que o [...]