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Tecnologia

Nova geração de tablets terá sistema de leitura em braille

O uso inovador da leitura em braille na nova geração de tablets pode dar nova vida ao sistema

Nova geração de tablets terá sistema de leitura em braille
Apenas um quarto dos americanos cegos em idade de trabalhar tem emprego, e quase todos sabem ler em braille (Foto: Wikipedia)

Em 1970 mais da metade dos estudantes americanos cegos sabiam ler textos em braille. Hoje, só cerca de 10% de alunos cegos têm esse conhecimento. Essa diminuição é em grande parte consequência de uma mudança de política, aliás bem-vinda, de os cegos estudarem, na medida do possível, junto com seus colegas sem deficiência visual. Como a maioria dos alunos em uma classe de cegos e de pessoas sem problemas visuais não sabe ler textos em braille, assim como os professores, é natural que seu uso tenha se reduzido.

Além disso, à medida que o número de pessoas que sabem ler em braille diminui, a demanda de livros escritos com esse sistema também se reduz. Isso, por sua vez, significa um incentivo cada vez menor para aprender esse sistema de escrita. Em 1821 Louis Braille criou um método de leitura e escrita para cegos, com pontos em relevo que significam letras, números, sinais de pontuação, notas musicais e símbolos matemáticos, detectáveis pelo tato. Esse sistema demonstrou ser muito eficaz e se tornou bastante popular.

Mas em um mundo com registro de som, programas de tradução com reconhecimento de voz e softwares ativados por comando de voz, talvez o uso do braille não seja mais tão importante para os deficientes visuais. Porém esses recursos de voz têm limites. Só um quarto dos americanos cegos em idade de trabalhar tem emprego e, com certeza, não é por coincidência que quase todos sabem ler textos em braille.

Como Brian MacDonald, presidente da National Braille Press, com sede em Boston, disse, “Os artigos de um jornal podem ser lidos em voz alta para os cegos, mas é impossível entender um cálculo matemático complexo ou uma fórmula de química apenas com a audição”.

Até o momento a tecnologia tem sido uma inimiga do sistema de leitura e escrita braille. No entanto, uma nova geração de tablets com um programa especial de conteúdo em braille está sendo desenvolvida.  O protótipo mais aperfeiçoado, inventado por Sile O’Modhrain e Brent Gillespie da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, foi exibido em 23 de junho na World Haptics Conference, em Chicago. Uma tecnologia do século XIX usa a compressão do ar para gerar símbolos em braille.

A tela do dispositivo tem uma grade de pinos do diâmetro dos pontos do sistema braille. A ponta desses pinos nivela-se com a superfície da tela. Os pinos apoiam-se em uma membrana de borracha de silicone que fica acima de uma pequena cavidade. A cavidade, por sua vez, está conectada a um minúsculo compressor de ar e a uma válvula. Quando o ar é soprado através da válvula para dentro da cavidade, a membrana se expande e empurra os pinos, que ficam em relevo na tela e criam padrões com símbolos em braille. Os pinos voltam à posição anterior quando a válvula é aberta e o ar se desprende.

Fontes:
Economist-Reading lessons

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