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O lado sério da folia

Blocos carnavalescos apoiam ONGs e abordam causas sociais

O lado sério da folia
Para prevenção ao uso das drogas e inclusive do álcool, médicos criaram a banda “Alegria Sem Ressaca” (Reprodução/Divulgação)

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Carnaval não é só brincadeira. Por trás dos desfiles irreverentes que arrastam multidões pelas ruas do Rio, vários blocos tradicionais da cidade resolveram apoiar causas sociais dando incentivos a ONGs ou abordando temas importantes como a dependência química.

O bloco “Gargalhada”, que desfila no domingo de carnaval pelas ruas de Vila Izabel, por exemplo, busca reunir pessoas com diferentes idades, deficiências físicas e orientações sexuais. Figuras centrais do cortejo – como a rainha e os compositores do samba – são portadores de deficiência. E um intérprete de Libras foi chamado para participar da evolução.

No Catete, o “Senta que eu empurro”, que se apresenta no dia 8 de fevereiro, é pensado para cadeirantes que se sentem intimidados pela lotação dos demais blocos. Banheiros químicos adaptados serão colocados ao longo do percurso para garantir o conforto dos foliões.

Há também os blocos voltados para deficientes mentais.  O “Coletivo Carnavalesco Pirando Pirado Pirou”, por exemplo, reúne pacientes de
várias instituições, como o Instituto de Psiquiatria (Ipub) da UFRJ e Instituto Municipal Philippe Pinel. No desfile, na Urca, no dia 3 de fevereiro, será entoado o samba eleito em uma disputa de músicas compostas por usuários do sistema de saúde mental.

O bloco “Loucura Suburbana”, formado por pacientes e profissionais de saúde do Instituto Municipal Nise da Silveira (IMNS), também promoveu um concurso para escolher o samba do carnaval deste ano. O desfile, que acontece no Engenho de Dentro no próximo dia 7, será ao som dos ritmistas da bateria “A Insandecida”, composta por alunos da Oficina Livre de Música da instituição e convidados.

Com o intuito de fazer a prevenção ao uso das drogas, inclusive do álcool, a banda “Alegria Sem Ressaca” foi criada há dez anos por médicos, psicólogos, psiquiatras e familiares de dependentes químicos. “Criei a banda para banir a negação de que drogas são venenos”, conta Jorge Jaber, presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad). O desfile, no dia 3 de fevereiro, terá a presença do cantor Eduardo Dussek, o rei da banda, e da delegada Valéria Aragão, titular da Delegacia de Combate às Drogas do Rio de Janeiro (Dcod), a madrinha.

Já o “Bloco do Sangue Bom”, da ONG Instituto Sangue Bom, fez a alegria de diabéticos e hipertensos no último domingo. O sambista Dicró, diabético e um dos fundadores do cordão, morto no ano passado, foi homenageado.

A própria Sebastiana (Associação Independente dos Blocos de Carnaval
de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro do Rio de Janeiro) dá o exemplo. Pelo quarto ano consecutivo, ela realiza a ação “Carnaval Limpo” para estimular a coleta de material reciclável durante os desfiles dos 12 blocos da associação. Catadores circulam entre os foliões, e todo o material coletado é levado para o Instituto Doe Seu Lixo e vendido. “É uma grande oportunidade de ajudarmos a criar o hábito da reciclagem e despertar a consciência da cidade sobre o lixo
produzido nos grandes eventos”, afirma a presidente da Sebastiana, Rita Fernandes.

Também buscando contribuir para a geração de renda de moradores de
comunidades carentes, o “Suvaco de Cristo” criou, há cerca de cinco anos, a ONG “Divinas Axilas”, que capacita moradoras de comunidades como o Dona Marta, em Botafogo, a se tornarem costureiras. Elas produzem fantasias e adereços carnavalescos durante todo o ano. O projeto chegou a ser contemplado em uma das modalidades do Prêmio Economia Criativa do Ministério da Cultura. O bloco desfila no próximo dia 3, no Jardim Botânico.

O “Escravos da Mauá”, que também evolui no dia 3, na Praça Mauá, é outro bloco que desenvolve ações sociais e busca incluir moradores da Zona Portuária nos preparativos da festa. Para isso, oferece oficinas gratuitas de pernas-de-pau, confecção de fantasias e fabricação de estandartes, todas realizadas pela Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades. Há ainda a parceria com a ONG Spectaculu – Arte e Tecnologia, escola de formação em artes cênicas no Santo Cristo. Os alunos recém-graduados em cenografia confeccionam os chapéus para a bateria e adereços de mão que são distribuídos no desfile.

 

 

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Vocês acham que o carnaval é uma boa oportunidade para conscientizar a população sobre causas sociais?

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3 Opiniões

  1. Evandro Correia disse:

    Eu acho que o carnaval é a pior época para conscientizar alguém de qualquer coisa.

    Quanto aos blocos, não conheço o trajeto de todos, mas o “Suvaco de Cristo”, com esse nome irreverente, bloqueia a rua Jardim Botânico durante horas. Eu moro na rua Faro, travessa da J. Botânico, e fico impedido de sair de casa. Se alguém tiver uma emergência de saúde e precisar de uma ambulância, nem pensar. Morre em casa mesmo.

    É um absurdo a prefeitura permitir isso!

  2. helo disse:

    Blocos na rua, é bloqueio certo, como diz Evandro. Se no Rio fossem menos e com mais planejamento divertiriam mais. Divertir é só o que querem e pra que servem.

  3. Mauricio Fernandez disse:

    Se um grupo de pessoas se reunem em torno de um tema de forma divertida para protestar é por que já estão conscientizadas sobre a questão. Se aqueles que olham o grupo acham graça e se juntam a êle é por que reconhecem a questão e a forma agradavel do protesto. Portanto, nesses casos temos apenas a manifestação expontânea do povo frente a um fato. Intelectualizar demais “as complexidades das coisas simples” por vezes estraga tudo.

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