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ELEIÇÕES AMERICANAS

Novo reality show nos EUA

As declarações polêmicas dos candidatos à presidência e a cobertura jornalística ampla tornaram as eleições americanas uma espécie de reality show

Novo reality show nos EUA
Candidatos republicanos vão de conservadores a ultra-reacionários (Foto: Youtube)

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Estou em Los Angeles, assistindo avidamente,  em direto, ao mais novo reality show produzido nos Estados Unidos. Nada a ver com a vida das irmãs Kardashian, nem com “The Real Housewives of Beverly Hills”, nem com Big Brother ou UFC. Não, o reality show que está empolgando o público norte-americano, e que passa na CNN, Fox, MSNBC, para mencionar só os principais, é a corrida à Casa Branca.

Leia também: Empate democrata e surpresa republicana marcam caucus em Iowa

É fascinante. Não só pelo que está em jogo  – já dizia Millôr Fernandes que a escolha do presidente dos Estados Unidos é tão importante que o mundo inteiro deveria votar – mas pela amplidão da cobertura e a abundância e prolixidade dos comentários, esclarecedores, incessantes,  repetitivos, polêmicos, opiniáticos e até mesmo belicosos. O número de repórteres, comentaristas e analistas é estarrecedor. Os canais são capazes de produzir especialistas e acadêmicos das mais diversas áreas, todos com novas visões e novas análises. É sabido que a CNN favorece os democratas e que a Fox é o bastião da extrema direita, mas os matizes são infinitos mesmo dentro das duas tendências.

Terça-feira, 2, foi dia dos importantes “Iowa Caucuses”, a primeira manifestação popular oficial da corrida desse complicadíssimo processo eleitoral. Se tivéssemos algo parecido no Brasil, acho que jamais conseguiríamos eleger ninguém, o que, na verdade, não difere muito das atuais circunstâncias que estamos vivendo.

Eu me atreveria a fazer outra analogia aberta à discussão. Os contendedores nos Estados Unidos não são muito mais atraentes do que os que se apresentam ao povo brasileiro, embora por outros motivos. Enquanto a luta de nossos candidatos tem por motivos centrais a manutenção de poder e realização de ambições pessoais, a batalha democrata-republicana, embora não isenta de interesses pessoais, gira em torno da defesa ferrenha de idéias bem definidas.

Do lado democrata, o que os Estados Unidos têm de mais parecido com uma esquerda, as grandes constantes são a luta entre os menos favorecidos e o “1 %”, a redistribuição da carga tributária, o salário mínimo, o controle de armas, o direito à escolha em matéria de casamento e aborto, o apoio ao sistema de saúde conhecido com Obamacare.

Já os republicanos, que vão de conservadores a ultra-reacionários, defendem o salário estabelecido pelo mercado, o status quo fiscal, o porte de armas, a oposição aos direitos dos gays e ao aborto, e o controle privado e a não obrigatoriedade do seguro de saúde.

O grande pomo de discórdia nesta eleição, entretanto, é provavelmente a imigração. Os republicanos, a começar pelo infelizmente popularíssimo Donald Trump, vão de controle estrito a proibição total. Os democratas, embora justamente preocupados com as questões ligadas ao terrorismo, são geralmente mais lenientes e abertos.

Saíram os resultados em Iowa, de certa forma surpreendentes. Hillary Clinton e Bernie Sanders praticamente empatados. O Sanders tem grande apelo, é extremamente simpático e caloroso, o que a Hillary não consegue ser. As ideias de Bernie são claras e atraentes, mas a experiência da Hillary em política externa talvez pese mais.

Do lado republicano, a coisa assusta. Se Trump ficou em segundo lugar, o vencedor, Ted Cruz, parece igualmente perigoso. Marco Rubio, terceiro colocado, é um pouco mais sério, menos histriônico. Em todo caso, as ideias comuns aos três dão frio na espinha.

Agora, correm todos para New Hampshire, próxima etapa e primeira primária, marcada para 9 de fevereiro.  E o show continua, só terminando no dia 8 de novembro. Muito suspense ainda pela frente.

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