Início » Vida » Comportamento » O limite entre proteção e invasão
Privacidade

O limite entre proteção e invasão

O controle da espionagem será sempre um trabalho complexo. Porém as democracias podem se defender melhor contra as ameaças internas e externas

O limite entre proteção e invasão
As antigas definições estão perdendo a clareza diante desse acúmulo de informações (Foto: Wikimedia)

A espionagem em geral significa roubar segredos por meio de mentiras e trapaças. Então, como os países devem lidar com essa atividade do governo que não é submetida ao controle da lei? A tecnologia está acelerando o processo de superação das antigas regras. As informações eletrônicas que permitem o acesso a dados pessoais já estão sendo exploradas pelas empresas. As agências de inteligência podem e devem usar esses dados para monitorar terroristas, criminosos e espiões, assim como países hostis.

Mas as antigas definições estão perdendo a clareza diante desse acúmulo de informações. A coleta e a análise dos “metadados”, os detalhes externos das comunicações, porém não de seu conteúdo, revelam muitos aspectos de uma pessoa. É cada vez mais difícil distinguir informações sobre estrangeiros (em geral uma prática corriqueira) de dados dos cidadãos de um país (cuja privacidade deve ser protegida). A falta de confiança do público agrava o problema.

Os espiões devem ter sorrido com desdém perante a ingenuidade e a suspeita das reações às revelações de Edward Snowden, um ex-analista da National Security Agency (NSA) dos Estados Unidos. Mas o público sofre as consequências. Os diretores das agências de inteligência precisam reconstruir a confiança do público. E isso exige uma supervisão mais rígida.

A intromissão invasiva do Estado deve ser reprimida com medidas rigorosas de proteção e garantia dos direitos individuais. Os políticos eleitos precisam estabelecer regras claras que definam o tipo de informação que pode ser coletada e como deve ser manipulada, além de se responsabilizarem por suas decisões. Quando os computadores detectam atividades suspeitas, os juízes devem decidir se há uma justificativa para fazer uma averiguação mais minuciosa. Assim como é preciso ter um mandado de busca e apreensão para investigar a casa de alguém suspeito, as agências de inteligência precisam ter um mandado que lhes dê direito a acessar dados de uma pessoa suspeita.

Fontes:
The Economist - What laws in the jungle?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *