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O humor deve respeitar o sagrado?

A liberdade de expressão é vital para uma democracia. Mas como identificar a fina linha que separa humor de ofensa?

O humor deve respeitar o sagrado?
Debate foi gerado pelo ataque ao jornal 'Charlie Hebdo', famoso por suas charges de figuras religiosas (Reprodução/internet)

Esta semana, um dos assuntos mais discutidos foi o limite entre liberdade de expressão e o respeito a crenças religiosas. O debate foi gerado pelo ataque ao jornal Charlie Hebdo, conhecido por suas charges satíricas de figuras religiosas. A principal questão é: como identificar a fina linha que separa humor de ofensa?

Humor tem limite?

Na internet, uma campanha chamada “Je ne suis pas Charlie”, questiona o tipo de humor usado pelos chargistas do jornal. Para os adeptos da campanha, o Charlie Hebdo se promove através de ofensas gratuitas que servem apenas para incitar o ódio religioso.

Um artigo do New York Times intitulado“I am not Charlie Hebdo” (Eu não sou Charlie Hebdo), chamou a atenção para o conteúdo ofensivo do jornal, afirmando que ele promove um discurso de ódio religioso. Segundo o artigo, “em qualquer campus de universidade americana, o jornal não duraria 30 segundos”. Vale destacar que, antes do atentado, o jornal satírico tinha uma modesta tiragem de apenas 60 mil exemplares.

O Papa Francisco também criticou o jornal, afirmando que deve haver limites para a liberdade de expressão. Segundo o pontífice, a fé alheia não deve ser alvo de deboche. “Matar em nome de Deus é uma aberração, mas a liberdade de expressão não dá direito de insultar a fé do próximo”.

Como fica o direito civil de se expressar?

A liberdade de expressão é um fator essencial em uma democracia. Esse direito está previsto na constituição de qualquer país democrático.

Defensores da liberdade de expressão afirmam que ela não pode ser amordaçada pelo que alguns consideram sagrado, muito menos pelo politicamente correto. Em um artigo publicado esta semana, no jornal Folha de S. Paulo, o humorista Gregório Duvivier  defendeu que a arte vive da subversão e não deve evitar “brincar com o sagrado”. “O que define o humor é exatamente isso, a brincadeira com o sagrado”, diz o texto do humorista.

Caro leitor,

Você acredita que o humor deve respeitar alguns limites, ou a liberdade de expressão está acima de tudo?

O direito civil de se expressar deve ser regrado pelo respeito à crença religiosa?


 

5 Opiniões

  1. Roberto Santhiago disse:

    Desde quando eu era criança (e já passaram muitas décadas!), já ouvia alguém falar: “Quem diz o quê quer, ouve o quê não quer!”. O ditado popular se aplica ao caso em questão, portanto… “Quem semeia chuva, colhe tempestade!”, o jornal francês a teve! Se é justo, ou não, há uma máxima do Direito, que bem pode se aplicar ao caso: “O direito de um acaba quando começa o direito do outro!”. Esta é a minha opinião.

  2. olbe disse:

    PELO AMOR DE DEUS!!!! QUE LEIS AS PESSOAS QUE FAZIAM COMPRAS NO SUPERMERCADO JUDAICO DESRESPEITARAM? Eles fizeram algum desenho? Eram tão pacíficos que sendo judeus ortodoxos tinham como um empregado um MUÇULMANO, que foi o herói desta tragédia. É preciso pensar que estas pessoas também foram mortas pelos terrorista e não tinham feito nada de errado..então não me convence a tese de que eles PROVOCARAM…

  3. Braziliano disse:

    De certa feita em um programa policial da TV, o repórter foi entrevistar um estuprador de uma menina de 11/12 anos e ao indaga-lo sobre o porque de ter cometido tal ato, o homem respondeu: “Doutor (referia-se ao jornalista), nem prostituta quer transar com um cara feio como eu!” E leitores, o homem era feio e não somete pelo estado de penúria e sujeira.
    :::
    Mas o pobre homem, vive em uma época onde acâdemicos irresponsáveis, acumpliciados com jornalistas do tipo “Charlie Hebdo”, utilizam todos os meios midiáticos para disseminar “licenciosidade, permissividade, materialismo, hedonismo escancarado, sensualismo, imediatismo, etc.”
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    O pobre mendigo, talvez mentalmente incapaz de colocar limites a esse discurso, praticou o ato criminoso contra a criança.
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    De quem é a culpa?
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    Levante-se a ponta do tapete e dá medo da sujeira que vamos encontrar.

  4. Ludwig Von Drake disse:

    Se a “liberdade de expressão” for Lei Universal (o imperativo categórico de Kant), seremos forçados a defender a liberdade para os contrariados se expressarem violentamente, já que a violência é, também, forma de expressão.

  5. André Luiz D. Queiroz disse:

    Você acredita que o humor deve respeitar alguns limites, ou a liberdade de expressão está acima de tudo?
    — eu já dei minha opinião em comentários a outros posts sobre o tema; concordo que liberdade de expressão não deve ser justificativa para o desrespeito!
    §
    O direito civil de se expressar deve ser regrado pelo respeito à crença religiosa?
    — o “direito civil de se expressar” não deve se confundir com direito a ridicularizar! Pode-se não concordar com crenças religiosas, e pode-se também criticar, civilizadamente, seus contrassensos e idiossincrasias. Mas daí a fazer piadas ofensivas, melhor não! Porém, isso é algo que deve partir da consciência, do bom senso de quem se expressa, que não pode ter seu direito cerceado — como na frase atribuída* a Voltaire: “Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo

    *segundo o site http://filosofia.uol.com.br/filosofia/ideologia-sabedoria/44/a-falsa-citacao-de-voltaire-investigacao-afirma-que-a-300467-1.asp, a famosa citação não é realmente de Voltaire…!

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