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Crítica de cinema

O Grande Hotel Budaspeste: um hotel como protagonista

Wes Anderson usa uma linguagem estilizada para subverter as regras de um filme comum e criar um universo singular: sua marca registrada

O Grande Hotel Budaspeste: um hotel como protagonista
História se passa nos anos 1930 (Reprodução/Blog)

Wes Anderson é, sem dúvida alguma, um dos diretores mais autorais da nova leva de cineastas americanos. Vindo de ótimas obras como “O Fantástico Sr.Raposo” e “Moonrise Kingdom”, o diretor já provou a muito que não se trata de um fenômeno de um filme só. Seu primeiro clássico, “Os Excêntricos Tenenboums”, já foi superado há muito tempo – e aquele estilo tão peculiar e único de guiar uma narrativa, já se tornou sinônimo de histórias encantadoras, com um humor leve e irônico.

Em “O Grande Hotel Budapeste”, o diretor faz o que melhor sabe – se utilizar de uma linguagem estilizada para subverter as regras de um filme comum e criar um universo singular: sua marca registrada. Provando sua ousadia, Wes Anderson já começa quebrando uma regra fundamental da narrativa, ao começar a contar a história (que se passa nos anos 1930) através de três flashbacks consecutivos. Porém, tal artifício não é gratuito e, pelo contrário, se mostra vital para compreendermos o alcance histórico dos eventos retratados. E isso se mostra uma decisão acertadíssima, uma vez que a obra conta uma história de escala reduzida, mas que teima em ganhar contornos épicos pelas mãos de Anderson.

Como o próprio titulo já deixa claro, é o hotel o grande protagonista, o agregador de pessoas capazes de fazer com que seu nome ressoasse na história. De todos esses personagens (vale citar que o elenco é estelar), são Monsieur Gustave (Ralph Fiennes) e o “Lobby Boy” Zero (o novato Tony Revolori) os maiores responsáveis por eternizarem o local. Finnes intepreta o gerente do Budapeste, um homem que vive sob uma imagem romântica — onde perfumes franceses e declamações de poemas fazem parte integral de sua rotina–, mas também rica e cavalheiresca, apesar de ser um mulherengo que vive em um humilde quartinho de empregado.

E se comecei a crítica citando a “autoralidade” de Anderson, é porque em “O Grande Hotel Budapeste” o diretor conseguiu articular todos os seus trejeitos em prol da narrativa. Dessa forma, os cenários feitos de maquete, os enquadramentos centralizados, a presença de narrador e o design colorido servem para criar uma aura de nostalgia para o Hotel – ainda mais valiosa, ao considerarmos o ponto de vista do personagem através do qual encaramos a história. Mas engana-se quem pensa que “O Grande Hotel Budapeste” é apenas um filme de “forma e estilo”. Por mais que sejamos apresentados a diversos estereótipos e uma realidade extremamente estilizada, a obra – em seu final – consegue nos tocar de forma singela, porém, poderosa.

São poucos os filmes que conseguem unir uma estética imaginativa, personagens fascinantes e uma história que não compromete, dentro de uma narrativa rica e moderna. Faz isso no período em que nos queixamos da falta de criatividade de Hollywood então… é algo raríssimo. Com “O Grande Hotel Budapeste”, Wes Anderson não só confirmou que é um grande diretor, mas também nos deu esperança de que dias melhores virão para o cinema norte americano.

*Pedro Lauria escreve para o blog Blah Cultural, parceiro do Opinião e Notícia

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