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Crise dos EUA

O início do fim da recessão

Federal Reserve vai reduzir gradualmente as facilidades de liquidez. É o primeiro passo para tentar normalizar as medidas de suporte ao mercado financeiro desde a gravíssima crise de 2008-2009

O início do fim da recessão
Banqueiros ficaram satisfeitos com a notícia (Reprodução/Internet)

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Na quarta-feira dia 18 de dezembro o Federal Reserve (banco central americano) emitiu o comunicado de que a partir de janeiro de 2014 vai reduzir gradualmente as facilidades de liquidez, diminuindo o valor mensal de títulos que compra no mercado mensalmente, de US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões, e seguidamente, pretende ir reduzindo aos poucos a liquidez. É o primeiro passo para tentar normalizar as medidas de suporte ao mercado financeiro desde a gravíssima crise de 2008-2009, poucos até lembram o que eram os títulos hipotecários sub-prime não honrados e como isto se espalhou feito tsunami no globo.

Qual é o melhor lugar para estar e discutir este assunto e sua repercussão na economia global e na brasileira? Certamente é numa palestra com Armínio Fraga, ex- diretor do Banco Central do Brasil e Randall Kroszner, ex alto executivo do próprio Federal Reserve. Os banqueiros ficaram satisfeitos com a notícia, relatando que o mercado em geral aceitou bem este gradualismo, mas mesmo assim cientes de alguma alteração na taxa de juros do FED somente para 2015 e, mesmo assim, somente se a taxa de desemprego nos EUA ficar bem firme abaixo dos 6,5%.

A discussão maior é sobre a nova expressão criada FIVE FRAGILES, as cinco economias consideradas mais sensíveis a movimentos cambiais, assim denominadas pelo poderoso banco J.P Morgan: a Índia, a  Indonésia, a Turquia, a África do Sul e, para nossa surpresa, o Brasil. Há pouco estávamos nos B(rasil) R(ussia), I(ndia), C(hina) e S(África do Sul), países de expectativa de grande crescimento, mas o boletim do final de ano nos colocou em novo grupo.

De fato, Armínio Fraga não deixa de registrar o mau desempenho macroeconômico do Brasil, com taxas de inflação de 6% e crescimento médio de apenas 2%, contas públicas deficitárias, aumento de dívida, indefinição de marcos regulatórios, falta de infraestrutura e investimento e por aí vai. São assuntos que um novo governo, a ser eleito em menos de 10 meses terá de enfrentar. Armínio desde já acha que o sistema de metas de inflação não pode ser tão condescendente, com metas de 4,5% ao ano, sempre estourando no limite superior: tanto a meta deve ser bem menor, se aproximando de países desenvolvidos, como todo o comportamento macroeconômico deve inspirar mais respeito ao ir na direção certa (e não as pernas mancas citadas pelo atual titular da Fazenda).

Os EUA tem previsão de crescer entre 2,5% e 3% em 2014, o que não é mau considerando a base forte que tem e a liderança mundial. Nos últimos anos, o Brasil experimentou um incremento de 33% para 50% da participação dos bancos estatais na atividade bancária, principalmente o BNDES, que não toma dinheiro no mercado mas absorve o resultado da emissão de títulos públicos do Tesouro Nacional. O mercado de capitais registrou apenas 3 IPO’s no Brasil (oferta pública inicial), enquanto que nos EUA ocorreram mais de 90, mesmo com a economia fraca. Armínio lembrou que do grupo de empresas investidas de sua empresa, somente 9 das 40 empresas são listadas em bolsa, e com pequena repercussão, sem liquidez.

Armínio lembra que um dos bons institutos no Brasil é o sistema SIMPLES, que diminui a carga tributária de pequenas empresas, mas que assim que a empresa cresce sai desta situação razoável e entra no emaranhado de muitos e caros impostos, o que faz a economia estancar.

O que fazer em 2014 para melhorar a situação, segundo Armínio? Voltar aos bons princípios de administração macroeconômica, o que é um benefício em si mas também espalha otimismo aos investidores pela esperança de estabilidade de uma boa gestão.

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1 Opinião

  1. Marcos Rodrigo Minharo disse:

    Reviravolta……

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